Vale até domingo
As urnas itinerantes do plebiscito popular contra privatização da Vale do Rio Doce estão espalhadas pelo Centro do Rio. E a votação vai até domingo. Confira aqui a lista de locais e horários:
- 05 de setembro (Quarta) - Praça XV 7h30m às 10h / Saara 10h30m às 13h / Largo da Carioca 11 às 15h
- 06 de setembro (Quinta) - Largo da Carioca 11 às 15h / Central do Brasil 16 às 18h
- 07 de setembro (Sexta) - Aterro do Flamengo 10h
- 08 de setembro (Sábado) - Saara 9h30min às 14h
Para saber de urnas fora do Centro, entre em contato com a organização do plebiscito: avaleenossa@yahoo.com.br.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Ele, de novo
Uma colega de trabalho resolveu fazer aniversário. Folgou na sexta e passou o fim de semana com a família, em São Paulo.
Uma segunda-feira resolveu surgir novamente, apresentando o famigerado trânsito da manhã como cartão de visitas.
A colega de trabalho resolveu mostrar os presentes que ela ganhou.
Aí apareceu esse livro aí do lado, com esse título maravilhoso - "De notícias e não notícias faz-se a crônica" - com a foto de ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade lendo um jornal.
Aí você sabe como é, se não sabe leia aqui. Certo é que tremi na base, me emocionei, quis sair do prédio e comprar toda a reimpressão da obra do velhinho, porque isso não se faz comigo numa segunda de manhã. A colega de trabalho me apresenta uma coletânea de crônicas de Drummond que ainda não está na minha coleção, cujo título vem como espada afiada no âmago da identificação inescapável, blogável.
Meu dinheiro não vale muita coisa se não me proporcionar a obra completa do velhinho. Minha segunda-feira vale muita coisa se o velhinho me reaparece assim, de surpresa.
"Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela." (de "Entre palavras").
Uma colega de trabalho resolveu fazer aniversário. Folgou na sexta e passou o fim de semana com a família, em São Paulo.
Uma segunda-feira resolveu surgir novamente, apresentando o famigerado trânsito da manhã como cartão de visitas.
A colega de trabalho resolveu mostrar os presentes que ela ganhou.
Aí apareceu esse livro aí do lado, com esse título maravilhoso - "De notícias e não notícias faz-se a crônica" - com a foto de ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade lendo um jornal.
Aí você sabe como é, se não sabe leia aqui. Certo é que tremi na base, me emocionei, quis sair do prédio e comprar toda a reimpressão da obra do velhinho, porque isso não se faz comigo numa segunda de manhã. A colega de trabalho me apresenta uma coletânea de crônicas de Drummond que ainda não está na minha coleção, cujo título vem como espada afiada no âmago da identificação inescapável, blogável.
Meu dinheiro não vale muita coisa se não me proporcionar a obra completa do velhinho. Minha segunda-feira vale muita coisa se o velhinho me reaparece assim, de surpresa.
"Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela." (de "Entre palavras").
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domingo, 2 de setembro de 2007
Medo!
Governo do Rio prepara operação no morro do Alemão
Pra quem não sabe (ou não lembra) o que aconteceu da última vez, leia aqui.
Governo do Rio prepara operação no morro do Alemão
Pra quem não sabe (ou não lembra) o que aconteceu da última vez, leia aqui.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007
O PAN CONTINUA - PARTE 2
Há alguns dias, postei o relato sobre a morosidade e malandragem da CPI do Pan na Câmara dos Vereadores, instigando os leitores a escrever para os parlamentares que estavam colaborando pra isso.
Não sei quantos escreveram, mas eu e um amigo o fizemos, e tivemos a mesma resposta do vereador Guaraná (é isso mesmo... Foto abaixo) sobre a instalação da CPI:
"CARO MARCOS,
SERÁ INSTALADA DIA 26 DO MES QUE VEM. DURANTE ESSE TEMPO ESTAMOS AGUARDANDO O ENVIO DE DOCUMENTOS QUE SEVIRÃO PARA OS TRABALHOS DA CPI, SEM QUE SE PERCA O TEMPO REGIMENTAL DEFINIDO PARA UMA CPI FUNCIONAR (90 dias).
