quarta-feira, 19 de março de 2008

O bom exemplo

Há pouco postei sobre o caso da nadadora Joanna Maranhão, questionando a atitude da imprensa ao divulgar o nome do técnico suspeito de abuso sexual.

Do outro lado da questão, os jornais ingleses parecem estar interessados em rever seus conceitos (e olha que lá nem teve Escola Base):

Jornais pedem desculpas aos pais de Madeleine

Madeleine é a garotinha seqüestrada que continua desaparecida. A certa altura, os jornais alardearam a suspeita de que os pais estariam envolvidos com o rapto.

Há esperança.
Questão de Estado

A agonia do Parque Aquático Maria Lenk terminou. A construção feita especialmente para o Pan 2007 corria o risco de ficar sem administrador e rumar para o fim, mas o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) assumiu a gestão pelos próximos 20 anos. Por mais que o assunto aplique-se às páginas esportivas dos jornais, é um exemplo de como anda a questão do Estado e suas nuances. Vejamos o contexto.

É chover no molhado falar do amadorismo de nossas autoridades no planejamento e realização do Pan 2007. Este blog já publicou vários posts sobre o assunto. No entanto, vejamos o contexto que o Parque Aquático surgiu: a cidade do Rio de Janeiro precisava dese tipo de instalação para sediar a competição (o parque aquático Júlio de Lamare, no Maracanã, não dava conta). Tal e qual o Engenhão e o velódromo da Arena Multiuso.

Construído e devidamente utilizado para o Pan, a pergunta que não queria calar desde antes voltava à tona: quem vai administrar o Parque? E quando se diz administrar, é claro que se fala também de assumir os custos de manutenção a fim de investir nas futuras gerações de nadadores.

A Prefeitura já tinha repassado ao Botafogo a administração do Engenhão, recebendo em troca um aluguel quase simbólico. E quis fazer o mesmo com o Parque Aquático, que foi oferecido aos grandes clubes do Rio, nas condições descritas no parágrafo acima. Com um detalhe a mais: se a Prefeitura quisesse realizar/promover competições ali, estaria isenta de pagamento de taxas, aluguel etc. Mamata certa, desonerando os cofres públicos (depois da gastança exorbitante da construção).

Pois nenhum clube topou a enrascada. Tampouco alguma empresa quis ter seu nome associado à natação, um esporte que não dá tanto retorno de imagem quanto o massivo futebol, por exemplo.

Diante disso, restava ao Parque Aquático a deterioração. Como o Rio quer sediar as Olimpíadas 2016 e esse tipo de abandono de instalações esportivas "pegaria mal" para as ambições do COB, este assumiu a administração. O mesmo deve ocorrer com o velódromo. Porém, é certo que vão buscar patrocinadores pra sustentar a gestão.

Onde está a questão de Estado nisso tudo? Simples: quem tem a obrigação de garantir os direitos a saúde, educação, cultura, lazer, habitação para a população? O Estado. Há empresas que atuam nesse sentido? Muitas. Porém, apenas se houver algum tipo de retorno para seus investimentos. Está na natureza das empresas buscar o lucro, e nada mais natural que pensem assim quando aplicarem suas quantias. Elas não possuem a obrigação que o Estado possui.

Quer dizer que o Estado deve gastar de qualquer jeito o dinheiro dos impostos? Claro que não (aliás, esse aspecto sempre é apresentado, erroneamente, como o extremo oposto da atuação das empresas). O Estado não pode se omitir no que lhe cabe, nem tampouco terceirizar suas responsabilidades. As empresas podem, pois sua natureza é outra.

Foi esse o "nó" do Parque Aquático, assim como de todo o planejamento pro Pan 2007. E assim é com tantos outros exemplos referentes à administração da coisa pública. Irritar-se com as empresas quando elas se retiram de uma cidade por não estar obtendo os resultados esperados? Bobagem. A cobrança deve sempre ser dirigida, antes de tudo, a nossos administradores e legisladores, que possuem a faca e o queijo na mão (como têm feito desde a década de 90) para diminuir o "tamanho" do Estado (ou para gastar mal o que é recolhido nos impostos). Ora, não está se falando de tamanho, mas de responsabilidades que nunca mudaram e nunca mudarão. As conseqüências desse contexto para a população é que mudam, drasticamente, quase sempre pra pior.

"É um grande alívio o COB assumir [o Parque] porque nós não somos gestores de esporte", disse o prefeito do Rio, Cesar Maia. Não são? E o que ele espera para extinguir a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer? Se não são gestores de esporte, o que fazem lá?

O prefeito acrescentou que o custo anual do Parque e do velódromo é de 10 milhões de reais. Ou seja, se foi um alívio, é porque a despesa está pesando nos cofres da Prefeitura. E se está pesando, é outra confirmação de que não houve planejamento algum para o depois.

E se continuar nessa toada? A Prefeitura poderia abandonar a administração do Hospital Municipal Miguel Couto com as mesmas justificativas do Parque. "Nós não somos gestores de saúde". Alguém contestaria? O prefeito estaria sendo coerente, já que ninguém parece estranhar que o Estado não seja responsável por gerir o esporte. E se o Governo Federal admitir que as universidades públicas são um peso pro orçamento? "Nós não somos gestores da educação". Faria sentido.

Portanto, chega de simplismos e mascaramentos ao abordarmos a discussão do papel do Estado no mundo contemporâneo. O papel sempre será o mesmo, assim como o das empresas. Resta apenas que a população esteja ciente das nuances de discurso.

segunda-feira, 17 de março de 2008

A novidade velha

Fato da modernidade: passamos mais tempo no trabalho do que em casa, mesmo não sendo viciados nele (os famosos workaholics). Ok, se não é mais tempo, é tanto quanto em casa (desconto as horas de sono, indispensáveis para ambos os ambientes). O certo é que nossos colegas de trabalho convivem conosco como se fossem família. Acompanhamos suas alegrias, dramas e demais episódios do cotidiano tão somente porque somos parte desse cotidiano.

Você tem seus amigos, aqueles que se abrem pra conversar ou com os quais você se sente à vontade para fazer o mesmo; outros são apenas companheiros de papo pro almoço ou pós-rodada de futebol; alguns são apenas de bom-dia/boa-tarde/até-amanhã. No entanto, se algo de diferente, extraordinário, acontece na vida de qualquer um desses, você sabe que aconteceu. E, bem ou mal, você acompanha.

Nos últimos meses, em meio a tantas mudanças em nosso setor, uma colega teve filho, outra engravidou e um descobriu que seria tio. O acontecimento é o mesmo - o nascimento de uma criança - mas as experiências são diferentes. Afinal, as pessoas são diferentes e seus contextos também.

Pois tem sido impossível não acompanhar as impressões de cada um sobre a novidade velha. Captamos as emoções, as reações, as preocupações, as expectativas, as corujices. Somos envolvidos de maneira espontânea, e nos deixamos levar pela felicidade alheia.

Não há nada tão comum quanto o nascer de uma vida. Apenas o fim da vida. Neste o desconhecido nos espera (e talvez por isso tenhamos tanto medo), mas naquele conhecemos bem o que vem por aí - apesar dos pais (e tios) de primeira viagem não concordarem muito... Sabem que vão aprender um caminhão de coisas, por mais que na teoria já tivessem ciência disso e de tantas informações. Uma perspectiva que assusta ao mesmo tempo que enche as veias de coragem pra viver logo, aproveitar logo, se saciar logo.

