quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pitacos políticos

Populista, eu?

Lula demitiu o presidente do Banco do Brasil devido aos juros altos aplicados pela instituição de economia mista (mezzo pública, mezzo S.A.). Engraçado... O BB se sente livre para aplicar esses juros diante da política do Banco Central, que regula o funcionamento das instituições financeiras.

E quem escolheu - e blindou - o presidente do Banco Central (foto), desde sempre associado a esse tipo de política? O Governo Lula. Que ironia, não?


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Pequeno peixe (ou Peru)?

O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, foi condenado a 25 anos de prisão por "crimes contra a humanidade". E quais são eles? Assassinatos e seqüestros realizados na década de 90.

Qual seria a acusação para George W. Bush diante dos genocídios iraquianos plus Guantànamo? Crimes contra a galáxia?


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Desemprego

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, apresentou o modelo da carteirinha de legalização dos camelôs da cidade. O crachá de identificação vem com uma foto do próprio e a legenda: "pipoqueiro". Ao lado, uma de Rodrigo Maria Zilda Bethlem, secretário de Ordem Pública, como "auxiliar".

A prefeitura quer tirar o emprego dos humoristas? Piada pronta assim é covardia!

terça-feira, 7 de abril de 2009

terça-feira, 31 de março de 2009

Cidadãos?


Se fosse possível medir um "quociente de ingenuidade", eu gostaria de conhecer o meu. Talvez isso explique por que fiquei tão chocado com algo aparentemente normal. Ou não?

Assisti ao excelente Cidadão Boilesen, no festival de documentários É tudo verdade. O filme resgata a trajetória de Henning Boilesen, dinarmaquês naturalizado brasileiro e ex-presidente da Ultragaz. O empresário, idealizador do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), liderou seus pares no financiamento da ditadura brasileira (cujo golpe fez aniversário ontem, 1o. de abril). Particularmente a Operação Bandeirantes, que caçou subversivos em São Paulo.

Boilesen ficou famoso por seu sadismo ao assistir sessões de tortura e até mesmo trazer aparelhos do exterior para a prática. A "pianola Boilesen", espécie de instrumento com teclado que dá choques intermitentes (e que pôde ser visto no filme Batismo de Sangue) já diz tudo.

O documentário ouve historiadores, militares, ex-militantes, ex-ministros do governo militar, políticos e até mesmo Henning Boilesen Junior. São muitos pontos de vista e farta documentação dos arquivos da CIA (já liberados para consulta, ao contrário dos arquivos da ditadura brasileira) que confirmam a cruel dubiedade de Boilesen.


O empresário foi assassinado (ou justiçado, como dizem os ex-militantes de esquerda) em 1971. Seu carro foi fechado, ele levou um tiro de fuzil, saiu correndo baleado, levou outros cinco tiros pelas costas e caiu com o rosto na sarjeta, ao lado do meio-fio. Tudo isso é narrado pelo filme com fotos e recursos de animação, sem escatologia.

No momento em que o narrador mencionou que "Boilesen, já ao chão, levou 25 tiros na cabeça", duas fileiras do cinema começaram a aplaudir.

Não uma ou duas pessoas, mas quase vinte. Não começaram a aplaudir ao ser anunciada a morte do empresário, mas quando o narrador informava que Boilesen levou 25 tiros na cabeça.

A partir daí, comecei a me perguntar sobre meu "quociente de ingenuidade". Porque o primeiro sentimento, a primeira ideia que me veio foi: "vocês são iguaizinhos a ele".

Depois desse primeiro momento vem a crítica mental/social e tenta justificar/censurar tal sentimento. "O homem foi um sádico, fez coisas tão cruéis ou piores do que 25 tiros na cabeça de alguém. Como é que eu posso igualar um cara desses àqueles que aplaudiram? Será que não sofreram na ditadura, ou perderam alguém? Será que eles devem ser condenados por aplaudirem e se regozijarem com a destruição de um mega-vilão da vida real?".

Antonio Carlos Fom, um dos ex-militantes de esquerda perseguidos, verbaliza sua auto-censura durante seu depoimento para o filme: "É complicado a gente, hoje, dizer que se alegrou com a morte de alguém. Mas naquela época podemos dizer que ficamos felizes com a morte do Boilesen".

Só que as pessoas no cinema não aplaudiram a notícia da morte, mas o requinte dos 25 tiros na cabeça do empresário já moribundo. E aplaudiram em 2009, não em 1971.

Sou ingênuo em ficar chocado com tais aplausos? Ou em igualá-los a Boilesen?

Documentários como Hércules 56 (e outros depoimentos de Cidadão Boilesen) contextualizam a ação da luta armada contra a ditadura. Franklin Martins e Daniel Aarão Reis, hoje, não consideram que foi a melhor opção de militância - e olha que eles seqüestraram o embaixador dos EUA e conseguiram libertar presos políticos. No documentário de ontem, depoimentos de exilados mostram que a democracia no Brasil não existia, e não havia caminho diferente da luta armada para os que ousavam contestar o regime com veemência.

Mas os aplausos me transpuseram aos tempos horrendos. Será que essas pessoas aplaudem tratamento igual aos criminosos de nosso tempo? Se assim for, por que militantes padeceram em nome dos direitos humanos, se quando chega a vez dos "homens de bem" eles tem o mesmo sentimento dos torturadores?

Talvez alguns dos que aplaudiram leiam estas linhas e me acusem de reacionário ou insensível. Corro esse risco, mas hipócrita não serei. Confesso qual foi meu primeiro sentimento arrepiante ao presenciar os aplausos a 25 tiros na cabeça de um quase-morto, seja quem for. É tudo verdade.

Solidarizar-se com as vítimas da violência não é ter orgasmos com violência igual. É aproveitar a oportunidade para promover a paz, o entendimento e a superação de estigmas. O que é muito superior ao olho por olho, dente por dente.

ATUALIZAÇÃO EM 10/04/09: o filme venceu o prêmio de melhor documentário brasileiro.

sexta-feira, 20 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

O legado de Clodovil

Muito se pode falar sobre Clodovil Hernandez, folclórico estilista e apresentador de TV que faleceu ontem, aos 71 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC).

O que vale a pena ficar na memória como o legado de Clodovil, acredite se quiser, é o seu mandato como deputado federal.

O blogueiro fala sério. É só conferir esse post pra entender o que digo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Einstein foi superado


Em cerimônia amistosa, José Sarney repassa o cargo de Presidente da República a Fernando Collor de Mello, eleito no 2º turno das eleições de 1989.

Não, a legenda não é essa. Mas poderia ser.

Não, os personagens em questão não estão mortos ou no ostracismo político.

Sim, Collor sofreu um impeachment há 17 anos.

Sim, Sarney não conseguiu se eleger senador por seu próprio estado, o Maranhão. Teve que seguir para o Amapá.

A legenda correta (adaptada por este blogueiro) é:

O senador José Sarney (PMDB-AP), reeleito presidente do Senado Federal, e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), recém-empossado presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado.

