Não sei quanto a você, mas me parece emblemática a cessão do terreno da quadra da Unidos da Tijuca, atual campeã do Carnaval carioca, para a construção de cinco (!) Trump Towers. Um popular reduto do samba vai dar lugar a um complexo corporativo do topetudo milionário. Assim tem caminhado o Rio de Janeiro. Se pelos idos de 1900 o prefeito Pereira Passos botou tudo abaixo pra
virarmos Paris, nosso alcaide atual prepara (ou vende?) o terreno pra
virarmos Nova York.
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
De Paris a Nova York
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terça-feira, 10 de abril de 2012
Dói
Deu no Globo de hoje: Eduardo Paes, prefeito do Rio, numa inauguração ao lado de um vereador irmão de miliciano. Na Zona Oeste, esse curral de votos que, para a classe média carioca, não faz parte da cidade. Na mesma hora lembrei do relato do fotógrafo do jornal O Dia torturado por milicianos. Reli. Chorei de novo. E me deu um asco gigante ao ver a autoridade maior da "Cidade Olímpica", por tabela, sendo conivente com o crime em nome de suas ambições políticas.
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
Está ao nosso alcance
É comum recebermos por email algum texto demonstrando os abusos que a classe política faz com o dinheiro de nossos impostos. Seja a corrupção impura e simples, os cabides de emprego, as ausências em plenário, o desperdício de verbas. A nós, muitas vezes só resta rosnar e lamentar.
Também ficamos incomodados quando "a mídia" não fala de determinados assuntos, devido aos mais diversos conflitos de interesse, facilitando o trabalho daqueles que preferem um cidadão ignorante, alienado e desinformado sobre as reais motivações de suas carreiras políticas.
Eu gostaria de lhe dizer que estamos a um clique de sair desse lugar de ignorância e de poder decifrar as reais intenções de nossos eleitos, a fim de cobrá-los melhor (ou não cair mais no discurso de alguns): é o site da Transparência Brasil.
Sabe o que você encontra lá? Muita coisa útil que os (maus) políticos não querem que você saiba.
Na seção Excelências, você acompanha o desempenho dos parlamentares: quem falta mais, para quais campanhas eles fizeram doações, quem é citado na Justiça ou no Tribunal de Contas, qual a origem de cada um deles, quem é concessionário de rádio e TV ou dono de escola. Enfim, ali vemos como se dá o conflito de interesses de cada parlamentar na hora dos temas a serem votados, e se estão honrando o mandato presencialmente.
A seção Deu no Jornal é um apanhado de tudo o que saiu em jornais do país sobre os parlamentares, principalmente as acusações que sofreram por desvios de conduta, tanto no mandato como na vida particular.
A seção Às Claras é crucial para desmascararmos os maus políticos: ali está, com todas as letras e valores, as doações que os eleitos receberam para suas campanhas eleitorais. Dá pra saber quem doou quanto e para qual candidato, sendo o doador empresa ou pessoa física. E entender se o eleito "deve favores" a seus financiadores, em vez de servir à população.
(Quer um exemplo? No Rio de Janeiro que sofre com a especulação imobiliária , o governador Sergio Cabral recebeu cerca de R$ 6 milhões de empreiteiras, construtoras e imobiliárias. Sem contar outras empresas que prestam serviços para esse ramo industrial.)
Se você quiser, na seção Meritíssimos ainda é possível acompanhar o ritmo de trabalho dos ministros do STF, cujas decisões afetam a vida política e nossa cidadania plena (vide o desenrolar da lei da Ficha Limpa, do Mensalão etc).
O site ainda possui uma ferramenta em que, a partir de um projeto de lei específico, você pode enviar uma mensagem a todos os deputados de determinado estado, de uma vez só.
Está tudo lá, para que não sejamos mais enganados pela propaganda eleitoral ou pelo silêncio dos que deviam fiscalizar os mandatos. Com o site www.transparencia.org.br, tudo é acessível a apenas um clique.
Munidos dessas informações, temos mais fundamentos para escrever ou ligar para aqueles em quem votamos e fazer uma cobrança contínua, para que não pensem que são intocáveis. Eles morrem de medo se dissermos que não votaremos mais neles na próxima eleição. Vá no site da Câmara ou do Senado, ou da Assembleia Legislativa de seu estado, da Câmara de Vereadores de sua cidade, e pegue o contato deles.
Ah, e muitos parlamentares já estão no Twitter também. Até de alguns cargos executivos, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes (@eduardopaes_).
A hora é essa: informe-se, cobre, chantageie com a perda do voto, canalize sua revolta e indignação para a pessoa e o lugar certo. É assim que vamos construir um Brasil melhor e mais decente.
| - Adoro eleitores desinformados e apáticos... |
Também ficamos incomodados quando "a mídia" não fala de determinados assuntos, devido aos mais diversos conflitos de interesse, facilitando o trabalho daqueles que preferem um cidadão ignorante, alienado e desinformado sobre as reais motivações de suas carreiras políticas.
Eu gostaria de lhe dizer que estamos a um clique de sair desse lugar de ignorância e de poder decifrar as reais intenções de nossos eleitos, a fim de cobrá-los melhor (ou não cair mais no discurso de alguns): é o site da Transparência Brasil.
Sabe o que você encontra lá? Muita coisa útil que os (maus) políticos não querem que você saiba.
Na seção Excelências, você acompanha o desempenho dos parlamentares: quem falta mais, para quais campanhas eles fizeram doações, quem é citado na Justiça ou no Tribunal de Contas, qual a origem de cada um deles, quem é concessionário de rádio e TV ou dono de escola. Enfim, ali vemos como se dá o conflito de interesses de cada parlamentar na hora dos temas a serem votados, e se estão honrando o mandato presencialmente.
A seção Deu no Jornal é um apanhado de tudo o que saiu em jornais do país sobre os parlamentares, principalmente as acusações que sofreram por desvios de conduta, tanto no mandato como na vida particular.
A seção Às Claras é crucial para desmascararmos os maus políticos: ali está, com todas as letras e valores, as doações que os eleitos receberam para suas campanhas eleitorais. Dá pra saber quem doou quanto e para qual candidato, sendo o doador empresa ou pessoa física. E entender se o eleito "deve favores" a seus financiadores, em vez de servir à população.