Mas sabemos que vem por aí uma criança, que nascerá de parto normal ou cesariana, que fará os envolvidos se postarem boquiabertos diante de fato tão corriqueiro da espécie humana. Os nenéns são a crônica encarnada: é o cotidiano enfatizado para descobrirmos a riqueza do que nos cerca. E os colegas de trabalho permanecem de plantão inevitável, sabendo que haverá ainda mais o que dividir subitamente.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Paraty: guia rápido

Aproveitando a invenção de estilo de Graciliano Ramos, segue abaixo um guia rápido para quem pensa (ou não pensa e pode mudar de idéia) em viajar a Paraty (RJ):

Compre as passagens pela Costa Verde. É a única empresa que te leva para a cidade. Prepare-se, o ônibus é "cata-corno". São 4 horas de viagem, semi-leito. Muitas curvas antes e depois de Angra dos Reis, cuidado com o enjôo. Ao chegar, facada do táxi: 15 reais por 2 minutos de corrida. Reserve com antecedência hospedagem na pousada Arte Urquijo. Ela conta com apenas seis quartos. É muito bem decorada e aconchegante. Também fica perto do cais, de onde saem as escunas para passeio. O pessoal de lá é muito hospitaleiro e simpático. Welcome drink e sandálias de lembrança. Se quiser suco de maracujá, pode escolher o maracujá antes. Se for num fim de semana, tire o sábado para as cachoeiras. Só se chega nelas com jeep tour. Água gelada. Pedras que podem surpreender seus pés. Mas é só ir devagar. Pra quem gosta, alambiques no meio do caminho. A comissão das pingas compradas alegra o guia. Irrita quem quer mais água corrente e menos aguardente. À noite, pegue um mapa para andar no centro histórico. Paraty fazia parte do Caminho do Ouro e era assediada por piratas. Assim, a cidade parece um labirinto: ruas e casas e iguais, pra confundir os invasores. Algumas casas possuem fachadas falsas. Se ainda não foi a Buenos Aires, vá ao restaurante Ateresa. Peça o chorizo: 300g de carne. Conheça o garçom mais bem-educado da cidade (por ironia, argentino). No domingo, pegue a escuna O Nome da Rosa, no cais atrás da pousada. A equipe do barco é muito simpática, e o trajeto é dos maiores e melhores. São 5 horas por 2 ilhas e 2 praias. Comida boa feita pela Baiana. A Ilha do Algodão é um paraíso. A mais distante e a mais bonita. No meio do trajeto, veja os restaurantes-ilha que possuem chalé. Programe-se para uma noite lá na próxima viagem. Dê aquela "morgada" no barco enquanto ele volta. Faça o checkout com dor no coração. Em frente à rodoviária, coma na pastelaria Wu. Um atendente chinês conversa com você. Metade das palavras são um mistério. Ou ele quer praticar português (fracassa) ou é apenas solitário mesmo. Prepare-se pra voltar - impossível. Mas deixe um gosto de quero mais.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Aconteceu em Londres

O alto mendigo estava deitado com seu cobertor numa calçada. Uma mulher compadeceu-se dele e foi entregar-lhe um prato de comida numa sacola (algo como a nossa popular "quentinha", só que britânica). Deu meia-volta e seguiu seu rumo, consciência tranqüila pela filantropia espontânea e sincera.

O mendigão levantou, andou em direção à mulher e disse, num tom de lorde inglês:

- I beg your pardon, madam, but I've already eaten.
(A senhora me perdoe, madame, mas eu já comi).

E devolveu a quentinha para a estupefata dama inglesa, em seguida retornando à "sua" calçada.

(Para os que duvidam, a cena foi testemunhada por um brasileiro que gargalhou brasileiramente no metrô de Londres ao lembrar do ocorrido, sob os olhares de estupefatos ingleses.)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Pelo bom jornalismo, usemos o Google!

Calma. Não penso em ratificar a preguiça de muitos que, em vez de apurarem as informações com afinco e falarem diretamente com as fontes, preferem "Googlar". Acontece que a revista Veja há muito abandonou o bom jornalismo que lhe diferenciava para ser um panfletinho medíocre feito por gente idem. Quer provas? É só acompanhar a série do jornalista Luis Nassif sobre as artimanhas decadentes da maior revista semanal do país.

E quequi Google tem a ver com isso? Simples: o Blog do Bender lançou a idéia de fazer a série de Nassif ser mais difundida por meio de uma "Google Bomb": quanto mais gente postar em seus blogs e sites a palavra "Veja" com o link da série, mais ela vai aparecer entre as mais buscadas do Google.

Então, fiz minha parte (ainda tem o link aí do lado).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A escrita bate papo

LESSA - Que texto esse do Fausto Wolff, hein?
AMIGO - Muito bom, né?
L - Os ferrados serão imortais...
A - É... Será que eram grandes porque eram ferrados, ou ferrados porque grandes?
L - Tudo bem que pra um trilhão de ferrados aparece um imortal...
A - Pois é. Apenas alguns conseguem transformar a dor que lhes vara a alma em arte. O que por si só, deve ser uma tortura. Se para produzir arte estando tudo bem já é difícil...
L - Escrever dói. Ou, se você sente dor, sai a escrita. A boa escrita, com alma (não que eu seja masoquista).
A - Sei. Mas ao mesmo tempo é preciso um certo distanciamento diante da dor, porque se você se envolver demais na hora de escrever (pelo menos no meu caso), a coisa sai sem qualidade.
L - Esse distanciamento é exíguo, não pode ser demais nem de menos. Mas, pelo menos comigo, preciso que algo me mova a escrever. Uma descarga de intensidade - que é muito comum na dor.
A - Ah, sim, concordo. Mas eu preciso ter um certo distanciamento, como se tivesse que encapsular a dor para poder olhá-la mais atentamente, sem deixar o sentimento da hora se esvair.
L - Mas a euforia pode causar isso também.
A - Concordo de novo.
L - Se o sentimento da hora se esvai, acabo não escrevendo. Por isso meus artigos são muito datados. O que confirma minha vocação jornalística.
A - Entendo. Por isso que às vezes tento escrever no calor da emoção apenas para registrar os sentimentos. Quase um fluxo de consciência, para depois, se quiser alguma coisa coisa com o texto, trabalhá-lo.
L - Eu escrevia no Word pra depois postar no blog. Hoje, percebi que escrever na internet mudou um pouco a forma do meu texto, e que é muito bom escrever direto no Blogger. Em compensação, não tenho arquivado os textos em Word, isso é ruim.
A - Tem muita coisa que escrevo ainda em papel, coisas que não bostejo (publico). Um caderno com coisas mais pessoais.
L - É o seu "Livro Aberto" (à la Fernando Sabino)...
A - Talvez.
L - Eu também tenho algumas anotações assim, que comecei a fazer para "me ler". Teve uma época em que eu não conseguia lidar com meus avós e tinha um milhão de coisas na cabeça. Resolvi comprar um bloco pautado e viajei pra Cabo Frio, pro niver da minha madrinha. Passei a festa inteira escrevendo no bloco, sem parar.
A - Eu também faço esse registro de problemas e épocas. Levei um na minha última viagem sozinho.
L - A sogra da minha madrinha se espantou e veio me perguntar o que eu tanto escrevia sem parar...
A - Hahahahaha
L - E, pra completar, um professor dela veio fazer a mesma pergunta... com jeito de cantada.
A - Epa!
L - Pois é... que situação! Mas o bloquinho tá lá, cheio, em breve vou reler.
A - É uma ótima experiência.
L - Depois enchi mais outro, que era preenchido esporadicamente. Às vezes a gente não sabe o que está se passando conosco e - incrível! - você descobre quando a caneta vai riscando o papel.
A - Exato! Os problemas acabam entrando em perspectiva, e o que parecia um dragão é apenas uma lagartixa.
L - Pois é, eu não deixo de ficar impressionado. Mas mesmo que não virem lagartixa, ao menos você se sente menos cego em tiroteio...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Um Maranhão de dúvidas

Foi tenebrosa notícia quando a nadadora Joanna Maranhão revelou que sofreu abuso sexual por parte de seu técnico quando ela tinha apenas nove anos. Imediatamente, começaram a surgir reportagens não só sobre o caso, como também sobre a confiança dos pais de atletas nos técnicos de seus filhos (que não raro começam a carreira cedo).

É complicado. Um assunto desses requer muita sensibilidade e cautela por parte da imprensa na hora de tratar a público. Um alarmismo sem necessidade é passo certo para a paranóia. O caso de Joanna é exceção, minoria ou corriqueiro? É preciso uma boa apuração para que o público não pense que isso ocorre a torto e a direito, e assim os pais ganharem mais um motivo pra não dormir à noite.

No entanto, a mãe da nadadora botou a imprensa em xeque, de uma maneira ainda mais complicada: revelou o nome do técnico que abusou de Joanna. E aí? Publica-se ou não a informação? A imprensa não tem como apurar (ao menos, ainda) se a denúncia procede ou não.

Porque uma coisa é certa: acabou a carreira da pessoa citada pela mãe de Joanna, que ainda sofrerá olhares e desconfianças pro resto da vida. Como dizem os princípios do direito, todos são inocentes até que se prove o contrário - é o que o técnico citado tentará fazer. Mas o fato de já ter sido divulgado em massa que ele pode ter cometido um dos maiores pecados universais da contemporaneidade (abuso sexual de crianças) não tem volta.