Albert Einstein morreu sem conseguir provar sua teoria sobre a possibilidade da viagem no tempo.

Foi superado pelo sistema político brasileiro e pelos eleitores do país.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Só por uma noite

Foi quanto durou minha leve sensação do que é ser uma pessoa solitária. Nem tive a pretensão de fazer uma experiência antropológica. A amada esposa viajou por uma semana e, desde que casamos, foi a primeira vez que cheguei em casa sem ela a me esperar ou prestes a chegar. Ela, por sua vez, já tinha passado por experiência semelhante devido a alguns cursos que precisei fazer em - argh! - São Paulo.

Durante a semana são dias de labuta: contato com colegas de trabalho, envolvimento em projetos que me enlaçam até o pescoço e chegada em casa para um lanche, um video-game, um Seinfeld, uma leiturinha pré-sono e cama. O sábado, durante o dia, não é tão diferente: em vez de compromissos com terceiros, são comigo mesmo: compras a fazer, horas de lazer, visita à vovó e logo, logo já passam das seis da tarde.

Mas e à noite? Sábado à noite sem a amada? Mesmo o filminho do Telecine, que vem a calhar a três (eu, ela e o home theather) fica tremendamente insosso. Cinema? Coisa de maluco: ingresso no dia mais caro para se aborrecer com os que fazem da sala de projeção um boteco animado. E todos os amigos próximos também são bem casados, não serei um separador de amores logo no sábado à noite.

Então me percebi à beira da janela de meu apartamento sem nada para fazer. Àquela hora, não cabia ligar para qualquer pessoa. TV, DVD e afins não me seduziam. Livros e revistas bem antes de dormir? Nhá. Porém, não me sentia entediado. Ora, então que sensação era aquela?

Solidão.

No entanto não era aquela solidão brusca, que é atalho para depressão e coisas do tipo (afinal, estamos falando de uma noite apenas). O sentimento foi se confirmando pela idéia que tive a seguir e que vim a concretizar: ir a um barzinho com 2 livros a tiracolo para ler. Por que lá? Por serem lugares cheios de gente e, mesmo estando sozinho à mesa, sentir que não estava sozinho. Definitivamente, solidão.

E lá fiquei por uma hora, petiscando e bebericando sozinho, em companhia apenas de um livro (ótimo, por sinal. Tanto que o outro ficou esquecido). Sendo absolutamente honesto com os queridos leitores, confesso que fiquei na ingênua expectativa de ser encontrado por alguém conhecido. Repare no tempo verbal: ser encontrado, não encontrar alguém.

Foi ficando mais tarde, e veio a hora da conta. Paguei, e agora? Lá veio a angústia da solidão de novo: então já acabou? Só resta voltar para o apartamento de sempre e ficar, de fato, sozinho, sem os subterfúgios sociais do barzinho? É isso mesmo, meu chapa.

Assim foi minha breve sensação solitária. Nem me arrisco a pensar como seria viver assim, e imediatamente senti-me como Drummond: meu coração não é maior que o mundo, é muito menor. E, no momento em que escrevo essas linhas, o essencial músculo é pequeno demais para conter todas as pessoas do planeta que são, na real, categorica e cotidianamente solitárias.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O alter ego que nós queríamos














São muitas as semelhanças: ambos fazem parte de minorias que sofrem preconceito em seus países; tais minorias também são caracterizadas por terem os menores salários, e só são maioria quando o assunto é pobreza. Diante disso, ambos foram cercados de grandes expectativas quando a chance de vencerem uma eleição presidencial parecia possível; e ambos possuem grande carisma perante as massas. Sim, o negro filho de imigrantes Obama e o ex-metalúrgico e nordestino Lula possuem muito em comum.

As condições em que foram eleitos também foram parecidas: a rejeição do povo a seus antecessores diretos era grande, e a insatisfação social era muita. Não à toa, uma palavra foi crucial nos seus motes de campanha e no início de governo: nos EUA, "Change: yes, we can" foi o slogan do ano; em Brasília, 2003, "Mudança." foi a primeira frase do discurso de posse.

Parece leviano querer comparar um presidente que está na metade do segundo mandato a um recém-empossado? Ainda mais com sistemas de governo (bipartidarismo prático versus pluripartidarismo quase anárquico etc) e países tão diferentes quanto à sua influência mundial? Não se tratarmos dos gestos dos primeiros dias de governo.

Na primeira canetada, Obama decretou um prazo para o fechamento da prisão de Guantánamo e o cumprimento da Convenção de Genebra. Também limitou os salários de sua equipe de governo, em meio a uma crise financeira na qual a população está perdendo emprego e renda. Além disso, proibiu que funcionários públicos recebessem qualquer tipo de presente, inibindo o lobby (que nos EUA é tão enraizado que é profissão regulamentada).

Muito Obama ainda pode fazer. Porém em dois dias de governo já sinalizou muita coisa. Para a linha dura antiterror, que o mundo não é tão simplista a ponto de se desfazer de conquistas do passado, como os direitos humanos e as liberdades individuais; como todo líder que busca credibilidade por meio da coerência, deu o exemplo sendo sensível ao contexto econômico; e bateu de frente com um segmento poderoso da sociedade estadunidense, que não raro ameaça a democracia.

Se Lula, em seus primeiros dias (ou até meses de governo) aproveitasse a maciça popularidade e tomasse decisões que confirmassem a expectativa nele colocada, poderíamos ter um país talvez não tão refém da governabilidade - que só existe honrando os clientelismos de sempre. Ou ao menos, a sensação inicial de que a vontade política era à altura da história de Lula e do PT e que as coisas de fato seriam diferentes.

Mas logo de cara Lula chamou o PMDB para o governo, enviou a Reforma da Previdência para o Congresso (e não a Reforma Política) e não mudou em um milímetro o financismo das políticas econômicas. E Obama não olhou apenas para a economia na hora de tomar decisões que, além de práticas, são simbólicas e midiáticas (mas com eco social).

Pode-se dizer que o Brasil não passava pela crise que os EUA passam (a inflação estava controlada), e que Obama só está podendo muito graças ao desserviço público de George W. Bush. A sensação de "pior, não pode ficar" que o povo norte-americano passa seria o "lastro" para Obama não ter receio de cumprir promessas de campanha.

Mas por quantas crises o Brasil já passou? Quantos escândalos na esfera política e de má condução governamental já testemunhamos? Será que, apesar da estabilidade econômica, Lula não teria encontrado um país que anseava por mais, muito mais do que tinha conseguido até então? E que só ele, mais ninguém, poderia ser o líder capaz de começar um radical (mas não irresponsável) processo de mudança na postura e na visão de quem governa nosso país?

Perguntas, perguntas, especulações, especulações... Ainda assim, atire a primeira pedra quem não está sentindo uma dorzinha-de-cotovelo ao saber das notícias da America.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Engenheiro, dentista, jornalista, ser humano...