(Quer um exemplo? No Rio de Janeiro que sofre com a especulação imobiliária , o governador Sergio Cabral recebeu cerca de R$ 6 milhões de empreiteiras, construtoras e imobiliárias. Sem contar outras empresas que prestam serviços para esse ramo industrial.)
Se você quiser, na seção Meritíssimos ainda é possível acompanhar o ritmo de trabalho dos ministros do STF, cujas decisões afetam a vida política e nossa cidadania plena (vide o desenrolar da lei da Ficha Limpa, do Mensalão etc).
O site ainda possui uma ferramenta em que, a partir de um projeto de lei específico, você pode enviar uma mensagem a todos os deputados de determinado estado, de uma vez só.
Está tudo lá, para que não sejamos mais enganados pela propaganda eleitoral ou pelo silêncio dos que deviam fiscalizar os mandatos. Com o site www.transparencia.org.br, tudo é acessível a apenas um clique.
Munidos dessas informações, temos mais fundamentos para escrever ou ligar para aqueles em quem votamos e fazer uma cobrança contínua, para que não pensem que são intocáveis. Eles morrem de medo se dissermos que não votaremos mais neles na próxima eleição. Vá no site da Câmara ou do Senado, ou da Assembleia Legislativa de seu estado, da Câmara de Vereadores de sua cidade, e pegue o contato deles.
Ah, e muitos parlamentares já estão no Twitter também. Até de alguns cargos executivos, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes (@eduardopaes_).
A hora é essa: informe-se, cobre, chantageie com a perda do voto, canalize sua revolta e indignação para a pessoa e o lugar certo. É assim que vamos construir um Brasil melhor e mais decente.
| - Transparência??? |
| - Céus! |
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sábado, 4 de dezembro de 2010
A praia é pública, não é privada
O slogan é um chiste preciso e abrangente: mostra que não podemos esquecer que a praia é um bem público, e por isso não podemos tratá-la como se fôssemos os únicos a usá-la depois que formos embora.
Quem frequenta as praias do Rio sabe a importância dos postos de salvamento. Tanto para seu objetivo principal, com os guarda-vidas sempre a postos, como para o conforto dos banhistas. Ali também há banheiros e chuveiros.
Enquanto a Comlurb (companhia de limpeza urbana da Prefeitura) administrava os postos, ficavam sempre dois garis em cada posto. Regulavam a entrada dos usuários para não haver superlotação. Faziam todos passar pela catraca, permitindo que a administração saiba quantas pessoas usaram, facilitando até na fiscalização contábil (custa R$ 1,00 para usar o posto).
Os garis também só abriam os chuveiros quando as pessoas se posicionavam para tomar banho. Fechavam quando elas terminavam, evitando o desperdício e a falta d'água. E, seguindo o ofício, sempre mantinham o posto limpo, mesmo durante os dias movimentados.
Pois enquanto o choque de ordem fazia barulho pela cidade, a Prefeitura privatizou a administração dos postos da orla sem nenhum alarde. A empresa Orla Rio, que já tem a concessão dos quiosques, recebeu a dos postos, do Leme ao Pontal.
E o que se vê agora? Postos com água acabando antes do fim da tarde, por exemplo. O que dá pra entender quando você consegue usar um: não há mais nenhum cuidado. A pessoa designada pela Orla Rio apenas recebe o dinheiro. Todos vão entrando, com todos os chuveiros abertos ininterruptamente. Sem regulação e sem catraca, é um povaréu no cada-um-por-si dentro do posto.
E aí eu te pergunto: por que privatizar, se o serviço era bem feito pela prefeitura? Qual a lógica de piorar um bom serviço no cartão-postal da cidade? Sem contar que a Orla Rio, quando teve o contrato prorrogado, tinha uma dívida de R$ 1,5 milhão com a Prefeitura (*). Como uma empresa inadimplente pode ser apta para ganhar uma licitação do próprio credor?
A orla carioca é um patrimônio ecológico e cultural da cidade. É claro que o Rio de Janeiro não se resume às suas praias, todas na Zona Sul. Mas esse pequeno exemplo dos postos de salvamento mostra como pensa nosso prefeito. E o silêncio (ou assentimento) em torno do assunto mostra como a imprensa e boa parte da população estão anestesiadas quando o assunto é o interesse público.
(*) - Conforme reportagem da Veja Rio
A dona do nosso lazer
Esse foi o mote de uma campanha de educação dos banhistas que aconteceu há algum tempo no Rio de Janeiro. O cartaz contava com a imagem de um vaso sanitário recebendo o lixo que é jogado nas areias e no mar.
O slogan é um chiste preciso e abrangente: mostra que não podemos esquecer que a praia é um bem público, e por isso não podemos tratá-la como se fôssemos os únicos a usá-la depois que formos embora.
Infelizmente, o slogan permanece atual. Só que, além da atitude dos banhistas, ele diz respeito à mentalidade do poder público, da qual a gestão do Prefeito do Rio é apenas um dos expoentes. Tal situação também é um exemplo de como a lógica privatizante pode ser um tiro no pé da população - ao contrário do que e propagado por seus defensores.
Quem frequenta as praias do Rio sabe a importância dos postos de salvamento. Tanto para seu objetivo principal, com os guarda-vidas sempre a postos, como para o conforto dos banhistas. Ali também há banheiros e chuveiros.
Enquanto a Comlurb (companhia de limpeza urbana da Prefeitura) administrava os postos, ficavam sempre dois garis em cada posto. Regulavam a entrada dos usuários para não haver superlotação. Faziam todos passar pela catraca, permitindo que a administração saiba quantas pessoas usaram, facilitando até na fiscalização contábil (custa R$ 1,00 para usar o posto).
Os garis também só abriam os chuveiros quando as pessoas se posicionavam para tomar banho. Fechavam quando elas terminavam, evitando o desperdício e a falta d'água. E, seguindo o ofício, sempre mantinham o posto limpo, mesmo durante os dias movimentados.