Lembram do caso da Escola Base (que deveria ser lembrado sempre nas redações)? Na ocasião, um casal que era dono de uma escola infantil foi acusado de abusar sexualmente dos alunos. O circo da mídia foi criado, a escola faliu, os acusados foram publicamente condenados e... nunca houve provas. E nem a maior das erratas vai apagar a suspeita na reputação dos dois, fora os prejuízos emocionais.

E se for provado que o técnico mencionado foi falsamente acusado? Provavelmente, a mãe de Joanna poderá ser processada. Mas e a imprensa que espalhou a informação de uma fonte, prejudicando um cidadão? Vai retificar a informação na mesma intensidade (primeiras páginas, várias reportagens etc)? Se o fizer, vai adiantar?

Volto à pergunta: a imprensa deveria divulgar o nome? Se não o fizesse, seria sonegar informação ou não? Suicídios não são noticiados pelo fato de não causarem publicidade que "incentive" novos atos do tipo - é um dos poucos acordos universais que a imprensa cumpre. No caso do técnico de Joanna, da Escola Base, não deveria existir o mesmo cuidado? A não ser, claro, que já estivesse devidamente comprovada a culpa.

A intenção da mãe de Joanna era pôr um ponto final no assunto. Só se for pra ela, porque para o técnico e para a imprensa, a história - e os questionamentos - estão apenas começando.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Tá explicado.

(Foto encontrada num blog bem legal, de uma amiga bem legal: www.bibidebicicleta.blogspot.com)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

NASA, confete e serpentina

Férias com chuva? Carnaval com chuva? Não desejo isso a nenhum incauto. Ao despertar, chuva. Durante o dia, chuva. Ao dormir, chuva. Ida ao banheiro de madrugada, chuva. Chuva, chuva, não pára de chover e o teto do apartamento é o limite. Reconheço: o aconchego do lar é aconchegante com a ajuda da TV a cabo e do DVD. Ao longe, blocos de carnaval urrando suas alegrias até os décimos-vigésimos andares do bairro, mesmo debaixo d'água.

Os blocos de gente assumidamente disfarçada ganham terreno (concedido pelas autoridades) e são espaçosos. Nada contra, é feriado, carnaval, tem que ser assim. Além do mais, não dirijo e não saí de casa, praticamente. Não me incomodaram (solidarizo-me com os que discordam de mim nesse aspecto).

O espaço do carnaval imiscuindo-se a nosso espaço, os foliões descem de casa, tomam as ruas, se fazem. Os sambas, as marchinhas, os gritos de incentivo via microfone do trio ou do puxador da rua viajam pelas ruas da cidade. É carnaval, e os blocos são os embaixadores/repórteres desse acontecimento inescapável ao Brasil.

E a NASA faz 50 anos.

Hein?

A NASA faz 50 anos, você não sabia? Eu acabei de saber. Pra comemorar, vão transmitir pelo espaço a canção Across the Universe, dos Beatles. Segundo a agência espacial, a velocidade alcançada será de 300 mil quilômetros por segundo. Se você acha rápido (e é), veja o quão insignificantes somos: daqui a 430 anos a canção chega na estrela Polaris. A escolha é óbvia, desde o título até sua letra, e faz 40 anos que ela foi gravada (ouça aqui).

Pois veja só: música conquistando o espaço, como acontece com os blocos de carnaval. E o digno espaço sideral só poderia receber mesmo uma música dos Beatles. Serão 430 carnavais do universo sustentados pelo bloco de Liverpool, seja qual for o clima. Eu, que nesse 2008 fiquei em cinzento cativeiro ainda antes da quarta-feira, acabei sabendo de tudo isso enquanto ouço a farra lá da rua.

Quem dera se eu pudesse descer do prédio e dar de cara com os Fab Four atravessando a rua à la Abbey Road... Ou que o feriadão mais universal do planeta pudesse imitar Polaris e ser um cenário oficial para uma comemoração beatlemaníaca. O espaço pode ser fora da Terra, pode ser o passeio público, ou pode ser apenas um substantivo. Mas o espaço que recepciona uma canção dos Beatles é o um dos meus lugares preferidos para passar o carnaval.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Não precisa explicar, eu só queria entender

Passamos a vida buscando perguntas - esse é o nosso instinto. Instinto que muitas vezes tentamos sublimar, para isso criamos "ismos" que coloquem nossas entranhas perguntadoras num cercadinho. Aderimos aos "ismos" com tanto afinco, pensando que as perguntas vão se calar em nossa alma. Não vão.

O escritor português José Saramago tem uma pergunta consigo desde sempre e para sempre: “A pergunta que não consigo responder é muito simples: para quê? Para que tudo isso? Vou morrer sem encontrar a resposta. Creio que ninguém nunca encontrou”. Se você achou vago, pare e pense. Tudo isso da vida que começa no nascer e vai terminar no morrer. Entre esses dois momentos, perguntas pululam em nós.

O que nos atormenta é a falta de respostas? Começo a discordar. O que nunca nos deixará em paz é o fato de que as perguntas não cessam. Os questionamentos se qualificam. Os dilemas, as contrariedades, a complexidade das situações com as quais nos deparamos geram mais e mais perguntas. A avalanche de perguntas é o que assusta, não a escassez de respostas.

Pensamos que acalmamos as perguntas diante de qualquer sistema com o qual nos deparamos e pelo qual nos decidimos. É um engano que, cedo ou tarde, será desvelado. Você sentirá que levou uma rasteira de si mesmo. Os "ismos" não dão conta da multiplicação de perguntas que vêm do nosso âmago e não nos deixam sossegados.

Quem decide não se prender aos "ismos" vai lidando "na marra" com as perguntas. Escreve, filosofa, compõe, ouve, grita, chora, fica em silêncio, goza, joga bola... Dá o seu jeito. As perguntas não páram. As perguntas perguntam. As perguntas assolam. As perguntas ameaçam.

Paradoxalmente penso que, no momento em que admitimos esse instinto perguntador, é quando ocorre o desabrochar da maturidade. Julgar alguém maduro ou pensar-se assim é temerário, sempre. Porém a experiência de olhar nos olhos das perguntas e assimilar sua companhia dá-nos a sensação de madureza. De cicatriz pra nos lembrar de que as respostas nunca deveriam ser simplistas.

Mas eu queria falar das perguntas. Elas não páram. Nem no travesseiro - lugar e hora fértil para te levitarem da cama com certa agressividade, exilando o sono. Ou admitimos a voracidade de nosso instinto perguntador, ou estaremos sempre numa vida em suspenso, faltando algo, e o que é pior: sabendo por quê.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A liberdade aprisionada

A piada pode surgir de repente (não necessariamente acompanhada da graça). A da vez foi proporcionada pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA). Lá estou eu sintonizando o menu principal (mosaico) de canais da SKY e vem o anúncio institucional clamando por Liberdade na TV. Achei estranho e resolvi prestar atenção. O tom do apresentador era grave. O conteúdo, risível e denotando o desespero dos magnatas do cabo.

Explico: a tal campanha por Liberdade na TV (que tem até site e vídeo no YouTube) refere-se ao projeto de lei 29/2007, que obriga que 50% dos canais das TVs por assinatura devam ser nacionais; e que 10% do conteúdo de todos eles, incluindo os estrangeiros, também seja nacional.

Achei o projeto exagerado. Mas antes de chegar nesse mérito, observe o texto do apresentador da ABTA: "Eles decidem o que você deve assistir e no final você pagará mais por isso. Não deixe que eles prejudiquem a sua liberdade de escolha". Rárárá. E o que as TVs por assinatura fazem conosco hoje? É diferente?

A TV a cabo chegou ao Brasil com a promessa de ser a alternativa ao rame-rame baixo nível da TV aberta, com opções melhores e, acima de tudo, opções. Hoje, o horário "nobre" de um canal chama-se "Politicamente Incorreto", com programas que rivalizam nas baixarias com Ratinhos e Datenas da TV aberta, por exemplo. E nenhuma operadora permite que você faça seu pacote e escolha pagar apenas pelos canais que de fato assistirá. Precisamos engolir mil canais inúteis para nossos gostos. Cadê a liberdade?

É o desespero diante de um público que tem encontrado na internet ou noutros meios o conteúdo que desejam (sobre isso, ver excelente artigo de Nelson Hoineff no Observatório da Imprensa). Tão desesperados estão que têm a coragem de acusar os políticos dos mesmos crimes que cometem contra o público. O instinto de sobrevivência é forte mesmo...

