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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Não se pode elogiar mesmo...


Nada como um dia após o outro. Ontem, destaquei a primeira página do Globo como exemplo do que a imprensa deve ser, fiscalizando o poder em nome da sociedade, com responsabilidade.

Hoje, parece que o Globo voltou ao normal...

Seqüência de três fotos mostram o momento em que o assessor da presidência Marco Aurélio Garcia e um companheiro de trabalho comemoram a notícia de que o avião da teria um defeito, tirando Governo e órgãos de controle da aviação do papel de possíveis culpados pela tragédia. Não bastando, os dois fazem gestos bem conhecidos de todo brasileiro: o top, top, top, mandando tomar lá; e outro, dizendo que os inimigos se auto-fornicaram (copyright: LFV).

Primeiro: qual a necessidade de colocar essas fotos na primeira página? E mais: quais as conseqüências? Porque, para um povo ainda sensibilizado e revoltado com a tragédia, ver pessoas ligadas ao Governo Brasileiro com esse tipo de reação não ajuda em nada. Ao mesmo, tempo, nada informa. Ou melhor informarIA que eles ficaram felizes pela responsabilidade não ser deles.

Eu te pergunto: você reagiria diferente? Você, sendo um dos responsáveis pelo funcionamento da Nação e de seus espaços áereos, vê uma tragédia dessas acontecer. Cerca de 200 pessoas mortas. Ao se dar conta que você não foi responsável por isso - como estava sendo anunciado e suspeitado, com certa razão - você não ficaria aliviado?

(Não vou nem levar em consideração os gestos obscenos. Ficar discutindo isso é moralismo babaca que não vai nos levar a lugar algum.)

A edição da notícia induz o leitor a encarar a reação dos assessores como uma leviandade do Governo diante do drama das vítimas. O leitor pode pensar que estou defendendo o Governo com unhas e dentes. Na verdade, defendo um jornalismo responsável, queixa recorrente nessas queridas linhas blogueiras.

Outra questão é da visibilidade do canal de comunicação: já imaginou se o país inteiro flagrasse as piadas que você conta para os colegas de trabalho? O que pensaríamos de você, hein? Retirar do contexto privado uma conversa e transferi-la para um canal público traz sérias conseqüências, que devem ser muito bem pensadas antes de serem publicadas. Vide os grampos da PF, que ao serem vazados a torto e a direito transformaram alguns citados em culpados, e depois que nada é provado contra os mesmos fica a sensação da impunidade. Dessa vez, provocada pela falta de noção para levar as informações a público.

Bem disse meu colega Henrique, quase-profeta, comentando o post anterior: "Lessa,concordo com você, mas temos que manter o cuidado com a imprensa. Há uma grande companhia envolvida e até agora não foi demonstrado se o acidente foi provocado por problemas com a pista ou foi fruto de um erro humano. Esse é um excelente momento para bater nos órgãos federais que controlam a aviação, mas ainda não há provas de conexão entre os problemas de apagão aéreo e este trágico acidente".

Senão, top, top, top pra todos nós...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A gente precisa dessa imprensa


A capa do Globo de hoje denota o que vem a ser um jornalismo que o povo brasileiro tanto necessita: um fiscalizador responsável dos detentores do poder, em nome do interesse público, sem ignorar a verdade factual.

Quem me conhece (e que lê este blog) sabe que não morro de amores pelo referido jornal, ou pela atual imprensa brasileira. Mas, com justiça, preciso ressaltar quando eles acertam e fazem diferença (pra melhor) na sociedade.

Enumerar os milhões de órgãos "responsáveis" pela aviação brasileira e inquirir, em nome da população, quem vai resolver, de fato, o caos áereo após uma tragédia - mais uma - é dever da imprensa que tem voz. É bem melhor, mais maduro e mais útil do que simplesmente fomentar picuinhas políticas, histórias de alcova e Big Brothers Boçais.

A primeira página do Globo de hoje deve ser objeto de reflexão do próprio Globo e dos demais veículos, em nome dos anseios da população: queremos informação responsável, com credibilidade, humanizante em vez de mercadológica, necessária para nossa sobrevivência diária.

Que não precise cair outro avião para a imprensa redescobrir seu verdadeiro papel.