ATENCIOSAMENTE,
LUIZ ANTONIO GUARANÁ - 3814-2431/2433"
Pra confirmar, perguntei se seria dia 26 de setembro. Resposta, sempre em caixa alta: "EXATO! DE COMUM ACORDO COM TODOS OS MEMBROS". Estranhei. Mas a comissão não estava dividida quanto ao assunto? Como surgiu esse consenso? Na dúvida, escrevi ao vereador Eliomar (foto abaixo), que denunciava em praça pública no Centro do Rio o descaso dos vereadores em referência. Diz ele:
"Marcos André,
A pressão está grande sim e assim que anunciei em plenário o inicio da coleta de assinaturas exigindo a instalação da CPI já. O vereador Guaraná tem demonstrado ter mudado de opinião, mas na verdade quando eles adiaram a instalação, votaram sim o adiamento para 15 de novembro. Atenciosamente, Eliomar"
PORTANTO agora o placar parece, a princípio, 3x2 pró CPI: Eliomar, Guaraná e Patrícia Amorim a favor; Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado, contra. Isso se alguém não mudar de idéia de novo.
Vamos acompanhar. Sempre que possível, prometo novas informações aqui no Lessa27.
E A VALE? É NOSSA OU NÃO É?
Também já postei aqui sobre o plebiscito popular sobre a privatização da Vale do Rio Doce, que vai acontecer na Semana da Pátria. Procure uma urna perto de você - no Centro da cidade, com certeza haverá várias, como no Largo da Carioca. Dentre outras coisas, a vale foi vendida por US$ 3,3 bi, quando valia US$ 92 bi.
Mais informações: http://www.avaleenossa.org.br/
Há alguns dias, postei o relato sobre a morosidade e malandragem da CPI do Pan na Câmara dos Vereadores, instigando os leitores a escrever para os parlamentares que estavam colaborando pra isso.
Não sei quantos escreveram, mas eu e um amigo o fizemos, e tivemos a mesma resposta do vereador Guaraná (é isso mesmo... Foto abaixo) sobre a instalação da CPI:
"CARO MARCOS,
SERÁ INSTALADA DIA 26 DO MES QUE VEM. DURANTE ESSE TEMPO ESTAMOS AGUARDANDO O ENVIO DE DOCUMENTOS QUE SEVIRÃO PARA OS TRABALHOS DA CPI, SEM QUE SE PERCA O TEMPO REGIMENTAL DEFINIDO PARA UMA CPI FUNCIONAR (90 dias).
ATENCIOSAMENTE,

LUIZ ANTONIO GUARANÁ - 3814-2431/2433"
Pra confirmar, perguntei se seria dia 26 de setembro. Resposta, sempre em caixa alta: "EXATO! DE COMUM ACORDO COM TODOS OS MEMBROS". Estranhei. Mas a comissão não estava dividida quanto ao assunto? Como surgiu esse consenso? Na dúvida, escrevi ao vereador Eliomar (foto abaixo), que denunciava em praça pública no Centro do Rio o descaso dos vereadores em referência. Diz ele:
"Marcos André,
A pressão está grande sim e assim que anunciei em plenário o inicio da coleta de assinaturas exigindo a instalação da CPI já. O vereador Guaraná tem demonstrado ter mudado de opinião, mas na verdade quando eles adiaram a instalação, votaram sim o adiamento para 15 de novembro. Atenciosamente, Eliomar"

PORTANTO agora o placar parece, a princípio, 3x2 pró CPI: Eliomar, Guaraná e Patrícia Amorim a favor; Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado, contra. Isso se alguém não mudar de idéia de novo.
Vamos acompanhar. Sempre que possível, prometo novas informações aqui no Lessa27.
E A VALE? É NOSSA OU NÃO É?
Também já postei aqui sobre o plebiscito popular sobre a privatização da Vale do Rio Doce, que vai acontecer na Semana da Pátria. Procure uma urna perto de você - no Centro da cidade, com certeza haverá várias, como no Largo da Carioca. Dentre outras coisas, a vale foi vendida por US$ 3,3 bi, quando valia US$ 92 bi.
Mais informações: http://www.avaleenossa.org.br/
domingo, 26 de agosto de 2007
20 anos sem Drummond

Como eu gostaria de ter conhecido esse velhinho... Acabei conhecendo-o de outra forma, quando me deparei com seus poemas e crônicas e tomei aquele susto de me ver ali, de alguém falando por mim, meus suspiros traduzidos. É uma experiência quase sobrenatural. E você não é mais o mesmo depois de um troço desses. No mínimo, você ganha uma companhia pro resto da vida, em forma de livro. No máximo, domando toda a pretensão e ousadia possível no momento, você quer virar escritor.
Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade provocaram isso em mim. O mineiro de Itabira, cuja morte aconteceu em 17 de agosto de 1987, me mostrou que eu poderia fazer poemas sem rima ou excessiva formalidade. Ah, o Modernismo e suas rupturas... Mas nem de longe ele me disse que seria fácil fazer poemas, quanto mais um poema bom...
Feito isso, minha nada célebre produção poética ficou na adolescência, com o combustível passional de então, correndo atrás de paixõezinhas que não tinham futuro. Respeitemos as descobertas púberes, e todo mérito a Drummond. A partir dali, bebia de seus poemas e a cada estrofe nova (para mim), era uma nova ode, justa, devida.
Assim como Sabino, quis muito conhecer Drummond. Nem teria como, mas eu queria muito, muito. Não posso ver uma entrevista antiga dele que me vem essa vontade que eu sei ser impossível de realizar. Mas vem! E eu fico naquela tristeza de ter uma saudade de alguém que nunca conheci, e que está intimamente ligado a uma das minhas vocações mais certeiras, que é a de escrever.
Não sei se serei um escritor como Drummond ou Sabino. Nem sou eu quem tenho que dizer. Garanto que não almejo ABLs da vida, porém fico um tantinho revoltado quando vejo textos questionáveis fazendo sucesso ou sendo incensados... Mas Drummond era funcionário público, e escrevia por necessidade de alma. Por acaso genial, foi dos maiores do nosso tempo. Não sei quais serão as conseqüências de meus escritos, mas o propósito com o qual escrevo são os mesmos do velhinho.
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo". E o senhor achava pouco?

- Mas o senhor não poderia ter esperado mais um pouquinho, pra gente se conhecer??
Como eu gostaria de ter conhecido esse velhinho... Acabei conhecendo-o de outra forma, quando me deparei com seus poemas e crônicas e tomei aquele susto de me ver ali, de alguém falando por mim, meus suspiros traduzidos. É uma experiência quase sobrenatural. E você não é mais o mesmo depois de um troço desses. No mínimo, você ganha uma companhia pro resto da vida, em forma de livro. No máximo, domando toda a pretensão e ousadia possível no momento, você quer virar escritor.
Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade provocaram isso em mim. O mineiro de Itabira, cuja morte aconteceu em 17 de agosto de 1987, me mostrou que eu poderia fazer poemas sem rima ou excessiva formalidade. Ah, o Modernismo e suas rupturas... Mas nem de longe ele me disse que seria fácil fazer poemas, quanto mais um poema bom...
Feito isso, minha nada célebre produção poética ficou na adolescência, com o combustível passional de então, correndo atrás de paixõezinhas que não tinham futuro. Respeitemos as descobertas púberes, e todo mérito a Drummond. A partir dali, bebia de seus poemas e a cada estrofe nova (para mim), era uma nova ode, justa, devida.
Assim como Sabino, quis muito conhecer Drummond. Nem teria como, mas eu queria muito, muito. Não posso ver uma entrevista antiga dele que me vem essa vontade que eu sei ser impossível de realizar. Mas vem! E eu fico naquela tristeza de ter uma saudade de alguém que nunca conheci, e que está intimamente ligado a uma das minhas vocações mais certeiras, que é a de escrever.
Não sei se serei um escritor como Drummond ou Sabino. Nem sou eu quem tenho que dizer. Garanto que não almejo ABLs da vida, porém fico um tantinho revoltado quando vejo textos questionáveis fazendo sucesso ou sendo incensados... Mas Drummond era funcionário público, e escrevia por necessidade de alma. Por acaso genial, foi dos maiores do nosso tempo. Não sei quais serão as conseqüências de meus escritos, mas o propósito com o qual escrevo são os mesmos do velhinho.
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo". E o senhor achava pouco?
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sexta-feira, 24 de agosto de 2007
O Pan continua!
Passada a festa e o heróico esforço de nossos atletas, que conseguem ser campeões mesmo com a incompetência e corrupção de nossos dirigentes esportivos, é hora de averiguar o que houve com o dinheiro do Pan 2007.