Por outro lado, não é por decreto que se criam canais. No momento em que se estrutura uma TV pública, percebe-se que a coisa não é tão simples. Assim como a imposição de cotas para produção regional também é polêmica. No entanto, precisamos reconhecer: agüentamos cotas e mais cotas de seriados rejeitados nos EUA e de filmes perfeitamente classificáveis como B. E não participamos da elaboração dessa grade de programação em nenhum momento. Isto é, só na hora de pagar.

Aí é outra "terra de ninguém": no caso da SKY, se você escolhe pagar em débito automático na conta-corrente, é um preço e você recebe em casa um "extrato de conferência". Se optar por pagar em boleto bancário, são mais 3 reais. Qual a diferença entre o conteúdo do extrato e do boleto? Nenhuma. O custo de emissão de um boleto junto ao banco, claro, é repassado pro cliente. Mais uma vez: não há liberdade de escolha. Diferente de outras concessionárias de serviço, temos que optar por pagar mais e ter mais trabalho ou pagar menos e confiar que os valores sempre virão certos. Porque se não vierem, prepare-se pra bloquear o débito, correr atrás pra contestar os valores etc...

Aprisionaram o significado da palavra "liberdade". Quem vai libertá-la?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Que bom que esse sangue jorra

Demorou, mas tive a oportunidade de assistir ao documentário 3 irmãos de sangue, que conta a vida de ninguém menos que Henfil, Betinho e Chico Mário. Uma trindade hemofílica onde cada pessoa dela executou, com unção, a missão que lhe cabia. O humor, a sociologia prática e a música com alma nunca foram tão refinados e afinados com nosso tempo. Temos uma geração inteira marcada por Henfil, Betinho e Chico Mário.

Difícil dividir comentários sobre o filme e sobre a vida dos três. A gente não sabe se gostou e saiu emocionado pelo conteúdo dramático ou pela maneira com que tudo foi narrado em tela. A diretora Ângela Patrícia Reiniger mostrou que tinha na veia a matéria-prima essencial para se fazer um filme sobre os três: sensibilidade. Porque é isso que transborda a cada cena e, principalmente, a cada depoimento de arquivo de cada um deles.

Eu, particularmente, nem sabia quem era Chico Mário, sequer que Henfil e Betinho tinham mais um irmão famoso. Pois o filme mostra que os três estavam no mesmo patamar da vida, daqueles que nasceram pra fazer diferença - muito antes dessa expressão virar clichê. Seu violão fala alto no volume inaudível do coração de quem assiste o documentário. A música sobre Ouro Preto e o show em sua homenagem, quando a AIDS avançava (os três se tornaram soropositivos após transfusão de sangue, sempre necessária) são de não deixar a gente dormir, no bom sentido.

Henfil, um barbudo bonito e carismático pra caramba, e seus traços mínimos no papel. É uma coisa impressionante. Vê-lo falar sobre cada personagem, sobre seu desejo intrínseco de fazer cinema, sobre o Brasil - todos eram muito, mas muito brasileiros - é bom demais. A maneira original de entrevistar os convidados no seu quadro na TV Mulher é inesquecível.

E Betinho, que levou a teoria sociológica para o campo prático e urgente do brasileiro? Para aqueles que tinham fome e para os indiferentes: ambos sentiram o revirar do estômago. E isso desde quando o irmão do Henfil voltou da anistia... Esse parece nunca ter sossegado na tarefa que assumiu pra si de não ser mais um lamentador.

A hemofilia e a AIDS permeiam o documentário, como deve ter sido na vida dos três. A princípio, explícita na hora da descoberta e de saber como lidar com elas. Depois, como companheiras permanentes com as quais os irmãos precisaram conjugar suas circunstâncias e perspectivas. Ao final, de novo explícita, anunciando o fim e denunciando negligências no trato com os hemofílicos de todo o país, e não só os famosos.

Além da cara vermelha e dos soluços de tanto chorar, saimos do cinema com a sensação de que a luta contra a desigualdade e os desmandos injustos desse mundo pode ser encarada com suavidade. Em nenhum momento percebemos nos discursos de Henfil, Chico Mário e Betinho aquele ranço chato de quem acha que a vida nada vale porque não há condições ideais para todos. Isso é verdade, mas eles nos mostram que é possível encarar essa luta com o vigor suave de um traço, de um acorde ou com o dom da conciliação.

Uma das últimas falas de Betinho parece resumir poeticamente tudo o que eles viveram: "Nessa luta, daqui a um tempo, não importa quem vai estar vivo ou quem vai estar morto. O que importa é que a música existe".

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Anteprojeto de acordo com a realidade

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) apresentará no Congresso um anteprojeto de lei que diminui a responsabilidade do jornalista na publicação das matérias. Peraí? Um incentivo ao "vale-tudo"? Não, apenas uma tentativa de colocar as coisas nos seus devidos lugares. Mais do que a mão que escreve, quem dá o veredicto final no que é publicado (e às, vezes, de como é publicado) é a mão que edita, que está na chefia e pertinho dos donos. Isso quando não é a mão do próprio dono que dá o carimbo final.

“O jornalista não é decisivo na escolha da matéria a ser publicada. No mundo real, sabemos que o título e a legenda, criados por outra pessoa, podem alterar o entendimento, não refletir necessariamente o conteúdo da matéria. O jornalista não pode ser responsabilizado por esse tipo de controvérsia”, diz o deputado, em entrevista ao site do Sindicato dos Jornalistas do RJ. "“A responsabilidade sempre recairá sobre a empresa jornalística”, completa.

O leitor pode checar: hoje em dia, muitas matérias são assinadas pelo jornalista. Há algum tempo, isso não era tão comum. Bom, se as matérias não são assinadas, fica ainda mais claro que a responsabilidade final da publicação é do jornal. Ou seja, o fato de ter que assinar vulnerabiliza o profissional - os possivelmente atingidos ou incomodados com determinada matéria resolvem processar o autor do texto. E a empresa jornalística não é tão visada como co-autora.

Um exemplo claro é o da repórter Suely Caldas, veterana do jornalismo econômico. Ela contou, em recente seminário na Uerj, sobre sua experiência na cobertura dos desmandos públicos no Banespa, nas gestões de Luis Antonio Fleury e Orestes Quércia. Fleury processou a repórter, e a justiça deu ganho de causa. Ela foi condenada a pagar 120 mil reais de indenização - para isso, teria que vender seu único apartamento. No caso, o Estadão (onde Suely trabalhava) pagou. Mas se o processo fosse contra Suely apenas, o jornal teria essa obrigação?

Esse é outro ponto do anteprojeto, segundo Miro Teixeira: “É inconcebível que alguém com salário de 7, 8 mil reais seja obrigado a pagar uma indenização de 100 mil reais a alguém que às vezes ganha muito mais do que isso por mês.” E dependendo da realidade do veículo, o deputado foi até generoso ao se referir ao salário do jornalista.

O repórter vai à rua, faz entrevistas, apura as informações, redige. Precisa ser bom nisso e estar bem fundamentado nos dados que levantou. Essa responsabilidade é dele, sem dúvida. Mas quando a matéria é selecionada para publicação, passa por edições finais, vai pra diagramação, gráfica, bancas... Todo esse processo é responsabilidade do jornalista?

O que a sociedade em geral precisa perceber é que essa situação - responsabilizar o jornalista totalmente - não é benéfico para o processo de apuração de informações de interesse público. Os donos do poder sabem flertar com os donos da mídia e o lado mais fraco da corda sempre será o dos jornalistas. Então, é preciso falar de responsabilidade sim, mas proporcionalmente.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Uma boa idéia, uma boa notícia


A gente tem que espalhar o que há de bom também, né? Uma ONG palestina está organizando uma campanha para que a Copa do Mundo de Futebol de 2018 aconteça em Israel e na Palestina (como em 2002, quando Japão e Coréia dividiram a responsabilidade). Aparentemente, o objetivo é facilitar as conversações rumo à paz entre as duas nações. Para dar força à campanha, querem Pelé como "padrinho" da idéia.

Leia a entrevista do autor da campanha no Globo.com. Há também o site oficial, incluindo mapa dos países com as possíveis cidades-sede e um vídeo promocional.

Graças às agruras do Pan 2007 e da Copa que vem aí, a gente fica meio pé atrás se a iniciativa é séria mesmo ou mais uma idéia para ganhar dinheiro fácil com a paixão dos outros - com uma causa nobre de lambuja. Mas fiquemos atentos, pois são poucos os projetos a reconhecer que a integração universal proporcionada pelo futebol pode influir fora das quatro linhas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007


Ai meu Pan...