Fazendo hora para o filme começar no Espaço de Cinema, em Botafogo, dirigi-me ao balcão que oferece vários prospectos gratuitos. Peguei um sobre oficinas de escrita, outro que era um vale-ingresso para um documentário e outro sobre o bloco de carnaval da Preta Gil. Não os escolhi aleatoriamente: para cada um, pensei em uma pessoa específica que gostaria muito de saber do conteúdo daqueles prospectos (ok, o da Preta Gil eu peguei só pra sacanear mesmo).

É inevitável: existe algum mecanismo dentro de mim que sempre identifica automaticamente quem gostaria (ou teria muito a ver) com aquele prospecto, aquele livro, aquele CD, aquele DVD, aquele qualquer coisa. Vejo sim, o que me interessa. Mas também fico interessado em levar aquilo a quem vai se interessar muito mais do que eu.

É um processo que, ao menos no primeiro momento (aquele momento em que as idéias, ainda na sala de parto, não levaram o tapa da razão e da nossa personalidade), não faz distinção dos possíveis beneficiários. Já me flagrei pensando: "Esse livro tem tudo a ver com Fulano de Tal, ele vai gostar" e logo em seguida lembrar que Fulano de Tal é um especialista em me atormentar o juízo.

Tal mecanismo parece ter alguma relação com a "economia da dádiva", conceito elaborado por Marcel Mauss que conheço superficialmente. Segundo a Wikipedia (ambiente mais do que apropriado para falar sobre o conceito), nesse sistema é assim:

"presentes ou serviços que se apresentariam à primeira vista na forma de ofertas voluntárias fazem parte de uma organização que torna a reciprocidade uma obrigação. É importante ressaltar que não há equivalência, mas sempre ofertas cada vez maiores, num pacto onde um dos indivíduos sempre está em dívida com outro."

Algo parecido saiu da boca de ninguém menos que Jesus Cristo, conforme narra o evangelho de Lucas, capítulo 6, verso 38:

"Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também."

Correndo o risco de parecer demagógico, não penso em reciprocidade quando o tal mecanismo é acionado. Realmente me sinto bem se fizer chegar às mãos de outra pessoa algo que vai ao encontro do momento e das expectativas dela. Isso vale para presentes e para informações, que quando chegam em boa hora é como gole de água fresca no calor.

Observando o mecanismo reparo que minha grande alegria é fazer pontes. É registrar a necessidade de alguém, sentir a memória acessando-a no exato momento em que a solução correspondente aparece e ir correndo ao tal alguém pra dar as boas novas. Dever cumprido, eu sossego.

Fazer pontes: isso é coisa de engenheiro. Ou dentista. Profissões que eu nunca exerceria. Não deixa de ser coisa de jornalista também (ufa!). Mas eu nunca aprendi ou apreendi o tal mecanismo em qualquer faculdade. Apenas constatei. Parafraseando Chico Buarque, só sei que vou prosseguir, tijolo por tijolo num desenho lógico (ou mágico) contruindo minhas Golden Gates.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O carioca da gema está chocado

Barra da Tijuca; São Conrado, Recreio dos Bandeirantes, Leblon, Ipanema, Copacabana (Botafogo); Flamengo (Largo do Machado), Glória e Laranjeiras; Tijuca e Centro. É com esse time que praticamente todo prefeito eleito joga seu mandato (porque o candidato a prefeito ainda flerta com a Zona Norte e a Zona "Curral de Votos" Oeste). Não foi diferente com Duda Paes.

O que você pensaria ao anunciarem que seu bairro será alvo da "Operação Choque de Ordem"? Pois é isso que está dando alegria ao escrete carioca que começou este artigo. Rodrigo Betlhem, Secretário da Ordem Pública e filho da Maria Zilda, começou fazendo arte do jeito que sua torcida gosta. O "choque" nada mais é do que derrubar imóveis irregulares, apreender mercadorias de camelô (e/ou o próprio) e limpar as ruas (considerando que a população de rua, para os atuais governantes da capital, nada mais é do que lixo humano).

Bethlem afirma que a Prefeitura não vai sair dos locais "chocados" até o problema estar resolvido. A princípio, duvidei que o governo municipal tenha mão-de-obra pra estar presente por um bom tempo em todos os lugares afetados. Mas como os demais bairros do Rio não devem ter a mesma atenção (lembrai-vos do escrete), até acredito que tal promessa será cumprida.

Um prédio no Recreio, que era irregular e seria domínio de uma milícia, foi demolido. Bom. Falta agora demolir os quartéis milicianos em Campo Grande, Santa Cruz, Jacarepaguá... Será que Duda Paes terá peito pra isso?

O que acontecerá com os moradores do prédio posto abaixo? Os ambulantes removidos terão chance de ser regularizados? Haverá abrigos suficientes para toda a população de rua? São perguntas que a Prefeitura do Rio não responde, até porque a imprensa carioca (que influenciou tanto o novo governo a ponto da "ordem" ter sido palavra de ordem no Globo) não se interessa em fazê-las.

Uma vez mais temos um governo que, após eleito, só olha para a orla e assim agrada a quem iria incomodá-lo de maneira significativa. Os outros bairros só contam com os remendos de emendas legislativas, e assim a Prefeitura facilita a dependência de boa parte da população com os vereadores ligados a milícias, máfias e todo o tipo de clientelismo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Uma sala de estar convidativa

(Foto: Carolina Lessa)

Será necessária mesmo uma apresentação sobre quem é Luis Fernando Verissimo? O escritor gaúcho de crônicas bem-humoradas e críticas sobre todo o tipo de situação, com uma das melhores vendagens de livros no Brasil, é uma pessoa super acessível. Já deu entrevistas para além dos grandes jornais, e agora marca presença dupla no Lessa27 e no Futebol Racional, falando de temas diferentes. A conversa começou por e-mail e terminou na casa do filho de Verissimo, em Ipanema. Acompanhe o bate-papo sobre cultura geral:

Você tem saudade dos seus tempos de jornalista? Por quê?

Jornalista eu ainda sou. Tenho saudade do convivio na redação. Trabalhar em casa é mais comodo mas menos estimulante.

Você sempre planeja escrever com humor ou depois que escreve é que você percebe?

Sempre procuro fazer um texto atraente e, dependendo do assunto, bem humorado.

Como é a sua relação com Machado de Assis, que há mais de 100 anos era alguém que escrevia com muito humor?

Na verdade eu não li muito Machado de Assis, li aqueles livros que todo mundo leu: Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Memorial de Aires, não foi muito mais do que isso. Lia muitas crônicas também. Machado usava muito a ironia, o que é uma constante dos nossos cronistas, todos eles escreviam com certo humor.

Você acha que o humor é uma característica dos escritores brasileiros?

Eu acho que é uma característica brasileira. Esse gosto pela crônica é uma característica brasileira também. Nós tivemos grandes escritores que nunca fizeram outra coisa além de crônica: Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Antonio Maria, Stanislaw Ponte Preta. Eu acho que é uma coisa brasileira, não tenho notícia de algo assim em outro lugar.

Há algum tempo existia uma tradição de cronistas na imprensa brasileira. Você ainda tem um espaço, João Ubaldo Ribeiro também. Mas são poucos. O que você acha que mudou no espaço da crônica, que nos jornais de antes era maior, havia mais gente e hoje dá-se preferência às crônicas opinativas do que a crônica que conta uma história?

