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sábado, 11 de agosto de 2012

Sintonia e respeito

É chover no molhado dizer que Avenida Brasil é um sucesso absoluto. Audiência, crítica, repercussão - o país parece girar em torno da novela, como outros folhetins globais já mostraram ser possível. Quem considerava o gênero esgotado (como eu) foi arrastado para o compromisso diário diante da TV, de segunda a sábado. Não tenho a pretensão de explicar o porquê desse sucesso, mas registro neste humilde blog que duas coisas estão presentes no espírito dos realizadores: respeito ao telespectador e sintonia com seu tempo. E isso pode ser uma lição tanto para a TV aberta como para os demais meios de comunicação.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O brasileiro não é ufanista

Diego Hipólito, favorito para vencer a medalha de ouro na ginástica olímpica, caiu no final da série de exercícios e ficou em sexto lugar. Cabisbaixo e muito decepcionado, o atleta balbuciou para os repórteres:

- Peço desculpas aos brasileiros que acreditaram em mim.

Diego não deve pedir desculpas a nós: assim como muitos esportes amadores, a ginástica não tem um planejamento nem grandes incentivos do Comitê Olímpico ou do Ministério do Esporte.

De onde vem a pressão sobre o atleta na hora de representar o país? Os brasileiros torcem, mas diferentemente do futebol, não há uma cobrança por expressivos resultados nos esportes olímpicos. Ficamos frustrados por Diego, pois ele era favorito. Mas não se pode dizer que a torcida colocou um enorme peso nas costas do atleta.

No entanto, observe a cobertura e a transmissão dos Jogos: quantas vezes você já ouviu ou leu o adjetivo "histórico"? Se o ginasta foi à final pela primeira vez, foi uma classificação "histórica"; se o bronze feminino no iatismo era inédito, então é uma medalha "histórica". Mesmo se um atleta fica em décimo lugar no geral, e essa for a melhor classificação em todos os Jogos, é um desempenho "histórico".

A banalização dos adjetivos para os feitos olímpicos cria falsas expectativas e coloca sobre os atletas uma pressão que, na verdade, é muito menor. Mas a partir do momento que uma rede como a Globo compra os direitos de transmissão, ela torna-se "parceira" do evento. Ou seja, o evento tem que ser um sucesso. E os espectadores precisam ter essa sensação de sucesso.

Só que apenas ufanismo não basta. O Brasil leva quase 300 atletas em cada delegação e o maior número de medalhas conquistadas numa Olimpíada foi... 15. Há algo errado aí, e é só olhar para o descaso de escolas e alunos pelas aulas de Educação Física para entender. Ou checar o orçamento do Ministério do Esporte.

Fora isso, por mais que a Globo (ou a Record, em 2012, vai dar no mesmo) exija dos atletas uma alta performance, ela não age da mesma forma. Por exemplo: pode-se dizer que Galvão Bueno sabe de Fórmula 1 e, vá lá, de futebol. Mas ele também narra natação, ginástica olímpica, basquete... É a lógica do ufanismo acima de tudo.

O brasileiro não é ufanista, e isso não quer dizer que ele não goste do Brasil ou não torça por seus representantes.

Queremos ver o sucesso de nossos atletas - e para isso eles precisam de uma preocupação séria das autoridades esportivas. E nós precisamos de uma transmissão fiel à realidade, seja ela qual for.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Pluralidade de opiniões

No que uma comissão do Senado aprova a redução da maioridade penal, o pai de uma menina assassinada por um menor discorda. E mais: admite que era a favor da redução só no período após o choque da morte.

Ainda que o texto termine com uma reação diferente por parte do pai, é interessante uma vítima assumir que, no calor do momento, tomaria uma decisão precipitada sobre a redução da maioridade penal.

Ouvi, "Sivucas" de plantão...

PS: aqui você confere um ótimo estudo de caso da cobertura do Globo e a pena de morte, analisando as matérias sobre o assassinato de Liana. Atemporal e universal.