O orçamento estourou, empresas foram escolhidas sem liccitação (todos de compadria de Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro) e agora querem enterrar a CPI do Pan. O seu dinheiro, como contribuinte, foi pro bolso de pouquíssimos larápios, e não querem mais falar nisso.
Os vereadores Eliomar e Patrícia Amorim são votos vencidos para que a CPI do Pan seja feita agora. Luiz Antonio Guaraná, Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado votaram contra, cumprindo orientação do prefeito maluquinho, Cesar Maia, que tem muita responsabilidade nesse Pan (ele sumiu, né, não? O Pan não era carioca?)
O que a gente pode fazer? Encher o saco desses vereadores, pressionar para que eles permitam a instalação imediata da CPI.
CARLO CAIADO - caiado@carlocaiado.com.br - Tel: 3814-2081 a 2083/2513/2514
NADINHO - nadinhoderiodaspedras@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2692 / 2440 / 2441/ 2444
LUIZ ANTONIO GUARANÁ - laguarana@uol.com.br - Tel: 3814 - 2187 e 2189
Passada a festa e o heróico esforço de nossos atletas, que conseguem ser campeões mesmo com a incompetência e corrupção de nossos dirigentes esportivos, é hora de averiguar o que houve com o dinheiro do Pan 2007.
O orçamento estourou, empresas foram escolhidas sem liccitação (todos de compadria de Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro) e agora querem enterrar a CPI do Pan. O seu dinheiro, como contribuinte, foi pro bolso de pouquíssimos larápios, e não querem mais falar nisso.
Os vereadores Eliomar e Patrícia Amorim são votos vencidos para que a CPI do Pan seja feita agora. Luiz Antonio Guaraná, Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado votaram contra, cumprindo orientação do prefeito maluquinho, Cesar Maia, que tem muita responsabilidade nesse Pan (ele sumiu, né, não? O Pan não era carioca?)
O que a gente pode fazer? Encher o saco desses vereadores, pressionar para que eles permitam a instalação imediata da CPI.
CARLO CAIADO - caiado@carlocaiado.com.br - Tel: 3814-2081 a 2083/2513/2514
NADINHO - nadinhoderiodaspedras@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2692 / 2440 / 2441/ 2444
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sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Campanha duca!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Agora, chega! Boicote já!

Não dá para acreditar: Airbus da TAM apresenta problema e não decola no ES. Como uma empresa com tantos históricos de defeitos e acidentes - até o dono morreu num acidente de avião - continua operando sem nenhuma punição? 1996 e 2007 nunca serão esquecidos, agora outro defeito. E aí?
Além disso, as indenizações devidas nem são pagas. Ora, essa companhia aérea não merce mais o nosso respeito, tampouco o nosso dinheiro. Se eu tiver que voar, não será de TAM. E não é medo, não, é despeito assumido mesmo. Pra não agüentar mais desrespeito e marketing goela abaixo. Arre!

Não dá para acreditar: Airbus da TAM apresenta problema e não decola no ES. Como uma empresa com tantos históricos de defeitos e acidentes - até o dono morreu num acidente de avião - continua operando sem nenhuma punição? 1996 e 2007 nunca serão esquecidos, agora outro defeito. E aí?
Além disso, as indenizações devidas nem são pagas. Ora, essa companhia aérea não merce mais o nosso respeito, tampouco o nosso dinheiro. Se eu tiver que voar, não será de TAM. E não é medo, não, é despeito assumido mesmo. Pra não agüentar mais desrespeito e marketing goela abaixo. Arre!
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Vale o que a gente quiser
Dane-se se a privatização é ou não é a melhor opção. Todo mundo sabe que houve picaretagem braba na entrega da Vale do Rio Doce, com dinheiro público DO ESTADO, e o leilão é questionado por mais de cem ações na justiça!
Aqui você confere a organização de um Plebiscito Nacional sobre a privatização da Vale, que acontece em setembro. Vamos gritar!
Dane-se se a privatização é ou não é a melhor opção. Todo mundo sabe que houve picaretagem braba na entrega da Vale do Rio Doce, com dinheiro público DO ESTADO, e o leilão é questionado por mais de cem ações na justiça!
Aqui você confere a organização de um Plebiscito Nacional sobre a privatização da Vale, que acontece em setembro. Vamos gritar!
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Quando chega a nossa hora...