Eu acho que a crônica como gênero literário, como construção literária, mudou bastante. Hoje não se tem mais a crônica como um espaço de leitura prazeirosa num jornal, ou numa revista. É mais opinião, sobre atualidade e política, e acho que não há ninguém que faça como Rubem Braga, por exemplo.

Você imagina por que houve essa mudança?

Não sei, não tenho nenhuma tese sobre o assunto. Talvez a vida tenha se tornado tão difícil, tão competitiva, que as pessoas não têm mais tempo para o puro prazer de ler uma boa crônica sobre uma coisa lírica, bonita, a crônica pela crônica. Esperam sempre uma atualidade da crônica.

Você já disse que gosta de assistir Seinfeld. Por quê?

Gosto do texto inteligente e da interatividade dos personagens principais, os quatro muito bem interpretados.

Você acha que um blogueiro pode ser considerado escritor? Por quê?

Acho que não é o veículo que determina se o cara é escritor ou não. Num blog ou em outro lugar, o que interessa é o texto.

Como surgiu a idéia de fazer cartuns?

Eu sempre gostei muito de quadrinhos e cartuns e quando comecei a ter um espaço assinado no jornal, e quando faltava tempo ou inspiração para o texto, apelava para o desenho.

Família Brasil, Cobras, Dora Avante, Velhinha de Taubaté, Analista de Bagé... Há algum outro personagem a caminho?

Não, mas nunca se sabe.

Quais são suas expectativas políticas para o país? O pragmatismo venceu o idealismo (qualquer um)?

Acho que quando se escrever sobre este tempo no futuro duas coisas vão intrigar os historiadores: o ódio ao Lula e a paixão pelo Lula, as duas coisas desmedidas e um pouco irracionais. Na sucessão do Lula elas vão ser determinantes, não sei para que lado. Me parece que o Lula está fazendo um governo mais pragmático do que ideológico.

Você acha que as ideologias chegaram a um ponto em que ficaram inócuas? Isto é, a ideologia pode ser bonita e inspiradora mas, quando chega ao governo, é incapaz de virar ação de governo, políticas públicas?

Eu acho que o Governo Lula foi uma decepção para a esquerda, por não fazer um governo exatamente de esquerda, e ao mesmo tempo decepcionou para a direita, porque não foi um desastre completo. Na verdade, o poder não muda tanto ao mudar a política, ou o governo. Os donos do poder, como diria Raymundo Faoro, são os mesmos: o poder do dinheiro, do capital financeiro... Essa crise do capitalismo que estamos passando agora, que exageradamente é chamada de terminal, talvez cause algumas mudanças.

Há algum tempo ficou famoso o seminário “O silêncio dos intelectuais”. Diante desse quadro político do qual falamos, você consegue ver um papel diferente dos intelectuais na política e na relação com a sociedade?

Eu acho que o papel do intelectual é ajudar a sociedade a se entender, a se pensar. O papel dele é definir o que está acontecendo, mas não que isso signifique que ele vá ter interferência nos rumos do que vai acontecer. Mas ele é uma maneira da sociedade se compreender.

Como tem sido a experiência de ser avô? Vai desaguar na sua produção literária?

Já escrevi sobre a neta mas não pretendo transformá-la em assunto. São coisas que têm um significado sentimental óbvio para a gente mas não devem interessar muito aos outros.

Você já deu muitas entrevistas. Existe alguma coisa que você gostaria de ter respondido mas não te perguntaram? Se existir, pode responder agora...

Ainda não me perguntaram que tamanho eu calço. E sabe que eu não sei?

Veja também Verissimo falando sobre futebol

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Engodo eleitoral - parte 2

Estava com a idéia na cabeça pra escrever sobre as novidades da prefeitura de Duda Paes mas Xico Vargas, do blog Ponte Aérea, foi mais rápido que eu. E tirou as palavras da minha boca:

Paes carrega mais santos do que velas

"A escolha de Francisco Manoel de Carvalho, o notório Chiquinho da Mangueira (foto), para a presidência da Suderj é o sinal mais forte até agora de que Eduardo Paes chegou ao altar com mais santos do que velas para acender.

O novo dono do Maraca - e de suas dúzias de placas de publicidade que enriqueceram tantos nomes importante do esporte e da política - é o mesmo personagem que pediu refresco da PM no combate aos traficantes da favela da Mangueira. Danou-se, na época, o coronel que denunciou o escândalo.

Não fosse suficiente isso, ainda se poderia acrescentar que a nomeação do moço resgata dívidas do novo prefeito com o que há de mais atrasado, para dizer o mínimo, na política fluminense. Não estranhe, querido leitor, se daqui a pouco começar a ouvir a voz do casal Garotinho, momentaneamente enxotado para o extremo Norte do Rio de Janeiro. São grandes os intere$$es do PMDB na administração do estado e da capital."

Obrigado, eleitores de Eduardo Paes!!!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Podia ter saído na Piauí...

Escrevi a matéria abaixo e mandei como colaboaração para a seção "Esquinas", da revista Piauí, em agosto de 2007. Infelizmente, não foi publicada. Mas resolvi disponibilizá-la no Lessa27 e, por que não?, colocá-la no hall de entrevistas do blog.


Protestantismo em série
Tarzan e Homer Simpson professam Calvino e processam a FOX

Homer Simpson é protestante. Freqüenta a igreja aos domingos, tem a Bíblia como regra de fé e prática, e orienta-se pela ortodoxia calvinista. Tem noção de quem o ouve e o admira. Tem noção de que, quando fala, possui aprovação quase unânime. Ao ser passado pra trás, fez questão de ser ainda mais protestante. Há alguns meses protesta contra a FOX, a casa que o convidou para entrar há 18 anos. Nada disso foi levado em consideração quando Homer alcançaria o seu momento máximo. Na verdade, para muitos, Homer Simpson ficou mudo. Waldyr Sant’anna, o dublador que melhor encarnava o espírito do personagem do desenho de Matt Groening, usando somente suas cordas vocais, foi tirado da produção do filme e do seriado dos Simpsons, após entrar em litígio com a FOX. Ah, e Waldyr é presbiteriano.

A produtora e distribuidora de filmes norte-americana lançou as temporadas em DVD da série, mas não pagou os devidos direitos a Waldyr. Ele não teve escolha senão entrar na justiça contra a FOX, que por sua vez tirou o dublador do filme, que é considerado um dos arrasa-quarteirões do ano em bilheteria. Waldyr já tinha gravado o trailer e os teasers do filme, disponíveis no YouTube dois meses antes da estréia.

