Correr a etapa Porto Maravilha do Circuito Rio Antigo no domingo passado foi um prenúncio. Conheci a nova-velha Praça Mauá e novamente, de relance, vi o Morro da Conceição logo ali, um dos lugares aonde nasceu o Rio de Janeiro. Outra dívida pessoal a ser paga um dia, pois nunca tinha ido - até então. Bota na conta do Mujica.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Morro da Conceição, enfim. Na volta, pipas
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sábado, 10 de outubro de 2015
Como antigamente
segunda-feira, 8 de março de 2010
Existe alguma relação entre as duas? Não sei se a ciência, que hoje anda com ares de religião fundamentalista, já se atreveu a dar seus pitacos na questão.
Só sei que, após mais uma boa corrida - daquelas em que a gente se sente melhor depois do esforço feito do que antes - o desejo de exercer a fé por meio da oração veio como bem súbito. Assim como a constatação da perspectiva renovada de crer no impossível aos homens.
Só sei que, após mais uma boa corrida - daquelas em que a gente se sente melhor depois do esforço feito do que antes - o desejo de exercer a fé por meio da oração veio como bem súbito. Assim como a constatação da perspectiva renovada de crer no impossível aos homens.
Teologicamente posso estar dando asas a uma sutil heresia: se a adrenalina disparada pelo organismo catalisa a fé, então o objeto do que cremos ficaria mais (ou menos) distante a partir de nossa própria biologia. Deus seria menos ou (mais) real de acordo com as reações químicas do corpo humano! Richard Dawkins me daria um beijo na testa depois disso.
Imagino o alpinista que, após vencer as alturas e chega ao pico do monte, olha soberano para o mundo abaixo e ao redor, seguro e orgulhoso do feito, e sente-se um pouco à imagem e semelhança de Deus. Assim como o jogador de futebol que dribla o time inteiro e carimba um golaço, sentindo-se, ainda que por um instante, um pouco acima dos mortais colegas de profissão. A fé que alarga os limites e os horizontes, que mostra às testemunhas e aos protagonistas que algo além é possível.
Porém pode ser com coisas mais simples. Me vejo correndo no Aterro do Flamengo por apenas dez minutos num bom ritmo, após uma noite mal dormida e um dia arrastado. E me sinto (verbo arriscado para se usar numa conversa sobre fé...) com maior liberdade de crer - não no sentido sociológico, mas no mais pueril possível. "Apesar dos apesares, creio. Então oro, e renovo a esperança, contra todas as circunstâncias". Volto a querer crer de maneira intensa, e a adrenalina é o resultado laboratorial do exame físico que testou, sem querer, minha fé. E revelou sua ilimitação.
"Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem". A definição bíblica sobre a fé poderia se aplicar, em certa medida, à adrenalina. Ela está em mim, tenho certeza disso após uma bela corrida, convictamente, mesmo sem vê-la. Coerentemente, a experiência é marcante, assim como a possibilidade de crer, sem medo de me extenuar.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
Por isso eu corro demaisAs tirinhas do Dilbert cumprem um papel importantíssimo em nossa sociedade, assim como o seriado The Office: satirizar as situações do cotidiano do mundo corporativo. As empresas é que começaram com essa história de distribuir seus empregados em baias, cada um com seu canto e seu computador, durante oito (ou mais) horas por dia.
Mas esse tipo de ambiente não se conteve nas empresas. Redações de jornal, vários setores prestadores de serviço, e até a velha repartição pública já se encontram modernizados - ao menos no layout do andar e no enfurnamento de seus funcionários.
Dilbert e The Office falam de inúmeras questões do mundo corporativo, mas muitas de suas piadas referem-se ao ambiente físico do trabalho, nessa convivência obrigatória, e obrigatoriamente civilizada, com tanta gente desconhecida tão perto de nós.
É muito estranho, em plena era da mobilidade tecnológica (e de um individualismo exacerbado) que sejamos obrigados a trabalhar como na época da revolução industrial do século XIX: todo mundo na sua mesinha, apertando seus variados tipos de parafusos, junto de todo mundo.
Então eu corro.
Calma, não saio desembestado do edifício, destrambelhado das ideias e de minhas necessidades socioeconômicas. Por três vezes na semana tenho o hábito de correr. E se em algum momento eu me desconecto da realidade, é enquanto dou minhas humildes passadas.
Sempre invejei aqueles que conseguem se desligar do seu ambiente de trabalho e das emoções vividas (ou trancafiadas) durante as oito horas. Pessoas que parecem desligar um botão ON/OFF que possuem no cérebro e que simplesmente só voltam a ligá-lo na manhã seguinte, assim que adentram o famigerado trabalho. Nunca consegui ser assim, até correr.
A inquietação com a obrigatoriedade de trabalhar num mesmo lugar, pelo mesmo espaço de tempo, todos os dias, me faz preferir o ônibus ao metrô, só para não me entocar em outro ambiente obrigatoriamente fechado. Não é fobia, é vontade de estar ao ar livre e com paisagem, só isso.
E quando corro me preocupo apenas com a passada certa, a respiração adequada, o gole d'água sem me encher demais, a vontade de chegar até o fim daquele percurso ao qual me propus a fazer.
Correr é uma atividade física recomendada pelos médicos, mas hoje percebo que esse é um objetivo secundário no meu hobby. Que na verdade não possui objetivo nenhum, somente obedecer as regras do frescobol: não há disputa, nem vencedores, nem vencidos. Corro sozinho, por correr e por agora perceber que é quando me desligo.
Correr é tudo o que não posso fazer em oito horas de escritório. Lá, tudo pede minha imobilidade: qualquer tarefa requer um computador, ou o seu ramal, ou apenas estar ali para que possam contar com você ao ver sua cabeça sobressaindo sobre a baia, mesmo sentado. Só saio dali para as salas de reunião, onde novamente ficarei sentado, parado.
Também não corro do escritório. Sei que ele tem a sua função e, até as relações (não os direitos) trabalhistas mudarem, não há muito o que divagar sobre o que eu poderia estar fazendo lá fora durante aquelas oito horas. Isso só me traz murmuração e me desarma de fazer do escri um lugar menos cinza. (Um dia penso em poder trabalhar de bermuda e fazer a sesta depois do almoço, mas isso é outra história.)
No entanto logo depois, ainda em pleno horário do rush, não estou no trânsito ou fazendo serão. Estou correndo, e totalmente desligado. Correndo porque quero, para onde quero, como eu quero, quando quero. Não é isso a liberdade?
Talvez aí esteja o segredo. Para mim, correr é a métafora perfeita para a liberdade, com seu gostinho de quero sempre que a torna incomparável. Daí desligo-me de todo o resto que não atenda a esse chamado libertário. E começo a entender porque, após uma exaustiva corrida, sinto-me mais leve e completamente renovado - das forças e das ideias.
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