(Rua do Catete)
Meus caros, devo lhes avisar que a minha hora chegou. Como eu esperei que ela chegasse! Chegou. Sem mais expectativas ansiosas, finalmente consegui morar no Catete. Ok, apenas assinei o contrato de aluguel - mas já estou com as chaves! Pra vocês entenderem o significado de tamanho acontecimento, transcrevo abaixo uma crônica pré-internet, escrita há pelo menos sete anos...
FASCÍNIO
O Catete me conquistou. Se algum dia duvidei da predestinação, tal comportamento mudou ao passar pelo Museu da República e caminhar pelas ruas do histórico bairro, com todas as suas particularidades. Não era concreto nas paredes ou asfalto nas ruas: era espelho. Um tradutor simultâneo de minh’alma ao pisar as calçadas que abrigam sebos de alta qualidade e diversidade, restaurantes carismáticos e opções culturais na medida de quem sempre sonhou uma Canaã do tipo e ainda não havia descoberto em sua própria cidade.
O trânsito das pessoas parece mais civilizado do que em quaisquer Londres e afins. Sem a hipocrisia altiva característica dos que são privilegiados por alguma posse e se julgam superiores. Os que podem andar pelo Catete e desfrutar do que o bairro oferece são privilegiados – mas não parecem! Não que não valorizem. Mas é normal, corriqueiro tudo aquilo. O que me deixa fascinado para eles é rotina, e ninguém despreza tal situação.
Os mais críticos já devem ter elaborado todo o seu raciocínio e condenado minha descrição do Catete e minhas reações ao estar lá. Talvez até alguns moradores estejam me vendo como um sonhador, falando de outro lugar, lunático, doidivanas. Têm esse direito. Assim como eu, de relatar identificação – algo por mim tão ressaltado e valorizado, impossível de ser alvo de indiferença e que senti ao passar pelo Catete.
Para notarem que estou no mundo real: o Museu da República, templo de flashbacks; estar em seu interior é ter de novo na memória a Era Vargas e todos os seus desdobramentos. Passo pela livraria e, por ser uma livraria e marcar seu espaço ali, já merece meu respeito e devido mérito. Ando pelos jardins, respiro ar puro no outrora efervescente coração da antiga capital. Extasio-me ao notar o cinema, sétima arte carimbando ali qualidade cultural de primeira.
Enveredo pela Rua do Catete e avisto do outro lado um sebo humilde até no nome: “Sebo”. Nenhuma propaganda além do acervo chamando os necessitados por leitura a saciarem-se por suas portas. Adiante, outro. Depois, mais outro. Antes do Largo do Machado, na Buarque de Macedo, outro. Sinto-me ébrio, mas é só impressão. Ainda vejo outro cinema, mais moderno e uma videolocadora com filmes para além dos superlançamentos.
A discrição do Catete em relação aos demais bairros traz-me a sensação (tentação) de culto à personalidade. No caso, à minha própria, enlevada por descobrir um lugar tão igual a ela. Raramente está na mídia, não possui orla alardeada, esconde-se atrás do Flamengo, à sombra da Glória... E segue exalando cultura e auto-suficiência por todos os seus estabelecimentos. Não precisa da opinião alheia para ratificar sinceridade e transparência, ser o que é e pronto. Humilde ainda por cima.
Todo esse “delírio real” incontestável é interrompido pelo início de uma depressão que será constante até o fim do dia. Um “banzo” contrário ao vivido pelos escravos. Pois se estes padeciam pela saudade atroz de sua terra natal, eu sofria por antecipação. A certeza de que precisaria deixar o Catete e voltar pra casa na hora devida cortava-me a sangue frio, como vento gélido na ferida aberta. Não, ainda não moro no Catete. Não tenho motivo algum para ali pernoitar. Nada do meu dia-a-dia encontra-se no Catete. São gemidos que se compõem como trilha sonora de minha volta ao ponto de ônibus. Mas tendo a esperança planejada de meu ponto final ser no bairro que me pertence desde que sei que a ele pertenço.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Gente humilde
É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Senão, a gente perde grandes baratos por causa de orgulho besta.
Você ganha um CD que a princípio você odiaria, a despeito da recomendação de amigos que sabem o fino da música brasileira. Aquele constrangimento e tal, encosta o CD na estante naquele dia.
Depois ouve um pouco e vê que estava enganado, preconceituoso. Mas, pelas tarefas cotidianas, o CD acaba esquecido, como os outros.