“Os Simpsons – o filme” é um dos poucos lançamentos internacionais que chegam aos cinemas brasileiros com muito mais cópias dubladas do que legendadas. Não apenas por ser desenho animado, mas também porque boa parte dos fãs prefere as vozes em português. E muito desse sucesso deve-se à voz de Homer, isto é, de Waldyr. Por esses acasos que enriquecem reportagens pelo mundo (inclusive esta), um detalhe: Waldyr não era o indicado para o papel. “Quando vieram escolher as vozes brasileiras dos Simpsons eu dirigia filmes para a VTI Network, uma empresa do ramo de dublagem, e uma senhora da FOX americana, após ter percorrido alguns estúdios em São Paulo testando vozes, veio ao Rio, para o mesmo trabalho, chegando até a VTI”, explicou Waldyr em entrevista antiga, disponível na internet. Por determinação da empresa, ele acompanhou a visita da dita senhora, e por falar inglês transmitia aos atores aquilo que ela pretendia extrair deles em termos artísticos, traçando um pouco do perfil de cada personagem. “Num determinado momento um ator que fazia o teste para o Homer não havia acertado a inflexão de voz, e eu fui mostrar a ele a maneira mais adequada ao perfil do Homer, não bastando a voz grave , mas sim falar como se tivesse um ovo na boca”. Ela gostou do som que Waldyr fez, e na mesma hora gritou: “That’s it, you are Homer Simpson! You are perfect! Ok, it’s enough for me, you are the Homer! ( É isso , você é o Homer. É perfeito. Para mim já basta, Você é o Homer)”.

Desde então, Waldyr continuou dublando outros desenhos, mas era só você ouvir o narrador de Sheep na Cidade Grande, parar o trânsito e gritar: “É o Homer!”. Mas Waldyr se mostrou versátil: ele já dublava Eddie Murphy em “Um tira da pesada”, com uma voz bem diferente de Homer, por exemplo. Desde 1958 Waldyr faz dublagens – “fiz os Tarzans todos” – e ele aproveita o assunto do litígio para chamar a atenção para o poder dos telespectadores contra as distribuidoras e suas imposições. “O que a FOX fez não foi apenas uma agressão a mim, mas a toda a classe de dubladores. E quem faz o sucesso de qualquer programa de TV é o seu público, que é um público consumidor daquele produto”. Alguns parecem ter entendido o recado, pois caçaram as cópias legendadas de “Os Simpsons – o filme” só por não ser a voz de Waldyr nas dubladas. Pessoas que ainda nem ouviram a nova voz, ou seja, não chegaram sequer a comparar, pois para eles Homer é Waldyr, Waldyr é Homer. No “Oscar da Dublagem”, realizado anualmente, foi só ele aparecer no palco para a platéia berrar “Homer! Homer! Homer!”. Em retribuição, ele saúda a todos com a voz de...

Waldyr é presbiteriano, uma das denominações mais tradicionais da igreja protestante no mundo. Embora more na Urca, freqüenta a Igreja Presbiteriana da Tijuca. Seu rosto é de uma morenice quase indiana, e o sorriso é aberto com dentes que, de fato, parecem desenhados. Ao atender ao telefone, nunca diz alô, e sim “Diga!”, num timbre de voz que já lembra o de Homer. Ele explica que o fato da família Simpson ser protestante o ajudou a se adaptar ao seriado. Mas e as críticas ácidas à religião? Ele não se incomoda, acha que “eles satirizam situações, sem outra intenção a não ser a de transformá-las meramente em sátiras”. O que pareceu incomodar Waldyr, mesmo, foi o episódio em que os Simpsons vêm ao Rio de Janeiro. Perguntado se ainda dublava Homer na época, ele responde, seco: “Felizmente, não”. A polêmica antes da exibição no Brasil foi tamanha que a FOX, antes de transmitir o fatídico episódio, exibiu outros três em que os Simpsons visitavam África, Austrália e Japão, com sarcasmo afiado. Nos intervalos, um comunicado oficial da FOX dizia que a responsabilidade pelo conteúdo era da turma de Matt Groening, criador da série. No episódio do Brasil, os Simpsons vêm ao Rio e Homer é seqüestrado por um táxi pirata, uma apresentadora de programa infantil é sexy demais para crianças e Bart é engolido por uma cobra numa floresta amazônica ao lado do Pão de Açúcar. “Amazônia no Rio é demais!”, devem ter pensado as autoridades do setor de turismo.

Carlos Alberto, o dublador escolhido para o filme (e para o seriado), parece bom, mas depois de um tempo, o espectador parece cansar da voz, que em alguns momentos esganiça. Com Waldyr não era assim, a piada era metade do roteirista e metade do dublador. A opinião dele sobre o substituto: “excelente pessoa e um bom profissional aprovado e escolhido pela FOX”. E o filme, assistiu? “Não."

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Engenhoso!

Foi um daqueles dias em que eu, despreocupadamente, resolvi alugar um documentário para assistir. Há muitos na minha galeria dos "não-alugados", e o filme sobre a vida do escritor José Lins do Rêgo foi o escolhido da vez. Para quem nunca leu nada de sua obra é uma convocação a mergulhar no mundo do menino de engenho.

Vladimir Carvalho, um dos melhores documentaristas brasileiros, é do estilo em que o entrevistador (no caso, ele) aparece no filme, fazendo com que cada entrevista seja automaticamente convertida em conversa fraterna e espontânea. Até o ambiente do lugar Vladimir consegue captar nas filmagens, sem prejudicar os objetivos de sua pesquisa sobre Zé Lins.

As alterações de humor, a relação com a memória pessoal e familiar, a desenvoltura nas letras a partir do encontro com Gilberto Freyre e a obsessão pelo Flamengo estão relatadas. E muitas histórias e observações de seus amigos e contemporâneos, demonstrando como a obra de Zé Lins é melancolicamente autobiográfica.

Nada se compara ao depoimento longo de Thiago de Melo, grande amigo do escritor e que esteve com ele nas horas finais, no hospital. A capacidade do poeta em descrever os acontecimentos, alternando tragédia e comédia, e sempre deixando à tona sua sensibilidade perante o drama de Zé Lins é de comover qualquer um.

O engenho de Zé Lins é da galeria dos documentários nacionais que revela parte da história e da cultura brasileiras por meio de seu objeto de pesquisa - no caso, sujeito de pesquisa: José Lins do Rêgo, paraibano, flamenguista, romancista que marcou a literatura. Méritos a Vladimir Carvalho por nos permitir o acesso a tanto conhecimento sobre nosso Brasil.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008


Engodo eleitoral - parte 1


Nem bem assumiu a Prefeitura e Eduardo Paes já descumpriu uma das promessas de campanha, que era não aceitar indicação política para os cargos do secretariado. Ok, Duda só acatou a idéia após Gabeira fazer sucesso com ela desde o princípio. Mas acatou. E agora, um verdadeiro desacato à autoridade - no caso, dele mesmo.

Fora isso, Duda também acusou Gabeira de, ao receber apoio de Cesar Maia, fazer com que o prefeito "saia por uma porta e entre por outra" no novo governo.

Pois Duda escolheu Ruy Cesar Miranda para a Secretaria Especial Copa do Mundo e Olimpíadas 2016. Quem é Ruy Cesar? Ele cuidou do Pan 2007 (carro chefe do terceiro governo de Cesar Maia) e até junho era secretário do prefeito.