Pois enquanto o choque de ordem fazia barulho pela cidade, a Prefeitura privatizou a administração dos postos da orla sem nenhum alarde. A empresa Orla Rio, que já tem a concessão dos quiosques, recebeu a dos postos, do Leme ao Pontal.
E o que se vê agora? Postos com água acabando antes do fim da tarde, por exemplo. O que dá pra entender quando você consegue usar um: não há mais nenhum cuidado. A pessoa designada pela Orla Rio apenas recebe o dinheiro. Todos vão entrando, com todos os chuveiros abertos ininterruptamente. Sem regulação e sem catraca, é um povaréu no cada-um-por-si dentro do posto.
Sem contar a sujeira. Nem sequer um rodo é passado no chão, ou a areia varrida. Quem quiser usar o chuveiro, tem que se aventurar na água suja antes de tirar a areia do corpo.
E aí eu te pergunto: por que privatizar, se o serviço era bem feito pela prefeitura? Qual a lógica de piorar um bom serviço no cartão-postal da cidade? Sem contar que a Orla Rio, quando teve o contrato prorrogado, tinha uma dívida de R$ 1,5 milhão com a Prefeitura (*). Como uma empresa inadimplente pode ser apta para ganhar uma licitação do próprio credor?
(*) - Conforme reportagem da Veja Rio
As aparências não enganam
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
A (des)ordem pública
Conto agora um episódio que pode ser emblemático sobre a tal da ordem pública que a Prefeitura do Rio declara resguardar com afinco. Testemunhando o zelo com que a gestão Eduardo Paes tem exterminado os "puxadinhos" do comércio (quando os restaurantes avançam sobre as calçadas para logo permanecerem ali eternamente), resolvi fazer minha parte como cidadão. Não moro no Leblon, mas quem sabe dá certo?
Perto da minha casa há o restaurante Conversa Fora, ideal para assistir a jogos do pay-per-view que não pago. Mas só pra isso, pois o serviço é ruim, o chope é aguado e o bolinho de "batatalhau" custa os olhos da cara. Não bastasse tudo isso, resolveram entrar na onda dos "puxadinhos".
Primeiro, o restaurante colocava cadeiras e mesas na calçada à noite, deixando apenas uma faixa menor para a passagem dos pedestres. Retiravam tudo de dia, permitindo que o espaço da esquina voltasse ao normal.
Até que um dia percebo um toldo branco, tal e qual um guarda-sol gigante, aparafusado no chão. Abaixo dele, e de maneira permanente, as mesas e cadeiras. É questão de tempo colocarem canteiros em volta, para deixar a ocupação ainda mais inevitável.
Inspirado pelo meu amado prefeito, resolvi ligar para a Secretaria de Ordem Pública, no telefone indicado no site:
- Guarda Municipal, bom dia. (A GM é que realiza operações contra os "puxadinhos" para a Secretaria)
- Oi, gostaria de denunciar um restaurante que está ocupando a calçada com mesas e cadeiras.
- A ação está acontecendo agora?
- Na verdade, já faz tempo que instalaram um toldo, com as mesas e cadeiras ficando na calçada de forma permanente.
- Ah, então o senhor deve ligar para a Administração Regional da Tijuca, para ver se o restaurante tem autorização para fazer isso. Nós só atuamos quando o estabelecimento não é autorizado e no momento em que está ocorrendo a ação.
Ligando para a Administração Regional:
- Olá, liguei para a Secretaria de Ordem Pública para denunciar um restaurante que estava ocupando mesas e cadeiras na calçada. Eles me orientaram a, antes de denunciar, ligar pra vocês pra saber se o estabelecimento tem autorização pra fazer isso.
- Ah, mas isso não é conosco. O senhor tem que ligar para o departamento de Licenciamento e Fiscalização. Eles é que podem te dar essa informação.
Persisti, querendo colaborar para a ordem de nossa cidade. Ligando para o departamento:
- Olá, liguei para a Secretaria de Ordem Pública para denunciar um restaurante que estava ocupando mesas e cadeiras na calçada. Eles me orientaram a ligar pra a Administração Regional pra saber se o estabelecimento tem autorização pra fazer isso antes de denunciar. A Administração falou que vocês dão essa informação.
- (Surpreso) Olha, nós não podemos dar essa informação pelo telefone...
- E como eu posso fazer essa denúncia? A Secretaria de Ordem Pública me disse que preciso saber dessa informação.
- O senhor pode ligar para a Ouvidoria ou pode vir aqui pessoalmente registrar o pedido.
- Ok, me dá o telefone da Ouvidoria...
- Só um minuto... Mas vem cá: onde é esse restaurante que o senhor está falando?
- Na esquina das ruas X e Y...
- Mas qual é o restaurante?
- Conversa Fora.
- Ah, eles têm autorização sim...
- Mas você acabou de me dizer que não pode dar esse tipo de informação pelo telefone!!
- (Sem graça, e desconversando) Peraí, vou dar o telefone da Ouvidoria...
No final das contas, mandei a foto do restaurante e um resumo do ocorrido para a coluna do Ancelmo Gois, na intenção de fazer barulho e ver se acontece alguma providência. Curioso é ver uma Prefeitura tão ciosa da ordem pública e instando os cariocas a fazer o mesmo, mas não estando preparada para fazer um simples atendimento telefônico de denúncia.
Mas se fosse no Leblon...
O Conversa Fora e a conversa fiada
Conto agora um episódio que pode ser emblemático sobre a tal da ordem pública que a Prefeitura do Rio declara resguardar com afinco. Testemunhando o zelo com que a gestão Eduardo Paes tem exterminado os "puxadinhos" do comércio (quando os restaurantes avançam sobre as calçadas para logo permanecerem ali eternamente), resolvi fazer minha parte como cidadão. Não moro no Leblon, mas quem sabe dá certo?
Perto da minha casa há o restaurante Conversa Fora, ideal para assistir a jogos do pay-per-view que não pago. Mas só pra isso, pois o serviço é ruim, o chope é aguado e o bolinho de "batatalhau" custa os olhos da cara. Não bastasse tudo isso, resolveram entrar na onda dos "puxadinhos".
Primeiro, o restaurante colocava cadeiras e mesas na calçada à noite, deixando apenas uma faixa menor para a passagem dos pedestres. Retiravam tudo de dia, permitindo que o espaço da esquina voltasse ao normal.