Aí o CD ressurge numa arrumação dessas, vem à tona dos ouvidos novamente e você se sente até mais maduro para curtir a boa música, seus arranjos e letras, seu contexto histórico. Tudo o que eleva a qualidade, incentivando o play it again.
Mas você só aproveita se largar de mão o orgulhinho besta que diz: "Você odiou no começo, vai mudar de idéia, maria-vai-com-as-outras?". E a lógica prossegue pra um monte de coisas nessa vida.
É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Reconhecer que você não estava tão senhor de si assim. Sabichão que pensa que tudo sabe e descarta "os inferiores" que, pelo seu critério, não te acrescentarão muita coisa.
Assistir documentários exercita essa humildade. Percebe lá a sabedoria de quem não é famoso, nem célebre, nem reconhecido em público. Mas calhou de ter uma câmera curiosa sabe-se lá de onde, registrando e ouvindo, e depois repassando nas telas. Quem tem ouvidos pra ouvir, ouça. Quem pode olhar, vê se vê.
Aproveita.
É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Senão, a gente perde grandes baratos por causa de orgulho besta.
Você ganha um CD que a princípio você odiaria, a despeito da recomendação de amigos que sabem o fino da música brasileira. Aquele constrangimento e tal, encosta o CD na estante naquele dia.
Depois ouve um pouco e vê que estava enganado, preconceituoso. Mas, pelas tarefas cotidianas, o CD acaba esquecido, como os outros.
Aí o CD ressurge numa arrumação dessas, vem à tona dos ouvidos novamente e você se sente até mais maduro para curtir a boa música, seus arranjos e letras, seu contexto histórico. Tudo o que eleva a qualidade, incentivando o play it again.
Mas você só aproveita se largar de mão o orgulhinho besta que diz: "Você odiou no começo, vai mudar de idéia, maria-vai-com-as-outras?". E a lógica prossegue pra um monte de coisas nessa vida.
É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Reconhecer que você não estava tão senhor de si assim. Sabichão que pensa que tudo sabe e descarta "os inferiores" que, pelo seu critério, não te acrescentarão muita coisa.
Assistir documentários exercita essa humildade. Percebe lá a sabedoria de quem não é famoso, nem célebre, nem reconhecido em público. Mas calhou de ter uma câmera curiosa sabe-se lá de onde, registrando e ouvindo, e depois repassando nas telas. Quem tem ouvidos pra ouvir, ouça. Quem pode olhar, vê se vê.
Aproveita.
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sexta-feira, 20 de julho de 2007
Não se pode elogiar mesmo...

Nada como um dia após o outro. Ontem, destaquei a primeira página do Globo como exemplo do que a imprensa deve ser, fiscalizando o poder em nome da sociedade, com responsabilidade.
Hoje, parece que o Globo voltou ao normal...
Seqüência de três fotos mostram o momento em que o assessor da presidência Marco Aurélio Garcia e um companheiro de trabalho comemoram a notícia de que o avião da teria um defeito, tirando Governo e órgãos de controle da aviação do papel de possíveis culpados pela tragédia. Não bastando, os dois fazem gestos bem conhecidos de todo brasileiro: o top, top, top, mandando tomar lá; e outro, dizendo que os inimigos se auto-fornicaram (copyright: LFV).
Primeiro: qual a necessidade de colocar essas fotos na primeira página? E mais: quais as conseqüências? Porque, para um povo ainda sensibilizado e revoltado com a tragédia, ver pessoas ligadas ao Governo Brasileiro com esse tipo de reação não ajuda em nada. Ao mesmo, tempo, nada informa. Ou melhor informarIA que eles ficaram felizes pela responsabilidade não ser deles.
Eu te pergunto: você reagiria diferente? Você, sendo um dos responsáveis pelo funcionamento da Nação e de seus espaços áereos, vê uma tragédia dessas acontecer. Cerca de 200 pessoas mortas. Ao se dar conta que você não foi responsável por isso - como estava sendo anunciado e suspeitado, com certa razão - você não ficaria aliviado?
(Não vou nem levar em consideração os gestos obscenos. Ficar discutindo isso é moralismo babaca que não vai nos levar a lugar algum.)
A edição da notícia induz o leitor a encarar a reação dos assessores como uma leviandade do Governo diante do drama das vítimas. O leitor pode pensar que estou defendendo o Governo com unhas e dentes. Na verdade, defendo um jornalismo responsável, queixa recorrente nessas queridas linhas blogueiras.