O cinismo volta à tona, escancarado. E vem mais por aí...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Chico Caruso rules!


Da esquerda para a direita: Aécio Neves e Paulo Lacerda (prefeito de BH); Cabral e Paes; Serra e Kassab (prefeito de SP); e Lula e Luiz Marinho (prefeito de São Bernardo do Campo).

domingo, 26 de outubro de 2008

O prefeito da metade


A foto mostra o eleitor mais feliz de Eduardo Paes, o que viu todos os seus esforços (lícitos ou não) recompensados ao final do pleito. Agora, os governos do Estado e da Prefeitura do Rio de Janeiro estarão unidos.

Para a metade que elegeu Paes por pouco, depois não reclamem se os interesses políticos de Sergio Cabral e Duda forem mais importantes do que as urgências da população. Ambos são nomes fortes para as eleições de 2010 (Cabral talvez vice de uma chapa presidencial, Paes possível nome para o governo do Estado).

Não reclamem também se Paes governar para os que já são bem favorecidos: se a passagem do ônibus aumentar sem muita justificativa, em prol da máfia dos donos de linhas, ou se apenas a Zona Sul tiver a atenção devida por um prefeito.

Fiquem quietinhos também se correligionários envolvidos com milícias e outros delitos (e arrebanhadores de votos) forem deixados em paz por Paes (ops!), como tantos no PMDB. E não finjam surpresa se ele escolher secretários a partir de indicação política, pois essa idéia Duda só resolveu abandonar após o sétimo debate, uma vez que Gabeira tinha ganhado simpatia do eleitor ao martelar o tema (não aceitar indicações) desde o primeiro confronto dos dois.

Se faltar criatividade, se as soluções para a valorização da cultura carioca como um todo forem frias e técnicas, não chiem. Eduardo Paes sabe o que faz, desde que faça do jeito que sempre fez: tecnicamente. Se preferiram um síndico, não adianta reclamar do preço do condomínio.

E eu, que faço parte da minoria derrotada, vou dormir em paz. Com a sensação intocável de não ter desperdiçado meu voto.

ATUALIZAÇÃO: Na verdade, as expectativas políticas de Cabral para 2010 estão na reeleição, e não numa vaga pra vice. Sendo que Eduardo Paes seria um grande cabo eleitoral.

E não estou só no voto a Gabeira: Ricardo Noblat resumiu bem o que pensa a outra metade do Rio de Janeiro.

Ah, e aqui estão as promessas de Paes, pra serem cobradas por todos os cidadãos cariocas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os candidatos a prefeito do Rio

Quem é Eduardo Paes?

Eduardo Paes começou sua carreira política com o nome de Duda Paes. Foi subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá na primeira gestão de Cesar Maia na Prefeitura do Rio. Era um dos jovens treinados pelo prefeito para seguir no mesmo estilo do chefe: essencialmente técnicos, com os partidos servindo apenas para conseguirem se eleger. Seu perfil administrativo e sem ideologia definida conquistou muitos eleitores.

Paes tem a mesma expressão ao abordar qualquer assunto (quem viu os debates na TV reparou). Seu sorriso ao falar de alguma boa notícia da campanha é o mesmo da foto das propagandas e do dia de seu casamento (conforme foto publicada no Globo). O tom de voz não muda.

Seria apoiado por Cesar Maia nas eleições de agora, mas viu que o futuro estava em Sergio Cabral, que começava a ascender na política ao virar senador e favorito para o governo do Estado. Paes se desfiliou do PSDB debaixo de guerra interna e entrou no PMDB com clima igual, pois Cabral queria combater a influência de Garotinho.

Agora, Paes tem o discurso de que é aliado dos governos estadual e federal, e que assim a população teria mais chance de ser atendida nos serviços públicos. Ora, os governos têm obrigação de servir à população. Aceitar o raciocínio de Paes é chancelar uma maneira de administrar nada técnica, pois favorece o personalismo. Chega a ser chantagem eleitoral - "não votem no outro, pois vocês serão culpados de sua própria desgraça mais tarde".

Se Paes assumiu e desfez compromissos com vários partidos sem nunca dar explicações à população, por que confiar que não fará o mesmo após assumir a Prefeitura? Nem mesmo a carta de desculpas a Lula (que, há 2 anos, foi chamado por Paes de "chefe da quadrilha") foi exposta ao público. Se não há transparência antes, por que haveria depois?

Logo, não voto em Paes por uma questão muito simples, dadas as circunstâncias: falta de confiança, por mais capacitado que o candidato seja.


Quem é Fernando Gabeira?

Gabeira participou da luta armada contra a ditadura (embora tenha exagerado muito o seu papel no seqüestro do embaixador americano), já defendeu a legalização da maconha e tem fama de homossexual, embora casado. Esses argumentos estão sempre nas entrelinhas da rejeição do eleitor a Gabeira.

Bom, a ditadura acabou, ele já foi condecorado por ter evoluído na discussão sobre a maconha (inclusive desconsiderando a legalização) pelo Governo Lula, que apóia Paes. E escolhas pessoais só cabem a Gabeira, desde que elas não interfiram na sua vida política (pois o mandato é público). Além do mais, nenhuma dessas questões podem ser levadas em conta, pois o cargo a ser disputado é de prefeito, que precisa administrar uma cidade.

Aos 67 anos e com uma vida política consolidada, por que arriscar tudo isso num incerto futuro como prefeito do Rio? Se ele não se preocupasse com a cidade, não valeria a pena correr esse risco para sua biografia, no caso de má administração. Além disso, ao contrário de Paes, Gabeira não tem como almejar outros cargos públicos maiores - seu nome não é viável para governador ou presidente, por exemplo.

Já Eduardo Paes é o típico político profissional: um carreirista (como Cesar Maia, como Sergio Cabral) que está sempre visando o próximo degrau, enquanto garante funções com visibilidade - como a presidência da Suderj, que administra o Maracanã, ou a prefeitura do Rio. Que relação com a cidade um sujeito desses teria?

Gabeira saiu do PV e foi para o PT. Depois, voltou para o PV. No entanto, foi para o partido de Lula antes da eleição e saiu enquanto era governo (Paes nunca mudou para ficar na oposição), e explicou isso no Congresso Nacional, com transmissão ao vivo pela TV. Ou seja, prestou contas ao público de sua mudança.

Gabeira tinha causas e se viu com a necessidade de entrar na política para defendê-las. Paes primeiro entrou na política para depois ter causas (e interesses) a defender.

Gabeira recebeu o apoio de Cesar Maia, é fato. Mas se um poste se candidatasse contra Paes receberia apoio do prefeito, devido ao narrado no terceiro parágrafo. Além do mais, desde 1992 o Rio de Janeiro tem uma prefeitura essencialmente técnica - que é o perfil de Paes! A cultura, o esporte, o turismo, o serviço público: para os técnicos, tudo isso é estatística e custos. Será que uma cidade como o Rio, capital cultural, referência mundial do Brasil, merece uma gestão tão apequenada e simplista?