Lembra da CPI do Pan, que a câmara dos vereadores do Rio tava tentando executar (em todos os sentidos)? Postei sobre isso há pouco tempo. Ela não está indo pra frente por falta de quórum. Dos cinco deputados que compõem a comissão que coordena a CPI, só um compareceu à última reunião - Eliomar, do PSOL. Ah, e foi o terceiro adiamento...

A gente reclama de CPMF e falta de verba em geral, mas aqui na nossa cidade o nosso prefeito defeca e se locomove para o dinheiro público. Todo mundo sabe a pilhagem que foi o estouro do orçamento do Pan 2007 (e a Copa vem aí...). E vai ficar por isso mesmo?

Dá só uma olhadinha no plano de trabalho da CPI, reunindo todas as irregularidades apontadas no Pan. Depois, uma sugestão: escreva aos queridos vereadores perguntando a quantas anda a CPI...

CARLO CAIADO - caiado@carlocaiado.com.br - Tel: 3814-2081 a 2083/2513/2514

NADINHO - nadinhoderiodaspedras@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2692 / 2440 / 2441/ 2444

LUIZ ANTONIO GUARANÁ - laguarana@uol.com.br - Tel: 3814 - 2187 e 2189

PATRÍCIA AMORIM - patricia.amorim@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2132 a 2135

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Boicote de placa: o primeiro golaço da Copa 2014

Enterraram mais uma CPI no Congresso: a que ia apurar os indícios de lavagem de dinheiro no Corinthians, na parceria com a empresa MSI. Seria uma maneira de fazer uma investigação exemplar, por pegar o time de segunda maior torcida do país.

O mais curioso é que, para emplacar uma CPI, é preciso 171 assinaturas. Mais de 200 já tinham sido conseguidas. Num passe de mágica, 111 foram retiradas e restaram apenas 168. Por três, a CPI foi arquivada.

Que arrependimento coletivo instantâneo foi esse? Simples: o presidente da Confedereação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, acompanhava a escolha do Brasil para sede da Copa 2014. Ao seu lado, Lula e vários governadores. Sabendo da existência da CPI, Teixeira não perdeu tempo. Chegou ao pé do ouvido dos governadores e ameaçou: se os deputados a eles ligados não retirassem as assinaturas, os respectivos estados não teriam jogos da Copa.

E assim foi...

Mesmo assim, o Lessa27 enviou o e-mail abaixo para os parlamentares do Rio de Janeiro que retiraram suas assinaturas:

Caro parlamentar fluminense,

Gostaria de saber por que Vossa Excelência retirou sua assinatura para a efetivação da CPMI MSI/Corinthians. Precisamos moralizar o nosso futebol e combater a corrupção que é notória na administração do esporte.

O que nós, eleitores do Rio de Janeiro, mais ficamos em dúvida é: por que apoiar a CPMI e depois retirar a assinatura? Se não concordava com o mérito, por que assinou antes? E por que retirou?

Quer saber quem são os ditos cujos? Veja abaixo:


Índio da Costa (DEM): afilhado de Cesar Maia, possível candidato a prefeito do Rio em 2008 - dep.indiodacosta@camara.gov.br







Geraldo Pudim (PMDB): afilhado de Garotinho, acusado de fraude nas eleições para a prefeitura de Campos em 2004 - dep.geraldopudim@camara.gov.br









Cida Diogo (PT) - dep.cidadiogo@camara.gov.br



Nelson Bornier (PMDB): ex-prefeito de Nova Iguaçu - dep.nelsonbornier@camara.gov.br






Pastor Manoel Ferreira (PTB): líder nacional da Assembléia de Deus, ex-candidato ao Senado - dep.pastormanoelferreira@camara.gov.br

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Um tiro em Copacabana é uma coisa. Na Favela da Coréia, é outra", diz o secretário de Segurança Pública do Rio, José Beltrame

Consumo de drogas é maior entre a classe A, diz pesquisa da FGV

Sem mais para o momento.


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ESCOLHA OS 10 MELHORES TEXTOS DO LESSA27

A votação prossegue. Você indica 3 textos preferidos. Se ficou difícil achar data e título, pode indicar dizendo o assunto (não muito geral, como "mídia", já que seria impossível identificar de qual você está falando).

Mande para lessa27@yahoo.com.br até o dia 5 de novembro. Um dos brindes a serem sorteados entre os participantes será uma camisa oficial do blog!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Zico. E ponto.

Fim do treinamento do Fenerbahce, o goleiro titular Volkan se aproximou do apoiador Alex, com que se preparava para treinar cobranças de falta, na entrada da área e perguntou, a meia-voz:

- Esse "cara" era mesmo tudo que falam dele como jogador? E ainda batia falta como dizem?

O "cara" era Zico, o técnico. Alex apenas sorriu e, depois que a barreira estava armada e as cobranças iam começar, chamou o treinador, propondo-lhe que entrasse no exercício.

- Aproveita as 5 primeiras, por que ele vai "esquentar" o joelho... - sussurou para o goleiro.

E Zico, de fato, bateu as 5 primeiras calibrando a pontaria: uma por cima, outra na mão do goleiro, outra na trave, etc. A partir da quinta, avisou:

- Agora, tá valendo.

E começou a sequência de bolas num ângulo e no outro, para desespero, não somente de Volkan, o titular, como também de Serdar e Nercat, os reservas, que não conseguiram pegar uma sequer.

Diante do espanto e da admiração do Trio, o "Galo" apenas sorriu:

- Nas primeiras, preciso aquecer, já que "carro velho" é fogo! Mas em compensação, depois que pega vai embora...

(Fonte: Coluna de Renato Maurício Prado, do Globo)

domingo, 14 de outubro de 2007


5 anos de blog!

Pois é... Eu sabia que a data festiva aconteceria em outubro, mas não lembrava o dia certo. Em 14 de outubro de 2002 adentrei a blogosfera. De lá pra cá, foi um aprendizado atrás do outro, além de uma curtição como só a internet pôde me proporcionar.

Explico: no segundo semestre de 2002 estava há 7 meses como escriturário do Banco do Brasil, concursado e desgostoso com aquele emprego. Estava na metade da faculdade de Comunicação Social, na UFF. O salário era bom e veio em boa hora, mas os chamados do jornalismo e da escrita vociferavam dentro de mim. E aquilo foi demais para ambos: trabalhar em banco, cercado de números, com o objetivo máximo de vendas? Tortura, masoquismo, sei lá.

Hoje, olhando pra trás, não faria o concurso. Mas é inegável que ter sido exposto a condições tão agudas de distanciamento entre profissão e realização pessoal ajudou a confirmar minha vocação maior. Pensava: "isso não é pra mim". E se não é o que eu quero, já me ajuda a descobrir o que quero. Apurar, escrever, opinar, publicar, ser ouvido, interagir, intervir, não me omitir.

Quem me deu o primeiro gostinho de tudo isso foi o blog. O meu espaço, disponível a todos que soubessem o endereço, minhas idéias publicadas - ou seja, a público - e chegando a todos, mesmo que não me conhecessem. (Antes de outubro de 2002, a experiência mais próxima que tive disso foi a "Crônica semanal do Lessa": toda segunda uma nova crônica, encaminhada para a minha lista de contatos no recém-descoberto mundo da internet.)

Comecei com dicas culturais, um ou outro pitaco político e comportamental. Mas foi em março de 2003, com o post A guerra é show, que teve início uma nova fase do Lessog - o blog do Lessa (antigo nome). Os artigos opinativos que pulsavam nas artérias saíam "na veia", com a preocupação de estarem fundamentados em fatos e informações confiáveis, para não ludibriar o leitor.

Creio que os temas mais abordados foram mídia, comportamento e cultura. Mas não nego que também faço parte da "umbigosfera": falo de mim e de minhas reflexões pessoais, na necessidade de me ler enquanto escrevo, de desabafo, catarse, vontade de botar a boca no mundo sem ser um chato (uma vez que minhas palavras se circunscrevem a meu blog). Verissimo já disse que escreve, antes de tudo, para si mesmo. Depois para os leitores. Acho que é por aí.

Em 2005, perto de me formar e conseguir o diploma de curso superior, decidi: era hora de sair do banco. Hora de me sustentar com a Comunicação (já pensava em casar...), e observando as opções do mercado de então, vi que era hora de tentar um novo concurso. Mas somente na área de Comunicação.

Estudei, recusei uma promoção no banco, botei meu blog no currículo. Fiz seis concursos, passei em um, para o qual fui chamado em junho de 2006. Em julho já estava empregado: Comunicador Social - Jornalista. Essa é a minha profissão. Fiquei lotado num lugar ideal graças a meu blog - o currículo foi observado e, segundo relatos confirmados por várias fontes, fui "disputado" por outros setores após conferirem a qualidade dos meus textos publicados.