Até que um dia percebo um toldo branco, tal e qual um guarda-sol gigante, aparafusado no chão. Abaixo dele, e de maneira permanente, as mesas e cadeiras. É questão de tempo colocarem canteiros em volta, para deixar a ocupação ainda mais inevitável.
Inspirado pelo meu amado prefeito, resolvi ligar para a Secretaria de Ordem Pública, no telefone indicado no site:
- Guarda Municipal, bom dia. (A GM é que realiza operações contra os "puxadinhos" para a Secretaria)
- Oi, gostaria de denunciar um restaurante que está ocupando a calçada com mesas e cadeiras.
- A ação está acontecendo agora?
- Na verdade, já faz tempo que instalaram um toldo, com as mesas e cadeiras ficando na calçada de forma permanente.
- Ah, então o senhor deve ligar para a Administração Regional da Tijuca, para ver se o restaurante tem autorização para fazer isso. Nós só atuamos quando o estabelecimento não é autorizado e no momento em que está ocorrendo a ação.
Ligando para a Administração Regional:
- Olá, liguei para a Secretaria de Ordem Pública para denunciar um restaurante que estava ocupando mesas e cadeiras na calçada. Eles me orientaram a, antes de denunciar, ligar pra vocês pra saber se o estabelecimento tem autorização pra fazer isso.
- Ah, mas isso não é conosco. O senhor tem que ligar para o departamento de Licenciamento e Fiscalização. Eles é que podem te dar essa informação.
Persisti, querendo colaborar para a ordem de nossa cidade. Ligando para o departamento:
- Olá, liguei para a Secretaria de Ordem Pública para denunciar um restaurante que estava ocupando mesas e cadeiras na calçada. Eles me orientaram a ligar pra a Administração Regional pra saber se o estabelecimento tem autorização pra fazer isso antes de denunciar. A Administração falou que vocês dão essa informação.
- (Surpreso) Olha, nós não podemos dar essa informação pelo telefone...
- E como eu posso fazer essa denúncia? A Secretaria de Ordem Pública me disse que preciso saber dessa informação.
- O senhor pode ligar para a Ouvidoria ou pode vir aqui pessoalmente registrar o pedido.
- Ok, me dá o telefone da Ouvidoria...
- Só um minuto... Mas vem cá: onde é esse restaurante que o senhor está falando?
- Na esquina das ruas X e Y...
- Mas qual é o restaurante?
- Conversa Fora.
- Ah, eles têm autorização sim...
- Mas você acabou de me dizer que não pode dar esse tipo de informação pelo telefone!!
- (Sem graça, e desconversando) Peraí, vou dar o telefone da Ouvidoria...
No final das contas, mandei a foto do restaurante e um resumo do ocorrido para a coluna do Ancelmo Gois, na intenção de fazer barulho e ver se acontece alguma providência. Curioso é ver uma Prefeitura tão ciosa da ordem pública e instando os cariocas a fazer o mesmo, mas não estando preparada para fazer um simples atendimento telefônico de denúncia.
Mas se fosse no Leblon...
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Insensibilidade regular
Ultimamente tenho tentado não ser um cri-cri de plantão. Isto é, aqueles caras que fazem questão de ser críticos e retomam sempre os mesmos temas dos quais adoram falar, e de mau humor. Pessoas assim diminuem o valor da crítica em si, que é necessária para que os mais espertos não se aproveitem da indiferença dos demais.
Por outro lado, confesso que passo por momentos de grande ceticismo, principalmente em relação a nossos representantes políticos. Sinto-me sem opção para escolher alguém digno e que vá tentar dar um jeito no espírito colono que habita nossa gestão pública. Então, acabo por querer ficar quieto, pois qualquer crítica soaria como um cri-cri de plantão.
Mas as chuvas recentes do Rio de Janeiro foram o trampolim para que eu voltasse às figuras de Sergio Cabral e Eduardo Paes, governador e prefeito de onde moro. E é inevitável constatar que, em matéria de insensibilidade, os dois políticos bateram todos os recordes.
Diante do estado de sítio em que o Rio se tornou, o assunto que Cabral e Paes estão abordando a torto e a direito é a tal da ocupação irregular nos morros. Desses lugares estão surgindo a maioria dos mortos, devido a deslizamentos de terra.
Enquanto os cidadãos esperam, no mínimo, que os governantes mostrem o que tem sido feito na infraestrutura do Rio de Janeiro para que as chuvas não causem tantos estragos, os dois governantes condenam com veemência quem mora nos morros e quem ainda permanece neles após a tragédia. E aproveitam pra alfinetar os críticos de suas ideias de remoção/reassentamento de comunidades, acusando-os de demagogia.
Agora à noite uma amiga nos telefonou. Disse que viu um conhecido na TV e resolveu ligar pra ele. Descobriu que o tal conhecido perdeu seus dois filhos pequenos e a cunhada num deslizamento de terra. Ele mora num morro de Niterói.
Pois se já não bastasse a dor em dose tripla, esse cidadão ainda está sendo acusado, por seus próprios governantes, de ser o culpado pela morte dos filhos. Afinal, quem mandou morar numa área de risco? E por que ainda continua lá, por que não saiu de lá?
Eu fico pensando se alguém resolve morar no morro por escolha consciente. Pensa bem: você vai comprar apartamento, ou alugar mesmo, e checa as opções. O morro seria uma delas? Você escolheria morar num lugar onde o Estado não chegou, sabendo que terá que se virar sozinho pra tudo nessa vida? E se algo acontecer, você teria renda suficiente para, de repente, querer morar num lugar melhor e sem risco?
O medalhista olímpico Torben Grael, morador de um luxuoso condomínio em Niterói, também teve sua casa destruída pelo deslizamento. Assim como tantos outros, era morador de uma encosta, de um morro, de uma área de risco - mas devidamente legalizada pelos poderes constituintes. Cabral e Paes condenarão Torben Grael?
E Torben já decidiu que não volta mais pra lá, vai se mudar para outro lugar. Por que o pai que perdeu seus filhos não faz o mesmo?