Gabeira colocou no programa de governo não aceitar indicações políticas para sua administração, enquanto Paes só mencionou o assunto após o sexto debate. O candidato do Partido Verde disse que não ia sujar as ruas, o que é um revés e tanto: sua cara e seu número não estariam o tempo todo aparecendo para o eleitor. Cumpriu sua promessa, mesmo assim. Pra que cumprir promessas antes mesmo da eleição, com o risco de estar em desvantagem na disputa?

Logo, voto em Gabeira por uma questão muito simples, dadas as circunstâncias: confiança. E o sentimento de que a minha cidade merece muito mais do que um mero síndico.

domingo, 19 de outubro de 2008

O artifício é o mesmo

A polícia de São Paulo é questionada quanto à sua atuação no desfecho do seqüestro da jovem Eloá por seu ex-namorado. Ela está em coma irreversível, após ser atingida por tiros que, a princípio, partiram do seqüestrador.

Não darei detalhes do caso, que está sendo, conforme esperado, amplamente divulgado (e explorado) pela mídia. Mas o governador de São Paulo, José Serra, não precisa se preocupar com as justificativas para a opinião pública. É só usar do mesmo artifício que o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral: praguejar.

Policiais mataram o pequeno João Roberto, metralhando o carro que pensavam ser de traficantes? "São uns débeis mentais", vociferou Cabral. Médicos não compareceram ao plantão do Hospital Estadual Getúlio Vargas? "Canalhas", vaticinou o governador. O diretor de Bangu 3 foi assassinado? "O Rio está em guerra".

A atitude esquentadinha e declaratória de Sergio Cabral é destacada em primeira página, assim como as subseqüentes promessas de investigações acuradas e melhoria no serviço a ser prestado. E ponto. Cabral segue governando sem mais cobranças - até a próxima tragédia.

As perguntas (que não foram feitas ao governador), seguem no ar: se são debéis mentais, como podem fazer parte da polícia de sua Secretaria de Segurança, excelência? Quais as condições de trabalho que sua Secretaria de Saúde dá aos "canalhas"? Se o Rio está em guerra, onde está a eficácia de sua política de segurança, que completa 2 anos?

Serra, abre o olho: praguejar pode ser mais "jogo" pra você do que tentar qualquer explicação racional.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O escritor que não passou da idade


A entrevista seguiu por e-mail e o escritor de quase 70 anos gravou as respostas num arquivo MP3, já tarde da noite, e as devolveu também por e-mail. João Ubaldo Ribeiro, que recentemente recebeu o prêmio Camões (a maior honraria da literatura de língua portuguesa, recebida por ele sem nenhuma surpresa) concede sua primeira entrevista a um blog e fala sobre a velhice, o contato com a realidade pós-internet e o papel do cronista de jornal hoje. Sem nunca esquecer de ressaltar seu amor pela ilha de Itaparica e também pelo bairro do Leblon, no Rio de Janeiro.

O senhor tem uma obra reconhecida pelo público e pela crítica e acabou de ganhar o prêmio Camões. O senhor já disse que, aos 60 e poucos anos, tem menos ambições na vida. Mas quais seriam elas?

Pra começar, eu não tenho 60 e poucos anos. Tenho 60 e tantos anos, ou 60 e muitos anos (risos). Porque eu estou com 67 e em janeiro faço 68. Nessa idade a gente começa a perceber com maior clareza, não só pelos aspectos orgânico e físico, mas também em pensamento, a finitude da vida. E, o que é lugar comum dizer mas é verdade, a gente percebe com clareza as ilusões que teve e a futilidade de tanta coisa pelo que já lutou nesse mundo, a futilidade de coisas a que outras pessoas dão importância. Enfim, o sujeito vai se sublimando um pouco com a idade, nem sempre dá sorte de não ficar amargurado, não entortar com a idade. O sujeito que envelhece razoavelmente conciliado com a vida fica mais ... Eu não vou dizer mais cínico, mas fica menos apegado a certos valores aparentes, como honrarias assim, e gloríolas passageiras. A gente fica mais filosófico com essas coisas.

Eu acho que fiz uma obra que em certa medida ainda não foi lida como eu acho que ela podia ser lida. É uma obra um pouco injustiçada ainda, acho eu, apesar de ser uma obra de sucesso. Mas acho que ela é vista como muito mais heterogênea do que na realidade é. Minha obra não é tão heterogênea assim. Ela tem uma continuidade, uma linha que um dia espero que vejam.

Eu acredito em Deus, e acho que Deus me deu muito, me dá muito. Tenho uma carreira de êxito, sou capaz de viver do meu trabalho decentemente. Nunca parti pra ficar rico, portanto não posso me queixar de não ser rico. Mas também não passo necessidade alguma, pelo contrario, tenho tudo que quero, sou um sujeito sadio. Então que ambições outras eu teria? Eu tenho vontade de acabar um romance que estou fazendo. E é possível, com as voltas que o mundo dá, que eu venha a querer fazer um outro livro, quem sabe?

O Nobel estaria nos seus planos?

Não, mas se você puder dar um jeito de trazê-lo pra mim eu não recuso não, tudo bem.

O que o senhor gosta de ler atualmente? Que autores? Algum contemporâneo?

Eu sempre gosto de ler, mas agora já estou com catarata, tenho que fazer uma operação, já leio com dificuldade. Como desde jovem tive mania de ler a mesma coisa, estou piorando com a idade e continuo a ler as mesmíssimas coisas sempre. Eu, que já passei tempos em que lia as mesmas páginas dos mesmos livros sempre, gosto de ler poesia. Mas tenho lido pouco. Cada vez gosto menos de ler teoria literária e coisas desse tipo, não suporto. Cada vez gosto mais de poesia, de Shakespeare, de Homero... Enfim, a mesma coisa de sempre.

O senhor já disse que gosta de navegar na internet. O que gosta de acessar?

Ah, eu disse isso? Mas eu não sou muito chegado a ficar navegando não. Eu sou bom de buscar coisas na internet, isso eu sei. Eu acesso de vez em quando os sites de notícias, alguns sites de curiosidades, de música, de literatura. E acesso de vez em quando uns sites de sacanagem pra ver como é, mas geralmente é meio chato e são sites perigosos de acessar. Mas em geral são meio chatos. Eu fiz muito isso quando estava escrevendo a Casa dos Budas Ditosos pra poder não ficar desatualizado (risos), não fazer cenas desatualizadas. Mas confesso pra você que, apesar de uma surpresinha ou outra, aprendi pouco. As coisas têm mudado pouco através dos tempos (risos).

(Acima, Fernanda Torres na montagem teatral de "A Casa...")


O senhor lê blogs? Na sua opinião, um blogueiro pode ser considerado um escritor? Por quê?

Eu leio blog, mas muito eventualmente, não sou freguês de blog nenhum. Eu acho blog ótimo, uma coisa quase revolucionária. Cada um pode publicar, todo mundo vira editor do que quer dizer, e ainda oferece mais possibilidades do que uma editora de antigamente, pois a difusão é instantânea e, digamos, mundial. E o relacionamento com o leitor é facílimo, há interatividade. É ótimo o blog.