Muito mais que um orgulho, a experiência me mostrou o que realmente importa: viver pela fé, como diz a Bíblia, e investindo no que você gosta. Nada de romantismo vazio e barato, é trabalho duro com os sonhos por timoneiros.

E o Lessa27 (nome atual) faz cinco anos com muita história contada, muitas pra se contar, com a promessa de virar livro um dia (já tenho o título). Fico feliz de ter essa estrada, e mais feliz ainda por ter com quem compartilhar isso. No caso, você, que se deu ao trabalho de acessar este endereço e ler até aqui. Sou mais do que agradecido. Sou realizado.

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ESCOLHA OS 10 MELHORES TEXTOS DO LESSA 27!

Você vota em 3 textos. Pode ser do que vc lembrar, ou pode pesquisar o arquivo do Lessa27, à direita no blog. E escrever para lessa27@yahoo.com.br com suas indicações.

A equipe do blog (eu e uns colaboradores informais) está providenciando brindes para serem sorteados entre os que responderem!

Portanto, você tem até o dia 05 de novembro pra enviar seus votos. É preciso informar o título do texto/post e a data, para ajudar na localização dos mesmos.

Participe! E envie para lessa27@yahoo.com.br!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A agonia do encontro

"A vida é composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, escolhe um tema que fará parte da partitura da sua vida. Voltará ao tema, repetindo-o, modificando-o, desenvolvendo-o, transpondo-o, como faz um compositor com os temas de uma sonata. O homem, inconscientemente, compõe sua vida segundo as leis da beleza, mesmo nos instantes do mais profundo desespero" (Milan Kundera)

Essa é a epígrafe de um texto maravilhoso do educador Rubem Alves (foto), onde ele discorre sobre sua relação com o ato de educar - o seu diamante, correspondendo ao texto de Kundera - e como isso o arrebata para a vida. Em seus artigos o tema é recorrente, e ele explica o porquê desse retorno contínuo ao tema:

"Um amigo querido, Hugo Assmann, faz anos, me disse com um sorriso: ‘Rubem, faz anos que você fala sempre sobre a mesma coisa’. É verdade. Não importa sobre o que eu esteja falando: eu falo sobre o tema que enche minha alma de alegria." E ele prossegue numa satisfação empolgada de quem se encontrou, sem volta.

Veio o nó na garganta quando li o artigo. Minha relação com Comunicação e Jornalismo é praticamente a mesma. Até algumas analogias são parecidas. Não sei se você já sentiu isso antes, mas é como se uma espada surgisse na tela do seu computador e subitamente te atravessasse até o encosto da cadeira. Sem chance de reação.

Vem então aquela agonia de estar sendo transpassado pela confirmação do "tema" da "partitura" da sua vida. Paradoxalmente - e cada vez mais eu aprendo que a vida é cheia de paradoxos, e que isso não é necessariamente ruim - é uma boa agonia. É a agonia do encontro, saciando sedes que você nem sabia que possuía.

Desejo a agonia do encontro a meus amigos e inimigos. Que todos sintam o prazer de descobrirem o diamante de sua existência, e não se percam em mesquinharias mundanas que só nos afastam do agonizante divisor de águas. Agonia benfazeja, renovadora. Incômodo bem-vindo, pra que a gente não se distraia do principal.

Como é bom dar as mãos ao principal. No meu caso, as mãos teclam, abraçam a Bic, digladiam-se com a tendinite e rompem as barreiras que a agonia me ajuda a desancar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007


É o dia!

Ontem tive um dos melhores aniversários de minha vida.

Se o dia 27 de setembro já era inesquecível e incomparável pra mim, ontem ficou mais ainda.

Além disso, fiz 27 anos! E daqui a um mês, dia 27, vou me casar.

Acho esse número cada vez mais bonito.

27 anos: idade bonita. Já se tem bastante história pra contar quando se chega aos 27.

Dia 27 de setembro: muito mais que Cosme e Damião.

terça-feira, 25 de setembro de 2007



A imprensa que precisamos

Qualquer país precisa de um bom jornalismo. É horrível ficar falando mal de nossa imprensa dia apos dia (embora a crítica seja sempre necessária), já que é por meio dela que nos informamos cotidianamente. É com tais informações que construímos nossas noções de cidadania e desenvolvemos nossas perspectivas de mundo, além das expectativas quanto ao futuro.

Sabemos que a imprensa, por si só, não é a única culpada desse mal-estar que sentimos todos os dias. Os donos dos veículos de comunicação, mais preocupados com uma empresa fabricante de notícias-mercadoria do que com uma empresa que possua credibilidade junto ao seu público, têm grande parcela de culpa nisso.

Assim, ficamos nós desesperados em busca de informações com qualidade, bem apuradas, transparentes. A internet nos ajuda, aqui e acolá pinçamos pérolas a fim de construir nosso conhecimento para além do "efeito-manada" (quando todos os veículos falam da mesma coisa, do mesmo jeito, no mesmo tom, no mesmo período, até enjoar).

Se o leitor quiser aceitar uma dica preciosa de bom jornalismo ligado às questões do cotidiano, recomendo colocar como primeira página de seu computador o site da Agência Brasil.

Numa leitura conservadora e simplória, é a agência de notícias do governo. Mas se você conferir o conteúdo - antes mesmo de se aprofundar, ficando somente nas manchetes - verá que está longe disso. É uma agência do Estado, isto é, recursos públicos oriundos de nossos impostos sendo empregados para produzir uma comunicação cidadã, para todos.

Com leiaute limpo, sem excluir nenhuma mídia e incentivando a participação ativa dos leitores e blogueiros, a Agência Brasil se destaca por exprimir o óbvio: o esquema emissor-receptor do envio de mensagens já era. Nosso contato com tantas mídias desde criança, a presença e a velocidade da internet e suas novidades, faz com que nossa relação com os meios de comunicação não seja meramente passiva. A Agência Brasil compreeende isso muito bem, e respeita seus leitores nesse sentido.

E mais: é um dos pouquíssimos locais da mídia que discute a própria mídia. As políticas de comunicação do governo também, apresentando os pontos de vista contrários e necessários para uma boa informação. E acompanha passo-a-passo os três poderes, numa linguagem acessível.

Sem contar que todo o conteúdo do site é pela licença Creative Commons, isto é, tudo pode ser replicado e baixado, sem ressalvas. E feito com software livre, passando ao largo dos esquemas midiáticos monopolizantes de Bill Gates e Roberto Marinho.

Portanto, trata-se de uma boa notícia: a Agência Brasil faz o jornalismo que o país precisa.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Não marquem o nome deles!

No último post, deixei o endereço eletrônico do Senado Federal para protestarmos contra a absolvição de Renan Calheiros e cobrar de nossos representantes sobre o voto deles. Pois bem, muitos brasileiros devem ter tomado a mesma decisão, pois o site do Senado ficou fora do ar no dia seguinte à sessão ultra-secreta.

Pois bem, os votos dos senadores foram revelados em seguida (veja aqui), ainda que com algumas inconsistências. Mas os parlamentares do Rio de Janeiro, dessa vez, foram transparentes. Acompanhe:


Marcelo Crivella: abstenção







Paulo Duque (suplente de Sergio Cabral): contra a cassação







Francisco Dornelles: contra a cassação. (Segundo a revista Carta Capital, ele "lembrou aos presentes da sessão ultra-secreta as enrascadas fiscais comuns aos congressistas brasileiros. Punir Renan, insinuou Dornelles, abriria um precedente perigoso")


Portanto, aí, está. Se quisermos fazer diferente mesmo, NÃO votemos nesses cidadãos em uma próxima eleição. Marquem o nome deles. Ou melhor, chegando à urna eletrônica, não marquem!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Uma impotência nacional

O que dizer? Pegaram Renan Calheiros pra ser o pária da vez, elencando seus podres (comuns a muitos senadores) e o empurrando na parede: renúncia ou cassação. O Governo hesitou ou acusou a imprensa, a oposição também não achou nada demais a princípio, mas a pressão pública e dos meios de comunicação fez ambos sairem (oficialmente) de cima do muro. Vieram as representações, uma atrás da outra, a possibilidade do voto aberto e enfim decidiu-se: voto ultra-secreto.