Outra questão é da visibilidade do canal de comunicação: já imaginou se o país inteiro flagrasse as piadas que você conta para os colegas de trabalho? O que pensaríamos de você, hein? Retirar do contexto privado uma conversa e transferi-la para um canal público traz sérias conseqüências, que devem ser muito bem pensadas antes de serem publicadas. Vide os grampos da PF, que ao serem vazados a torto e a direito transformaram alguns citados em culpados, e depois que nada é provado contra os mesmos fica a sensação da impunidade. Dessa vez, provocada pela falta de noção para levar as informações a público.
Bem disse meu colega Henrique, quase-profeta, comentando o post anterior: "Lessa,concordo com você, mas temos que manter o cuidado com a imprensa. Há uma grande companhia envolvida e até agora não foi demonstrado se o acidente foi provocado por problemas com a pista ou foi fruto de um erro humano. Esse é um excelente momento para bater nos órgãos federais que controlam a aviação, mas ainda não há provas de conexão entre os problemas de apagão aéreo e este trágico acidente".
Senão, top, top, top pra todos nós...
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TOP
quinta-feira, 19 de julho de 2007
A gente precisa dessa imprensa
A capa do Globo de hoje denota o que vem a ser um jornalismo que o povo brasileiro tanto necessita: um fiscalizador responsável dos detentores do poder, em nome do interesse público, sem ignorar a verdade factual.
Quem me conhece (e que lê este blog) sabe que não morro de amores pelo referido jornal, ou pela atual imprensa brasileira. Mas, com justiça, preciso ressaltar quando eles acertam e fazem diferença (pra melhor) na sociedade.
Enumerar os milhões de órgãos "responsáveis" pela aviação brasileira e inquirir, em nome da população, quem vai resolver, de fato, o caos áereo após uma tragédia - mais uma - é dever da imprensa que tem voz. É bem melhor, mais maduro e mais útil do que simplesmente fomentar picuinhas políticas, histórias de alcova e Big Brothers Boçais.
A primeira página do Globo de hoje deve ser objeto de reflexão do próprio Globo e dos demais veículos, em nome dos anseios da população: queremos informação responsável, com credibilidade, humanizante em vez de mercadológica, necessária para nossa sobrevivência diária.
Que não precise cair outro avião para a imprensa redescobrir seu verdadeiro papel.
sexta-feira, 6 de julho de 2007

Você mora no Complexo do Alemão?
Se você não mora e quer saber o que acontece com os habitantes de lá durante a ocupação das favelas, leia o texto abaixo.
Se você não mora e já tem opinião formada sobre a "ofensiva de segurança" da polícia, leia o texto abaixo.
"Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todos os que assistem a esta sessão ou nela trabalham:Por designação do Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Deputado Luiz Couto, representei esse colegiado parlamentar, em visita à comunidade da Grota, no Complexo do Alemão, na Cidade do Rio de Janeiro, alvo de forte ação das forças de segurança pública.Por tratar-se de um acontecimento de repercussão nacional, apresento, para conhecimento e reflexão desse plenário, o relatório de nossas atividades naquela localidade.
POLÍTICA CONSEQÜENTE DE SEGURANÇA OU ESPETÁCULO LETAL DE ABERTURA DO PAN?
O relato de uma visita à comunidade da Grota, no Complexo do Alemão, durante a tarde de sábado, último dia de junho de 2007."Quem usa o sapato sabe onde o calo dói", ensina a sabedoria popular. Para se ter a dimensão exata da ação das forças de segurança na última quarta-feira, 27 de junho, no Complexo do Alemão, não basta ouvir as autoridades e a opinião da sociedade que não vive lá. Tratou-se de uma atividade vinculada a uma política pública: os 1.350 policiais militares, civis e da Força Nacional que participaram da operação são servidores e os veículos blindados e helicópteros que os apoiaram também são custeados pelo contribuinte.