O grande problema do blog é a concorrência, tem blog a dar com pau, todo mundo tem um blog. Muita gente tem aqueles famosos “retalhos de mim”, publica, faz uma ou duas edições no blog e desiste. Mas acho que o blogueiro pode ser considerado escritor sim, por que não? O blog é uma nova forma de publicação e oferece várias possibilidades. Agora, acho que ele tem esse problema: o blog enfrenta uma concorrência mortal – como é com os livros, se pensarmos bem. O blog se identifica com o autor.

O senhor gosta de escrever uma crônica periódica em jornal ou só faz isso por necessidade?

Eu gosto de escrever a crônica sim, isso dá disciplina, um senso de compromisso que faz bem, principalmente quando você vai ficando velho, é bom se sentir preso a um compromisso. Agora tem o lado B, que é chato, sempre foi chato ter a obrigação. A obrigatoriedade é fogo, ainda mais eu, que resolvi, desde que fiz minha primeira crônica, que jamais escreveria a famosa crônica sobre a falta de assunto, e jamais escrevi. Mas que é fogo, é, fazer sempre. Mas eu gosto.

Qual o papel que um cronista de jornal possui atualmente?

Isso depende do cronista. Ele pode ser o que chamam de formador de opinião, uma designação que eu não gosto muito. Ou pode ser um crítico de costumes, pode ser um repórter, um observador da cena cotidiana... Enfim, o cronista de jornal seja talvez um jornalista que desfruta de maior liberdade de assunto, de maior campo. E ele pode às vezes se limitar por iniciativa própria: isso acontece, se o sujeito começa a escrever numa “latitude grande” e acaba preso a um território que ele mesmo cria. Cronista tem um papel cada vez maior no jornal. Porque notícia no jornal é um negócio que não pode competir em velocidade com o tempo real, então o jornal tem que ser a reflexão, o pensamento e o entretenimento. Se o jornal não tiver esses elementos... E o cronista é privilegiado nesse negócio quando ele é fornecedor de texto e, espera-se, de um bom texto.


Senhor presidente e Pode ser que ele esteja maluco são dois exemplos de artigos em que os presidentes da República são duramente criticados pelo senhor. Em geral, qual é a expectativa do senhor após escrever artigos como esses, especificamente, que geram reações polarizadas? Já teve retorno de algum presidente após a publicação dos referidos artigos?

Não, não tive retorno de presidente nenhum. Eles nem leram, nem sabem, ninguém nunca me mandou recado nenhum. Eu que sei que provavelmente não sou adorado por esse pessoal que andei criticando. Eu tenho [retorno] dos que são mais realistas que o rei, dos puxa-sacos... E dos lulólatras, dos que transformam essas pessoas em praticamente ídolos, em deuses, e suas crenças numa espécie de religião. Daí surgem os fanáticos. Desses é que eu sofro um pouco, mas não muito. Eu não me sinto coagido nem pressionado nem coisa nenhuma. Também não xingo, eu sou formado em Direito e procuro manter em boa lembrança os crimes contra a honra. Sou muito cuidadoso em não perpetrar pelos jornais injúria, calúnia ou difamação, que são os três crimes contra a honra previstos no código penal. Procuro sempre não me enquadrar em nenhum deles, e procuro dizer as coisas de uma forma tal que não configure um crime. Mesmo porque não quero e não tenho ódio de ninguém, e nem quero tornar isso uma coisa doente ou patologicamente hostil.

Viva o povo brasileiro narra a história de um país que nasceu (e vive) sob o viés exploratório dos mais poderosos, ou de uma elite. Nas suas crônicas são apontados os problemas que o Brasil e suas instituições ainda apresentam. O senhor perdeu a esperança quanto ao futuro do país? O que o povo brasileiro poderia fazer para mudar isso?

Essa é uma pergunta comprida demais pra ser respondida aqui, isso requeriria um seminário. Claro que eu não perdi totalmente a esperança porque do contrário, levado isso ao extremo lógico, se você acha que realmente o futuro é destituído de qualquer esperança, você morreu. Não é à toa que a esperança é uma das virtudes teológicas, é quase pecado não se ter esperança. Então tenho, sim, um pouco de esperança. Agora, como vai se fazer isso, você me desculpe, não vou responder agora. Eu já escrevi alguma coisa sobre isso, já se escreveu muito sobre isso, e se fala muito sobre isso, não dá pra ser respondido com uma palavrinha ou outra.

O senhor se considera um "herdeiro de estilo" de Padre Antonio Vieira e Gregório de Matos (ambos grandes expoentes do estilo barroco na literatura brasileira)?

Meu Deus do céu, se eu fosse herdeiro de Vieira eu seria um abençoado! Vieira era uma imensidão, e Gregório de Matos era um talento magnífico. O Gregório que conhecemos era uma floresta, não era um homem, era uma efervescência de alegria e de sensibilidade poética ao mesmo tempo, a lírica dele é linda...

Eu sou herdeiro num sentido mais genérico, sou herdeiro desses homens todos e particularmente, por ser baiano, tenho certamente alguma afinidade glandular, ou genética, eu sou bastante abarrocado. Eu gosto, sou chegado a um barroco desde pequeno. Tanto assim que era obrigado a copiar os sermões do padre Antonio Vieira nas férias e devia detestá-lo, mas adoro Vieira. E depois de adulto fui obrigado a copiar os textos do padre Manoel Bernardes, reacionário, chatíssimo, mas que escreve divinamente, a mão dele é guiada por Deus.. Aí não só copiei com boa letra mas peguei o livro que o tornou célebre, A nova floresta, que é enorme, e fiz dele uma seletazinha para a [editora] Nova Fronteira, porque até hoje tenho esses padres perto do meu coração.

O senhor foi amigo de Glauber Rocha e teve sua obra adaptada para o cinema e para a TV. O que te agrada assistir no audiovisual hoje?

Bom, na verdade nada, porque eu não tenho assistido coisa nenhuma (risos). Eu estou tentando entender uma série de coisas e vivo muito em cima desse computador aqui lendo outras coisas, e tentando aprender uma convivência com a realidade nova. E tenho pensado muitas coisas importantes, então não tenho tempo pra ver coisa nenhuma, não quero ver nada.

Há alguma relação entre o Leblon e a Ilha de Itaparica?

Há, claro. Você se lembra, inclusive, que o Leblon é uma ilha. Ele tem na frente um mar, dos dois lados um canal e do outro lado a Lagoa. O Leblon é um território que devia ser tornado independente, como Itaparica também deveria. Deviam fazer uma espécie de federação entre os dois, sei que Leblon e Itaparica constituiriam um eixo de felicidade inominável. Mas a geopolítica presente nos criou certas dificuldades nesse sentido.

Quais os próximos projetos do senhor?

Meu projeto continua sendo conseguir terminar o romance que persigo há vários anos. Mas por causa das entrevistas que eu dou nunca consigo tempo pra fazer isso... (risos)

Veja também: João Ubaldo e o prêmio Camões