Renan, com tudo quanto é prova de improbidade, é absolvido. Ficou escancarado para todo o país as negociatas espúrias para o arranjo final. Não se sabe até onde vão as demais representações contra o presidente do Senado, mas algo inédito ocorreu: um parlamentar denunciado de múltiplas formas e pressionado pela mídia a cair fora, continuará no cargo. E continuará presidente da casa.

Se nem a pressão da mídia deu jeito, o que fazer? Protestos, abaixo-assinados? Isso já vinha sendo feito. Denúncias na Comissão de Ética? Também. Ainda assim, Renan foi absolvido.

Não sei se você concorda, mas o Brasil brochou legal depois dessa. Ao contrário de Renan (que o diga Mônica Veloso), que seguirá com aquele sorrisinho que ele encarava as manifestações de seus pares no plenário pedindo que renunciasse.

Porque ficou mais claro ainda que a profissão de fé irredutível da maioria do Congresso é dar as costas para o povo. Todo mundo contra, de tudo quanto é matiz ideológica, com indícios suficientes para tirar o mandato... E eles dão um jeito de se esconder, na cara de todo mundo, pra votar contra. Foi a prova cabal de que eles não estão nem aí pra cada um de nós aqui.

Não quero parecer pessimista, nem dar margens para os oportunistas de plantão dizerem que o jeito é a ditadura voltar. Congressistas cínicos são um problema de cultura moral da sociedade, que resvala na democracia. Portanto, nada de dizer que o problema é o sistema democrático.

No entanto, levanto a reflexão: o que fazer? Além do espírito brochante da nação, como fazer para essa situação mudar? Renovar o Congresso nas próximas eleições? Mas muitos repetem a mesma coisa!

A absolvição de Renan Calheiros assim, na cara dura, pode nos fazer pensar sobre que país temos construído em nosso cotidiano. Se acharmos que, já que eles roubam, dá cá o meu, a tendência é que outros episódios como o atual brochante se repitam. Afinal, não haverá mais espanto, apenas banalização cínica. Renan faz o que muitos de nós fazem no seu dia-a-dia. Com a diferença da imunidade parlamentar e da possibilidade de legislar sobre tudo e todos.

Por que é possível Renans e absolvições assim, com tanta facilidade, em nosso país? Deixo a pergunta e o espaço de comentários abaixo pra tentarmos encontrar uma resposta. Acredito que a auto-crítica pra perceber a nossa responsabilidade é necessária, e não somente malhar o Congresso (embora faça parte, por contribuição dos próprios).

E outra: que tal escrever ou ligar para o senador do seu Estado e perguntar no que ele votou? Ele absolveu ou puniu Renan? Ou pior, se absteve covardemente? Se são nossos representantes, devem nos prestar contas. Se não prestam (sem trocadilho), devemos no mínimo perguntar a eles.

Disque Senado: 0800 612211

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vale até domingo

As urnas itinerantes do plebiscito popular contra privatização da Vale do Rio Doce estão espalhadas pelo Centro do Rio. E a votação vai até domingo. Confira aqui a lista de locais e horários:

- 05 de setembro (Quarta) - Praça XV 7h30m às 10h / Saara 10h30m às 13h / Largo da Carioca 11 às 15h

- 06 de setembro (Quinta) - Largo da Carioca 11 às 15h / Central do Brasil 16 às 18h

- 07 de setembro (Sexta) - Aterro do Flamengo 10h

- 08 de setembro (Sábado) - Saara 9h30min às 14h

Para saber de urnas fora do Centro, entre em contato com a organização do plebiscito: avaleenossa@yahoo.com.br.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007


Ele, de novo

Uma colega de trabalho resolveu fazer aniversário. Folgou na sexta e passou o fim de semana com a família, em São Paulo.

Uma segunda-feira resolveu surgir novamente, apresentando o famigerado trânsito da manhã como cartão de visitas.

A colega de trabalho resolveu mostrar os presentes que ela ganhou.

Aí apareceu esse livro aí do lado, com esse título maravilhoso - "De notícias e não notícias faz-se a crônica" - com a foto de ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade lendo um jornal.

Aí você sabe como é, se não sabe leia aqui. Certo é que tremi na base, me emocionei, quis sair do prédio e comprar toda a reimpressão da obra do velhinho, porque isso não se faz comigo numa segunda de manhã. A colega de trabalho me apresenta uma coletânea de crônicas de Drummond que ainda não está na minha coleção, cujo título vem como espada afiada no âmago da identificação inescapável, blogável.

Meu dinheiro não vale muita coisa se não me proporcionar a obra completa do velhinho. Minha segunda-feira vale muita coisa se o velhinho me reaparece assim, de surpresa.

"Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela." (de "Entre palavras").

domingo, 2 de setembro de 2007

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O PAN CONTINUA - PARTE 2

Há alguns dias, postei o relato sobre a morosidade e malandragem da CPI do Pan na Câmara dos Vereadores, instigando os leitores a escrever para os parlamentares que estavam colaborando pra isso.

Não sei quantos escreveram, mas eu e um amigo o fizemos, e tivemos a mesma resposta do vereador Guaraná (é isso mesmo... Foto abaixo) sobre a instalação da CPI:

"CARO MARCOS,

SERÁ INSTALADA DIA 26 DO MES QUE VEM. DURANTE ESSE TEMPO ESTAMOS AGUARDANDO O ENVIO DE DOCUMENTOS QUE SEVIRÃO PARA OS TRABALHOS DA CPI, SEM QUE SE PERCA O TEMPO REGIMENTAL DEFINIDO PARA UMA CPI FUNCIONAR (90 dias).

ATENCIOSAMENTE,

LUIZ ANTONIO GUARANÁ - 3814-2431/2433"

Pra confirmar, perguntei se seria dia 26 de setembro. Resposta, sempre em caixa alta: "EXATO! DE COMUM ACORDO COM TODOS OS MEMBROS". Estranhei. Mas a comissão não estava dividida quanto ao assunto? Como surgiu esse consenso? Na dúvida, escrevi ao vereador Eliomar (foto abaixo), que denunciava em praça pública no Centro do Rio o descaso dos vereadores em referência. Diz ele:

"Marcos André,

A pressão está grande sim e assim que anunciei em plenário o inicio da coleta de assinaturas exigindo a instalação da CPI já. O vereador Guaraná tem demonstrado ter mudado de opinião, mas na verdade quando eles adiaram a instalação, votaram sim o adiamento para 15 de novembro. Atenciosamente, Eliomar"

PORTANTO agora o placar parece, a princípio, 3x2 pró CPI: Eliomar, Guaraná e Patrícia Amorim a favor; Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado, contra. Isso se alguém não mudar de idéia de novo.

Vamos acompanhar. Sempre que possível, prometo novas informações aqui no Lessa27.

E A VALE? É NOSSA OU NÃO É?

Também já postei aqui sobre o plebiscito popular sobre a privatização da Vale do Rio Doce, que vai acontecer na Semana da Pátria. Procure uma urna perto de você - no Centro da cidade, com certeza haverá várias, como no Largo da Carioca. Dentre outras coisas, a vale foi vendida por US$ 3,3 bi, quando valia US$ 92 bi.

Mais informações: http://www.avaleenossa.org.br/

domingo, 26 de agosto de 2007

20 anos sem Drummond



- Mas o senhor não poderia ter esperado mais um pouquinho, pra gente se conhecer??


Como eu gostaria de ter conhecido esse velhinho... Acabei conhecendo-o de outra forma, quando me deparei com seus poemas e crônicas e tomei aquele susto de me ver ali, de alguém falando por mim, meus suspiros traduzidos. É uma experiência quase sobrenatural. E você não é mais o mesmo depois de um troço desses. No mínimo, você ganha uma companhia pro resto da vida, em forma de livro. No máximo, domando toda a pretensão e ousadia possível no momento, você quer virar escritor.

Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade provocaram isso em mim. O mineiro de Itabira, cuja morte aconteceu em 17 de agosto de 1987, me mostrou que eu poderia fazer poemas sem rima ou excessiva formalidade. Ah, o Modernismo e suas rupturas... Mas nem de longe ele me disse que seria fácil fazer poemas, quanto mais um poema bom...

Feito isso, minha nada célebre produção poética ficou na adolescência, com o combustível passional de então, correndo atrás de paixõezinhas que não tinham futuro. Respeitemos as descobertas púberes, e todo mérito a Drummond. A partir dali, bebia de seus poemas e a cada estrofe nova (para mim), era uma nova ode, justa, devida.