O aspecto mais frio e cruel dessa história toda é que as palavras de Cabral e Paes parecem ser mais uma agulha no palheiro da insensibilidade que tomou conta de nosso tempo. Declarações como a deles deveriam causar um choque de ordem no status quo de seus mandatos, mas todos parecem estar anestesiados. A imprensa carioca, então, é um cordeirinho diante do governador e do prefeito.
No meio da chuva, me sinto um peixe fora d'água.
Ultimamente tenho tentado não ser um cri-cri de plantão. Isto é, aqueles caras que fazem questão de ser críticos e retomam sempre os mesmos temas dos quais adoram falar, e de mau humor. Pessoas assim diminuem o valor da crítica em si, que é necessária para que os mais espertos não se aproveitem da indiferença dos demais.
Por outro lado, confesso que passo por momentos de grande ceticismo, principalmente em relação a nossos representantes políticos. Sinto-me sem opção para escolher alguém digno e que vá tentar dar um jeito no espírito colono que habita nossa gestão pública. Então, acabo por querer ficar quieto, pois qualquer crítica soaria como um cri-cri de plantão.
Mas as chuvas recentes do Rio de Janeiro foram o trampolim para que eu voltasse às figuras de Sergio Cabral e Eduardo Paes, governador e prefeito de onde moro. E é inevitável constatar que, em matéria de insensibilidade, os dois políticos bateram todos os recordes.
Diante do estado de sítio em que o Rio se tornou, o assunto que Cabral e Paes estão abordando a torto e a direito é a tal da ocupação irregular nos morros. Desses lugares estão surgindo a maioria dos mortos, devido a deslizamentos de terra.
Enquanto os cidadãos esperam, no mínimo, que os governantes mostrem o que tem sido feito na infraestrutura do Rio de Janeiro para que as chuvas não causem tantos estragos, os dois governantes condenam com veemência quem mora nos morros e quem ainda permanece neles após a tragédia. E aproveitam pra alfinetar os críticos de suas ideias de remoção/reassentamento de comunidades, acusando-os de demagogia.
Agora à noite uma amiga nos telefonou. Disse que viu um conhecido na TV e resolveu ligar pra ele. Descobriu que o tal conhecido perdeu seus dois filhos pequenos e a cunhada num deslizamento de terra. Ele mora num morro de Niterói.
Pois se já não bastasse a dor em dose tripla, esse cidadão ainda está sendo acusado, por seus próprios governantes, de ser o culpado pela morte dos filhos. Afinal, quem mandou morar numa área de risco? E por que ainda continua lá, por que não saiu de lá?
Eu fico pensando se alguém resolve morar no morro por escolha consciente. Pensa bem: você vai comprar apartamento, ou alugar mesmo, e checa as opções. O morro seria uma delas? Você escolheria morar num lugar onde o Estado não chegou, sabendo que terá que se virar sozinho pra tudo nessa vida? E se algo acontecer, você teria renda suficiente para, de repente, querer morar num lugar melhor e sem risco?
O medalhista olímpico Torben Grael, morador de um luxuoso condomínio em Niterói, também teve sua casa destruída pelo deslizamento. Assim como tantos outros, era morador de uma encosta, de um morro, de uma área de risco - mas devidamente legalizada pelos poderes constituintes. Cabral e Paes condenarão Torben Grael?
E Torben já decidiu que não volta mais pra lá, vai se mudar para outro lugar. Por que o pai que perdeu seus filhos não faz o mesmo?
O aspecto mais frio e cruel dessa história toda é que as palavras de Cabral e Paes parecem ser mais uma agulha no palheiro da insensibilidade que tomou conta de nosso tempo. Declarações como a deles deveriam causar um choque de ordem no status quo de seus mandatos, mas todos parecem estar anestesiados. A imprensa carioca, então, é um cordeirinho diante do governador e do prefeito.
No meio da chuva, me sinto um peixe fora d'água.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Estamos cercados!No meio da entrevista ao Esporte Espetacular, o jogador Adriano diz à repórter: "Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a trazer". O atacante, que acaba de voltar ao Flamengo após oito anos na Itália, parece saber do que está falando. Ele saiu da favela de Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão (Rio de Janeiro) para ganhar o apelido de Imperador graças a seu futebol pelo mundo.
Sergio Cabral e Eduardo Paes, com a conivência de boa parte da imprensa carioca e atendendo aos principais anseios da classe média da cidade do Rio, começam a erguer os muros em volta das favelas. A justificativa para a ação, condenada por organismos respeitáveis como a Anistia Internacional, é para conter a devastação ambiental. Uma balela, já que os principais devastadores não são os moradores das comunidades.
Na entrevista, Adriano afirmou que ficou deprimido após a morte do pai e desgostoso pelo futebol. Abandonou seu clube na Itália e sumiu no Brasil por alguns dias. Foi à favela de Vila Cruzeiro, reencontrar família e amigos. A despeito de se acreditar nos motivos que o levaram lá, o atacante não esconde que é na favela onde ele se sente bem e à vontade, a despeito de todo o dinheiro que ganhou na vida.
Sergio Cabral e Eduardo Paes, "somando forças", dão vida a choques de ordem e ocupações de morros pela polícia, para trazer a paz (para o morro ou para a Zona Sul vizinha?). Conseguem emplacar na mídia suas justificativas fascistas, o que se percebe pelo vocabulário das matérias: "comunidades" voltaram a ser "favelas"; "moradores de rua" são de novo "mendigos", e por aí vai. A classe média que já esperava por isso se sacia, a que até então poderia estar indiferente começa a tomar partido do governo.
A provocação das torcidas rivais à torcida flamenguista quando o time rubro-negro leva um gol: "Silêncio na favela", surfando na onda pejorativa. Adriano reestreiou ontem pelo Flamengo, marcando um gol e o Maracanã lotado gritava "Festa na favela", matando na ironia a provocação mordaz.
Sergio Cabral e Eduardo Paes não devem gostar muito da exaltação à favela que Adriano faz (também ressaltada na entrevista ao programa esportivo). Mas deixa estar: é futebol, numa torcida de massa, não vai além disso. Nada que atrapalhe seus planos de "arianizar" a sociedade carioca trajando um impecável cinismo.
