As questões esportiva e administrativa estão misturadas
quando o assunto é Copa do Mundo 2014 ou Olimpíadas 2016. O problema é que nem os
empolgados nem os críticos separam as duas coisas na hora de cobrir, opinar,
torcer ou fazer oposição. E além disso patrulham uns aos outros, acusando-se
mutuamente de estarem do lado errado. Minha proposta é fazer uma abordagem
separada, sustentando que Copa e Olimpíadas vão ser um grande sucesso
esportivo, mas que administrativamente já começamos a pagar um alto preço, em
muitos sentidos.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Gêmeos não tão siameses
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domingo, 4 de outubro de 2009
A favor, sempre a favor. Será que ainda não entenderam?Vi que o presidente Lula, em coletiva de imprensa, criticou aqueles que sempre torcem contra, diante da vitória do Rio para as Olimpíadas de 2016. Quase me senti lisonjeado. Será que fui mencionado pelo chefe máximo da nação em um de seus pronunciamentos? Nada mais longe da verdade.
Até porque precisamos relativizar o advérbio "sempre". Se tudo leva a crer que a Copa 2014 e a Rio 2016 vão seguir o mesmo descalabro com o dinheiro público que se viu no Pan 2007 e em tantos outros eventos esportivos, sempre torcerei contra. A partir do momento que essa perspectiva mude, sempre torcerei a favor.
Então eu estaria torcendo para que os eventos acima sejam um desastre? Óbvio que não. Minha torcida era contra a escolha. Uma vez sacramentada, meu pragmatismo me impede de ficar chorando o leite derramado.
Qual o próximo passo, então? Detonar o ufanismo galvaobuenista e os bairrismos de ocasião (tem carioca achando que as críticas vêm de São Paulo, e desqualificando-as, vê se pode?) para fiscalizar o que vão fazer com o seu, o meu, o nosso dinheirinho. Aliás, por que os figurões que, ao serem assaltados ou coisa do tipo vociferam "Eu pago meus impostos, não posso aceitar um negócio desses!" ficam quietinhos ou entram no oba-oba em meio aos superfaturamentos incompetentes?
Por que o Governo não elaborou, junto com o projeto para a candidatura, uma Política Nacional para o Esporte, fazendo da Olimpíada o catalisador de um processo planejado? Nada disso. E lá vamos nós para mais um megaevento administrado por mentes pequenas e míopes, com alma de pilhagem.
Posto isso, reproduzo aqui as perguntas formuladas por André Monnerat em seu blog, que devem ser o mantra da imprensa e da população carioca (e brasileira, por que não?):
- Como pretendem dar transparência às contas da Olimpíada? Como será possível para nós, cidadãos, verificarmos quanto de nosso dinheiro está sendo gasto, como e por quem?
- Como pretendem esclarecer a população sobre o uso pós-Olímpico dos equipamentos esportivos que serão construídos?
- Como será a política esportiva do Estado brasileiro daqui pra frente? Seguirão na linha de dar dinheiro público a atletas de ponta, ou finalmente veremos investimento para usar o esporte como ferramenta de educação e saúde, na base, colocando-o no dia-a-dia das crianças na escola?
- E qual será o efetivo legado deixado no Rio de Janeiro?
As Olimpíadas vão ser benéficas para a imagem e o turismo do Rio de Janeiro, não há dúvida. Acredito que o evento será um sucesso, já que durante ele seus protagonistas são os atletas. Mas até lá devemos, com o perdão da expressão, pentelhar os donos do poder e das responsabilidades.
Assista a uma das melhores reportagens investigativas do ano:
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Eu não sou Galvão BuenoQuero as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.
Não quero as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.
Não sou incoerente, e posso provar. Sou brasileiro e tenho orgulho do meu país. Com todos os problemas que encontramos aqui, não sou daqueles que jogam no lixo tudo o que foi construído no que hoje se chama Brasil. Nem tampouco olho pra fora ansiando por ser igual a outro país, outra cultura - embora não abra mão das críticas internas, como já fiz neste blog.
Acho muito legal que o Brasil seja o país-sede da Copa 2014 - nada mais justo à nossa tradição futebolística. E também apóio a ideia do meu amado Rio de Janeiro sediar o encontro das nações por meio do esporte.
E eu gosto tanto do meu país e da minha cidade que não aceito que eles sirvam de pretexto para meia-dúzia de políticos e cartolas usarem mal e porcamente o dinheiro público. Pois os impostos que deveriam sustentar uma boa administração do cotidiano do país e da ex-capital federal vão-se embora em superfaturamentos e falta de organização e transparência.
Ora, não foi isso que vimos no Pan 2007? Não é isso que vemos, ano após ano, no Campeonato Brasileiro de futebol?
O que me irrita ainda mais é ser contado entre os traidores da pátria simplesmente porque não apóio os traidores da pátria. Porque não aceito sacanearem a boa vontade do povo brasileiro e suas intenções em ver grandes eventos aqui do lado de casa. E hoje isso significa ser contra a realização da Copa e das Olimpíadas, pois estão sendo gestadas da mesma maneira que o esporte é gerido no Brasil: por poucos, para poucos, com o dinheiro de muitos.
Portanto, não me peçam pra torcer pelo Rio no dia 2 de outubro (já que não adianta mais torcer contra o Brasil para a Copa). Ficarei na minha casa esperando, esperançosamente, ver os politicalhas de ocasião fazerem a cara de bunda dos narcisistas derrotados.
Embora reconheça que o Rio tem chances, por nunca ter havido uma Olimpíada na América do Sul e por ser o Rio. Obama estará lá na hora da decisão, mas não dá pra saber a quantas anda o lobby do carismático político, ainda mais na seara esportiva.
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