Assim como Sabino, quis muito conhecer Drummond. Nem teria como, mas eu queria muito, muito. Não posso ver uma entrevista antiga dele que me vem essa vontade que eu sei ser impossível de realizar. Mas vem! E eu fico naquela tristeza de ter uma saudade de alguém que nunca conheci, e que está intimamente ligado a uma das minhas vocações mais certeiras, que é a de escrever.

Não sei se serei um escritor como Drummond ou Sabino. Nem sou eu quem tenho que dizer. Garanto que não almejo ABLs da vida, porém fico um tantinho revoltado quando vejo textos questionáveis fazendo sucesso ou sendo incensados... Mas Drummond era funcionário público, e escrevia por necessidade de alma. Por acaso genial, foi dos maiores do nosso tempo. Não sei quais serão as conseqüências de meus escritos, mas o propósito com o qual escrevo são os mesmos do velhinho.

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo". E o senhor achava pouco?

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Pan continua!

Passada a festa e o heróico esforço de nossos atletas, que conseguem ser campeões mesmo com a incompetência e corrupção de nossos dirigentes esportivos, é hora de averiguar o que houve com o dinheiro do Pan 2007.

O orçamento estourou, empresas foram escolhidas sem liccitação (todos de compadria de Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro) e agora querem enterrar a CPI do Pan. O seu dinheiro, como contribuinte, foi pro bolso de pouquíssimos larápios, e não querem mais falar nisso.

Os vereadores Eliomar e Patrícia Amorim são votos vencidos para que a CPI do Pan seja feita agora. Luiz Antonio Guaraná, Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado votaram contra, cumprindo orientação do prefeito maluquinho, Cesar Maia, que tem muita responsabilidade nesse Pan (ele sumiu, né, não? O Pan não era carioca?)

O que a gente pode fazer? Encher o saco desses vereadores, pressionar para que eles permitam a instalação imediata da CPI.

CARLO CAIADO - caiado@carlocaiado.com.br - Tel: 3814-2081 a 2083/2513/2514

NADINHO - nadinhoderiodaspedras@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2692 / 2440 / 2441/ 2444

LUIZ ANTONIO GUARANÁ - laguarana@uol.com.br - Tel: 3814 - 2187 e 2189

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Agora, chega! Boicote já!


Não dá para acreditar: Airbus da TAM apresenta problema e não decola no ES. Como uma empresa com tantos históricos de defeitos e acidentes - até o dono morreu num acidente de avião - continua operando sem nenhuma punição? 1996 e 2007 nunca serão esquecidos, agora outro defeito. E aí?

Além disso, as indenizações devidas nem são pagas. Ora, essa companhia aérea não merce mais o nosso respeito, tampouco o nosso dinheiro. Se eu tiver que voar, não será de TAM. E não é medo, não, é despeito assumido mesmo. Pra não agüentar mais desrespeito e marketing goela abaixo. Arre!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Vale o que a gente quiser

Dane-se se a privatização é ou não é a melhor opção. Todo mundo sabe que houve picaretagem braba na entrega da Vale do Rio Doce, com dinheiro público DO ESTADO, e o leilão é questionado por mais de cem ações na justiça!

Aqui você confere a organização de um Plebiscito Nacional sobre a privatização da Vale, que acontece em setembro. Vamos gritar!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Quando chega a nossa hora...



(Rua do Catete)

Meus caros, devo lhes avisar que a minha hora chegou. Como eu esperei que ela chegasse! Chegou. Sem mais expectativas ansiosas, finalmente consegui morar no Catete. Ok, apenas assinei o contrato de aluguel - mas já estou com as chaves! Pra vocês entenderem o significado de tamanho acontecimento, transcrevo abaixo uma crônica pré-internet, escrita há pelo menos sete anos...


FASCÍNIO

O Catete me conquistou. Se algum dia duvidei da predestinação, tal comportamento mudou ao passar pelo Museu da República e caminhar pelas ruas do histórico bairro, com todas as suas particularidades. Não era concreto nas paredes ou asfalto nas ruas: era espelho. Um tradutor simultâneo de minh’alma ao pisar as calçadas que abrigam sebos de alta qualidade e diversidade, restaurantes carismáticos e opções culturais na medida de quem sempre sonhou uma Canaã do tipo e ainda não havia descoberto em sua própria cidade.

O trânsito das pessoas parece mais civilizado do que em quaisquer Londres e afins. Sem a hipocrisia altiva característica dos que são privilegiados por alguma posse e se julgam superiores. Os que podem andar pelo Catete e desfrutar do que o bairro oferece são privilegiados – mas não parecem! Não que não valorizem. Mas é normal, corriqueiro tudo aquilo. O que me deixa fascinado para eles é rotina, e ninguém despreza tal situação.

Os mais críticos já devem ter elaborado todo o seu raciocínio e condenado minha descrição do Catete e minhas reações ao estar lá. Talvez até alguns moradores estejam me vendo como um sonhador, falando de outro lugar, lunático, doidivanas. Têm esse direito. Assim como eu, de relatar identificação – algo por mim tão ressaltado e valorizado, impossível de ser alvo de indiferença e que senti ao passar pelo Catete.

Para notarem que estou no mundo real: o Museu da República, templo de flashbacks; estar em seu interior é ter de novo na memória a Era Vargas e todos os seus desdobramentos. Passo pela livraria e, por ser uma livraria e marcar seu espaço ali, já merece meu respeito e devido mérito. Ando pelos jardins, respiro ar puro no outrora efervescente coração da antiga capital. Extasio-me ao notar o cinema, sétima arte carimbando ali qualidade cultural de primeira.

Enveredo pela Rua do Catete e avisto do outro lado um sebo humilde até no nome: “Sebo”. Nenhuma propaganda além do acervo chamando os necessitados por leitura a saciarem-se por suas portas. Adiante, outro. Depois, mais outro. Antes do Largo do Machado, na Buarque de Macedo, outro. Sinto-me ébrio, mas é só impressão. Ainda vejo outro cinema, mais moderno e uma videolocadora com filmes para além dos superlançamentos.

A discrição do Catete em relação aos demais bairros traz-me a sensação (tentação) de culto à personalidade. No caso, à minha própria, enlevada por descobrir um lugar tão igual a ela. Raramente está na mídia, não possui orla alardeada, esconde-se atrás do Flamengo, à sombra da Glória... E segue exalando cultura e auto-suficiência por todos os seus estabelecimentos. Não precisa da opinião alheia para ratificar sinceridade e transparência, ser o que é e pronto. Humilde ainda por cima.

Todo esse “delírio real” incontestável é interrompido pelo início de uma depressão que será constante até o fim do dia. Um “banzo” contrário ao vivido pelos escravos. Pois se estes padeciam pela saudade atroz de sua terra natal, eu sofria por antecipação. A certeza de que precisaria deixar o Catete e voltar pra casa na hora devida cortava-me a sangue frio, como vento gélido na ferida aberta. Não, ainda não moro no Catete. Não tenho motivo algum para ali pernoitar. Nada do meu dia-a-dia encontra-se no Catete. São gemidos que se compõem como trilha sonora de minha volta ao ponto de ônibus. Mas tendo a esperança planejada de meu ponto final ser no bairro que me pertence desde que sei que a ele pertenço.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Gente humilde

É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Senão, a gente perde grandes baratos por causa de orgulho besta.

Você ganha um CD que a princípio você odiaria, a despeito da recomendação de amigos que sabem o fino da música brasileira. Aquele constrangimento e tal, encosta o CD na estante naquele dia.

Depois ouve um pouco e vê que estava enganado, preconceituoso. Mas, pelas tarefas cotidianas, o CD acaba esquecido, como os outros.

Aí o CD ressurge numa arrumação dessas, vem à tona dos ouvidos novamente e você se sente até mais maduro para curtir a boa música, seus arranjos e letras, seu contexto histórico. Tudo o que eleva a qualidade, incentivando o play it again.

Mas você só aproveita se largar de mão o orgulhinho besta que diz: "Você odiou no começo, vai mudar de idéia, maria-vai-com-as-outras?". E a lógica prossegue pra um monte de coisas nessa vida.

É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Reconhecer que você não estava tão senhor de si assim. Sabichão que pensa que tudo sabe e descarta "os inferiores" que, pelo seu critério, não te acrescentarão muita coisa.

Assistir documentários exercita essa humildade. Percebe lá a sabedoria de quem não é famoso, nem célebre, nem reconhecido em público. Mas calhou de ter uma câmera curiosa sabe-se lá de onde, registrando e ouvindo, e depois repassando nas telas. Quem tem ouvidos pra ouvir, ouça. Quem pode olhar, vê se vê.

Aproveita.