Mas o atacante rubro-negro, nas limitações que possui e até onde o espectro esportivo permite, contribui para que o discurso do carioca não ignore o óbvio: a favela não é um antro de marginais que merece ser extirpada (removida?) do mapa. Se outros brasileiros de renome e voz - como os jogadores de futebol, ou digníssimos formadores de opinião - mantivessem essa postura, talvez governantes como Sergio Cabral e Eduardo Paes se constrangessem um pouco antes de proferir seus planos cara-de-pau.
Só que a cooptação pelo discurso dos magnânimos líderes eleitos encontra eco e nenhuma oposição. Ou nenhuma oposição que tenha espaço e voz. Que vergonha de morar no Rio.
VEJA TAMBÉM: Protestos contra os muros
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
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Rodrigo Bethlem
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Em cima do muroO Secretário de Ordem Pública, Rodrigo Maria Zilda Bethlem, defendeu em artigo no Globo a construção de muros em volta de comunidades pobres a fim de reduzir a favelização e a consequente devastação ambiental do Rio de Janeiro. Até aí, nada de novo: nem na solução, nem na motivação excludente da proposta.
Curioso foi o argumento utilizado por Bethlem para defender a ideia (ou minimizar o buburinho?): acusa os críticos de hipocrisia, pois não consideram os muros de um condomínio de classe média como segregação, e sim proteção. Por que não veem os muros em volta das favelas da mesma forma?
Se alguém não vê os muros de condomínios como segregação é porque tem uma mentalidade muito estreita. Pergunte a um jovem de 18 anos, nascido e criado em condomínio, se ele conhece a cidade do Rio. Se sabe como se deslocar pra encontrar outros cidadãos de mesma naturalidade que ele. O condomínio, uma mini-cidade quase autônoma, não se integra com o resto da metrópole.
A grande diferença que Bethlem não vê (ou ignora) é que a decisão dos condomínios terem muros é tomada... pelos moradores! Que nunca tiveram problemas de serem donos de suas moradias, ou de pagar por elas e por seus respectivos terrenos. Vai igualar essa situação a dos favelados?
E outra: se o objetivo do muro em volta das comunidades é impedir a devastação ambiental, por que não se faz o mesmo na outra ponta? Todo mundo sabe que os novos condomínios da Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá estão destruindo áreas de preservação (já garantidas por lei!), e que todo o terreno é movediço. A Vila do Pan está afundando desde a época dos jogos!
Não quero tratar de maneira simplista o problema da moradia ou das favelas cariocas. Mas Rodrigo Betlhem e seu chefinho Duda Paes querem. E o fazem para atender a uma expectativa de boa parte da classe média e da especulação imobiliária. E porque não tem competência ou vontade política para pensar em algo diferente.
O artigo de Bethlem foi publicado na véspera da Páscoa. Prefiro acreditar no coelhinho do que nas boas intenções do ordeiro público.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
Pitacos políticosPopulista, eu?
Lula demitiu o presidente do Banco do Brasil devido aos juros altos aplicados pela instituição de economia mista (mezzo pública, mezzo S.A.). Engraçado... O BB se sente livre para aplicar esses juros diante da política do Banco Central, que regula o funcionamento das instituições financeiras.
E quem escolheu - e blindou - o presidente do Banco Central (foto), desde sempre associado a esse tipo de política? O Governo Lula. Que ironia, não?
***

Pequeno peixe (ou Peru)?
O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, foi condenado a 25 anos de prisão por "crimes contra a humanidade". E quais são eles? Assassinatos e seqüestros realizados na década de 90.
Qual seria a acusação para George W. Bush diante dos genocídios iraquianos plus Guantànamo? Crimes contra a galáxia?
***
Desemprego

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, apresentou o modelo da carteirinha de legalização dos camelôs da cidade. O crachá de identificação vem com uma foto do próprio e a legenda: "pipoqueiro". Ao lado, uma de Rodrigo Maria Zilda Bethlem, secretário de Ordem Pública, como "auxiliar".
A prefeitura quer tirar o emprego dos humoristas? Piada pronta assim é covardia!
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O carioca da gema está chocadoO que você pensaria ao anunciarem que seu bairro será alvo da "Operação Choque de Ordem"? Pois é isso que está dando alegria ao escrete carioca que começou este artigo. Rodrigo Betlhem, Secretário da Ordem Pública e filho da Maria Zilda, começou fazendo arte do jeito que sua torcida gosta. O "choque" nada mais é do que derrubar imóveis irregulares, apreender mercadorias de camelô (e/ou o próprio) e limpar as ruas (considerando que a população de rua, para os atuais governantes da capital, nada mais é do que lixo humano).
Um prédio no Recreio, que era irregular e seria domínio de uma milícia, foi demolido. Bom. Falta agora demolir os quartéis milicianos em Campo Grande, Santa Cruz, Jacarepaguá... Será que Duda Paes terá peito pra isso?
Uma vez mais temos um governo que, após eleito, só olha para a orla e assim agrada a quem iria incomodá-lo de maneira significativa. Os outros bairros só contam com os remendos de emendas legislativas, e assim a Prefeitura facilita a dependência de boa parte da população com os vereadores ligados a milícias, máfias e todo o tipo de clientelismo.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Engodo eleitoral - parte 2
Estava com a idéia na cabeça pra escrever sobre as novidades da prefeitura de Duda Paes mas Xico Vargas, do blog Ponte Aérea, foi mais rápido que eu. E tirou as palavras da minha boca:
Paes carrega mais santos do que velas
"A escolha de Francisco Manoel de Carvalho, o notório Chiquinho da Mangueira (foto), para a presidência da Suderj é o sinal mais forte até agora de que Eduardo Paes chegou ao altar com mais santos do que velas para acender.
O novo dono do Maraca - e de suas dúzias de placas de publicidade que enriqueceram tantos nomes importante do esporte e da política - é o mesmo personagem que pediu refresco da PM no combate aos traficantes da favela da Mangueira. Danou-se, na época, o coronel que denunciou o escândalo.
