No
contexto da liberdade de expressão, acho que todos são livres para se
indignar contra o que quiserem e protestar como quiserem. E penso que
devemos acompanhar a política e nossos representantes em tudo. A charge
abaixo expõe algo que lamento: há muitas coisas acontecendo, que vão nos
impactar (ou já estão nos impactando) demais, com os responsáveis
claramente identificados e que sequer são incomodados.
Por quê?
Não se trata de defender o PT (até porque a arrogância do partido
sequer permite uma autocrítica, então cada um colhe o que planta), mas
de incentivar que ampliemos nossa fiscalização do poder e de nossos
direitos. (Em tempo: também não concordo com o tom do último quadrinho,
compartilho a charge só para ilustrar a presente argumentação.)
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quarta-feira, 6 de maio de 2015
Quando eu vejo a cidade batendo panelas
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segunda-feira, 7 de abril de 2008
A flama, a chama, e os inflamados chamam a atençãoAs Olimpíadas de Pequim são o mais constante alvo de protestos contra o desrespeito aos direitos humanos na China. A ameaça de boicote por parte de chefes de governo europeus, a manifestação dos Repórteres Sem Fronteiras (contra o desrespeito à liberdade de imprensa), e agora o apagão forçado da tocha.
A discussão da vez é se o esporte é um meio legítimo para manifestações do tipo. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nuzman, é contra o boicote, por considerar um prejuízo à carreira dos atletas que se preparam há anos para os Jogos.
O jogo EUA x Irã aconteceu na Copa de 2002 apesar do contexto político extremado entre os dois países. Se ali foi louvada a não-interferência dos fatores externos na esportividade, por que seria mais aceitável uma postura, fruto de atitude política, que traz conseqüências aos atletas - como um boicote?
O protesto dos atletas nas Olimpíadas de 1968, com as luvas pretas nas mãos, aconteceu com a prova já encerrada e os dois corredores já tendo ganhado a competição por seus méritos. Perderam as medalhas por causa disso. Justo ou não? A leitura geral dos organizadores do esporte é que a política não pode se misturar.
Mas o que parece motivar os manifestantes atuais é que, como qualquer outro país, a China estará capitalizando (em todos os sentidos) em cima do sucesso dos Jogos de Pequim, com toda a visibilidade planetária. E assim, questões não resolvidas (ou mal-resolvidas) como a violência no Tibet e o desrespeito aos direitos humanos serão solenemente ignoradas quando o mundo inteiro estará de olho na pujança chinesa.
Aliás, cada país assina um termo comprometendo-se a respeitar (ou resolver) várias questões humanitárias e sociais. Isso é sério? A China, pelo visto, não poderia então realizar os Jogos. É o money envolvido no globalizado e lucrativo esporte mundial...
Então, a lei que parece valer é: se o esporte denuncia os descaminhos políticos, não pode misturar. Mas se for pra aproveitar a mobilização e a simpatia mundiais que o esporte proporciona - e por tabela mascarar realidades - pode.
O importante é competir... com o quê?
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