Não fosse suficiente isso, ainda se poderia acrescentar que a nomeação do moço resgata dívidas do novo prefeito com o que há de mais atrasado, para dizer o mínimo, na política fluminense. Não estranhe, querido leitor, se daqui a pouco começar a ouvir a voz do casal Garotinho, momentaneamente enxotado para o extremo Norte do Rio de Janeiro. São grandes os intere$$es do PMDB na administração do estado e da capital."
Obrigado, eleitores de Eduardo Paes!!!!
Estava com a idéia na cabeça pra escrever sobre as novidades da prefeitura de Duda Paes mas Xico Vargas, do blog Ponte Aérea, foi mais rápido que eu. E tirou as palavras da minha boca:
Paes carrega mais santos do que velas
"A escolha de Francisco Manoel de Carvalho, o notório Chiquinho da Mangueira (foto), para a presidência da Suderj é o sinal mais forte até agora de que Eduardo Paes chegou ao altar com mais santos do que velas para acender.

O novo dono do Maraca - e de suas dúzias de placas de publicidade que enriqueceram tantos nomes importante do esporte e da política - é o mesmo personagem que pediu refresco da PM no combate aos traficantes da favela da Mangueira. Danou-se, na época, o coronel que denunciou o escândalo.
Não fosse suficiente isso, ainda se poderia acrescentar que a nomeação do moço resgata dívidas do novo prefeito com o que há de mais atrasado, para dizer o mínimo, na política fluminense. Não estranhe, querido leitor, se daqui a pouco começar a ouvir a voz do casal Garotinho, momentaneamente enxotado para o extremo Norte do Rio de Janeiro. São grandes os intere$$es do PMDB na administração do estado e da capital."
Obrigado, eleitores de Eduardo Paes!!!!
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Engodo eleitoral - parte 1
Nem bem assumiu a Prefeitura e Eduardo Paes já descumpriu uma das promessas de campanha, que era não aceitar indicação política para os cargos do secretariado. Ok, Duda só acatou a idéia após Gabeira fazer sucesso com ela desde o princípio. Mas acatou. E agora, um verdadeiro desacato à autoridade - no caso, dele mesmo.
Fora isso, Duda também acusou Gabeira de, ao receber apoio de Cesar Maia, fazer com que o prefeito "saia por uma porta e entre por outra" no novo governo.
Pois Duda escolheu Ruy Cesar Miranda para a Secretaria Especial Copa do Mundo e Olimpíadas 2016. Quem é Ruy Cesar? Ele cuidou do Pan 2007 (carro chefe do terceiro governo de Cesar Maia) e até junho era secretário do prefeito.
O cinismo volta à tona, escancarado. E vem mais por aí...
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domingo, 26 de outubro de 2008
O prefeito da metade

A foto mostra o eleitor mais feliz de Eduardo Paes, o que viu todos os seus esforços (lícitos ou não) recompensados ao final do pleito. Agora, os governos do Estado e da Prefeitura do Rio de Janeiro estarão unidos.
Para a metade que elegeu Paes por pouco, depois não reclamem se os interesses políticos de Sergio Cabral e Duda forem mais importantes do que as urgências da população. Ambos são nomes fortes para as eleições de 2010 (Cabral talvez vice de uma chapa presidencial, Paes possível nome para o governo do Estado).
Não reclamem também se Paes governar para os que já são bem favorecidos: se a passagem do ônibus aumentar sem muita justificativa, em prol da máfia dos donos de linhas, ou se apenas a Zona Sul tiver a atenção devida por um prefeito.
Fiquem quietinhos também se correligionários envolvidos com milícias e outros delitos (e arrebanhadores de votos) forem deixados em paz por Paes (ops!), como tantos no PMDB. E não finjam surpresa se ele escolher secretários a partir de indicação política, pois essa idéia Duda só resolveu abandonar após o sétimo debate, uma vez que Gabeira tinha ganhado simpatia do eleitor ao martelar o tema (não aceitar indicações) desde o primeiro confronto dos dois.
Se faltar criatividade, se as soluções para a valorização da cultura carioca como um todo forem frias e técnicas, não chiem. Eduardo Paes sabe o que faz, desde que faça do jeito que sempre fez: tecnicamente. Se preferiram um síndico, não adianta reclamar do preço do condomínio.
E eu, que faço parte da minoria derrotada, vou dormir em paz. Com a sensação intocável de não ter desperdiçado meu voto.
ATUALIZAÇÃO: Na verdade, as expectativas políticas de Cabral para 2010 estão na reeleição, e não numa vaga pra vice. Sendo que Eduardo Paes seria um grande cabo eleitoral.
E não estou só no voto a Gabeira: Ricardo Noblat resumiu bem o que pensa a outra metade do Rio de Janeiro.
Ah, e aqui estão as promessas de Paes, pra serem cobradas por todos os cidadãos cariocas.

A foto mostra o eleitor mais feliz de Eduardo Paes, o que viu todos os seus esforços (lícitos ou não) recompensados ao final do pleito. Agora, os governos do Estado e da Prefeitura do Rio de Janeiro estarão unidos.
Para a metade que elegeu Paes por pouco, depois não reclamem se os interesses políticos de Sergio Cabral e Duda forem mais importantes do que as urgências da população. Ambos são nomes fortes para as eleições de 2010 (Cabral talvez vice de uma chapa presidencial, Paes possível nome para o governo do Estado).
Não reclamem também se Paes governar para os que já são bem favorecidos: se a passagem do ônibus aumentar sem muita justificativa, em prol da máfia dos donos de linhas, ou se apenas a Zona Sul tiver a atenção devida por um prefeito.
Fiquem quietinhos também se correligionários envolvidos com milícias e outros delitos (e arrebanhadores de votos) forem deixados em paz por Paes (ops!), como tantos no PMDB. E não finjam surpresa se ele escolher secretários a partir de indicação política, pois essa idéia Duda só resolveu abandonar após o sétimo debate, uma vez que Gabeira tinha ganhado simpatia do eleitor ao martelar o tema (não aceitar indicações) desde o primeiro confronto dos dois.
Se faltar criatividade, se as soluções para a valorização da cultura carioca como um todo forem frias e técnicas, não chiem. Eduardo Paes sabe o que faz, desde que faça do jeito que sempre fez: tecnicamente. Se preferiram um síndico, não adianta reclamar do preço do condomínio.
E eu, que faço parte da minoria derrotada, vou dormir em paz. Com a sensação intocável de não ter desperdiçado meu voto.
ATUALIZAÇÃO: Na verdade, as expectativas políticas de Cabral para 2010 estão na reeleição, e não numa vaga pra vice. Sendo que Eduardo Paes seria um grande cabo eleitoral.
E não estou só no voto a Gabeira: Ricardo Noblat resumiu bem o que pensa a outra metade do Rio de Janeiro.
Ah, e aqui estão as promessas de Paes, pra serem cobradas por todos os cidadãos cariocas.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Os candidatos a prefeito do Rio
Eduardo Paes começou sua carreira política com o nome de Duda Paes. Foi subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá na primeira gestão de Cesar Maia na Prefeitura do Rio. Era um dos jovens treinados pelo prefeito para seguir no mesmo estilo do chefe: essencialmente técnicos, com os partidos servindo apenas para conseguirem se eleger. Seu perfil administrativo e sem ideologia definida conquistou muitos eleitores.
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Quem é Eduardo Paes?
Eduardo Paes começou sua carreira política com o nome de Duda Paes. Foi subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá na primeira gestão de Cesar Maia na Prefeitura do Rio. Era um dos jovens treinados pelo prefeito para seguir no mesmo estilo do chefe: essencialmente técnicos, com os partidos servindo apenas para conseguirem se eleger. Seu perfil administrativo e sem ideologia definida conquistou muitos eleitores.Paes tem a mesma expressão ao abordar qualquer assunto (quem viu os debates na TV reparou). Seu sorriso ao falar de alguma boa notícia da campanha é o mesmo da foto das propagandas e do dia de seu casamento (conforme foto publicada no Globo). O tom de voz não muda.
Seria apoiado por Cesar Maia nas eleições de agora, mas viu que o futuro estava em Sergio Cabral, que começava a ascender na política ao virar senador e favorito para o governo do Estado. Paes se desfiliou do PSDB debaixo de guerra interna e entrou no PMDB com clima igual, pois Cabral queria combater a influência de Garotinho.
Agora, Paes tem o discurso de que é aliado dos governos estadual e federal, e que assim a população teria mais chance de ser atendida nos serviços públicos. Ora, os governos têm obrigação de servir à população. Aceitar o raciocínio de Paes é chancelar uma maneira de administrar nada técnica, pois favorece o personalismo. Chega a ser chantagem eleitoral - "não votem no outro, pois vocês serão culpados de sua própria desgraça mais tarde".
Se Paes assumiu e desfez compromissos com vários partidos sem nunca dar explicações à população, por que confiar que não fará o mesmo após assumir a Prefeitura? Nem mesmo a carta de desculpas a Lula (que, há 2 anos, foi chamado por Paes de "chefe da quadrilha") foi exposta ao público. Se não há transparência antes, por que haveria depois?
Logo, não voto em Paes por uma questão muito simples, dadas as circunstâncias: falta de confiança, por mais capacitado que o candidato seja.
Quem é Fernando Gabeira?
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Gabeira participou da luta armada contra a ditadura (embora tenha exagerado muito o seu papel no seqüestro do embaixador americano), já defendeu a legalização da maconha e tem fama de homossexual, embora casado. Esses argumentos estão sempre nas entrelinhas da rejeição do eleitor a Gabeira.
Bom, a ditadura acabou, ele já foi condecorado por ter evoluído na discussão sobre a maconha (inclusive desconsiderando a legalização) pelo Governo Lula, que apóia Paes. E escolhas pessoais só cabem a Gabeira, desde que elas não interfiram na sua vida política (pois o mandato é público). Além do mais, nenhuma dessas questões podem ser levadas em conta, pois o cargo a ser disputado é de prefeito, que precisa administrar uma cidade.
Aos 67 anos e com uma vida política consolidada, por que arriscar tudo isso num incerto futuro como prefeito do Rio? Se ele não se preocupasse com a cidade, não valeria a pena correr esse risco para sua biografia, no caso de má administração. Além disso, ao contrário de Paes, Gabeira não tem como almejar outros cargos públicos maiores - seu nome não é viável para governador ou presidente, por exemplo.
Já Eduardo Paes é o típico político profissional: um carreirista (como Cesar Maia, como Sergio Cabral) que está sempre visando o próximo degrau, enquanto garante funções com visibilidade - como a presidência da Suderj, que administra o Maracanã, ou a prefeitura do Rio. Que relação com a cidade um sujeito desses teria?
Gabeira saiu do PV e foi para o PT. Depois, voltou para o PV. No entanto, foi para o partido de Lula antes da eleição e saiu enquanto era governo (Paes nunca mudou para ficar na oposição), e explicou isso no Congresso Nacional, com transmissão ao vivo pela TV. Ou seja, prestou contas ao público de sua mudança.
Gabeira tinha causas e se viu com a necessidade de entrar na política para defendê-las. Paes primeiro entrou na política para depois ter causas (e interesses) a defender.
Gabeira recebeu o apoio de Cesar Maia, é fato. Mas se um poste se candidatasse contra Paes receberia apoio do prefeito, devido ao narrado no terceiro parágrafo. Além do mais, desde 1992 o Rio de Janeiro tem uma prefeitura essencialmente técnica - que é o perfil de Paes! A cultura, o esporte, o turismo, o serviço público: para os técnicos, tudo isso é estatística e custos. Será que uma cidade como o Rio, capital cultural, referência mundial do Brasil, merece uma gestão tão apequenada e simplista?
Gabeira colocou no programa de governo não aceitar indicações políticas para sua administração, enquanto Paes só mencionou o assunto após o sexto debate. O candidato do Partido Verde disse que não ia sujar as ruas, o que é um revés e tanto: sua cara e seu número não estariam o tempo todo aparecendo para o eleitor. Cumpriu sua promessa, mesmo assim. Pra que cumprir promessas antes mesmo da eleição, com o risco de estar em desvantagem na disputa?
Logo, voto em Gabeira por uma questão muito simples, dadas as circunstâncias: confiança. E o sentimento de que a minha cidade merece muito mais do que um mero síndico.
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