Logo, esta operação, realizada, em tese, para a defesa da população e do bem-comum, precisa ser avaliada também pelos 200 mil moradores da região afetada. A esses, em geral, não se dá a palavra: apenas se promete, de forma paternalista, um "futuro melhor, de cuidados". Para ouvir estes silenciados, parlamentares das Comissões de Direitos Humanos da ALERJ e da Câmara dos Deputados lá estivemos. Todos compartilhamos da certeza de que é necessário que o Estado esteja presente nas áreas pobres, onde hoje, sabidamente, o poder despótico do varejo armado de drogas ilícitas tem amplo controle. Todos entendemos que é urgente o estancamento da oferta de armas e o desarmamento dos grupos que se beneficiam com esse comércio, tão mais próspero quanto mais gente - no sossego de seus bairros mais bem tratados, onde também residem os "barões" do negócio transnacional - se torna usuária e dependente dos produtos químicos. Todos escolhemos, secretário Beltrame, viver em paz e sob a proteção do Poder Público, legal, legítimo e controlável pela cidadania.
Na sede do "Afro-Reggae", que realiza belo trabalho sócio-cultural na comunidade da Grota, nós e lideranças comunitárias ouvimos duas dezenas de moradores que viveram integralmente as horas de pânico com a incursão militar na favela. De imediato, destaque-se isso: foi uma incursão, um "ataque", uma ofensiva. Não uma ocupação, o passo inicial de uma presença permanente, um apoio para a imediata inserção da outra face, indispensável, do Poder Público, com sua assistência social, educacional, cultural, sanitária, de estímulo à agregação comunitária.
Um soldado da Guarda Nacional, postado na entrada da via de acesso à Grota, perguntou preocupado: "Mas vocês vão entrar?" "Não estaremos em segurança, não há uma ocupação?", indagamos. E ele, visivelmente incomodado: "Não tenho essa informação".
A única novidade dessa operação foi a sua potência, que também gerou atrocidades maiores contra quem não tem nada a ver com o conflito e devia ser respeitado como cidadão. Eles vieram para matar e não para prender ninguém. Isso só fez aumentar a raiva e a revolta dos moradores. Vê lá se em bairros chiques ou de classe média eles iam agir assim!"O que é este "agir assim"? Para além do inevitável tiroteio, que furou paredes de casas e caixas d´água, e da positiva captura de arsenais, houve dezenas de casas arrombadas, invadidas e saqueadas - na contabilização das perdas materiais, moradores, devidamente identificados pela OAB, registraram o sumiço de celulares, dinheiro, documentos pessoais, cds e dvds, utensílios de cozinha (inclusive facas), alimentos, peças de vestuário, calçados e até brinquedos, além da destruição de móveis e eletrodomésticos.
Automóveis também foram arrombados, com seus rádios e ferramentas roubados. Uma kombi, cujo proprietário tem todos os documentos em dia, e que era seu ganha-pão, depois de ser utilizada pela força policial (que a acionou com ligação direta), inclusive para transportar corpos, foi incinerada. A dona de um barzinho ainda faz o levantamento do prejuízo com a "ocupação" de seu estabelecimento por policiais, que zeraram seu estoque de bebidas e quitutes, além de levarem um par de tênis e um celular.
O "agir assim", ao arrepio da lei, significou situações ainda mais graves, como pelo menos duas execuções sumárias, de possíveis traficantes desarmados e imobilizados, relatadas em detalhes por testemunhas, que dizem ter "nascido de novo": um pai de cinco filhos, mostrando os sinais de sangue no exato local da eliminação que assistiu, apavorado, e um jovem de 14 anos.
O espírito de muitos dos "agentes da ordem pública", no relatado pelos que por eles foram abordados, era de absoluta intolerância e agressividade, além do procedimento corrompido que os inaceitáveis roubos e furtos, já descritos confirmam. Um jovem detido foi indagado, aos gritos, se acreditava "no diabo". Face à negativa, o policial disse, iniciando o espancamento: "pois sou filho dele, você vai conhecer agora!". Um senhor, cuja casa se tornara "base de operações" sem seu consentimento, ousou dizer que estava havendo "abuso de autoridade". Além do tapa, ouviu que "autoridade aqui sou eu e cale a boca se não quiser ir pra vala!". São esses que celebram como vitória o saldo de, até agora, 44 mortos e uma centena de feridos, cujo óbito é justificado genericamente por "ligação com o crime".
O senso comum aplaude. Há membros destacados das tropas do Estado que não escondem o sonho de "ir para o Iraque". Bush sentir-se-ia bem com soldados assim.Ao fim de nossa visita, a comunidade vivia sua rotina do anoitecer de um sábado: rostos sofridos de senhoras nas janelas, jovens conversando ou jogando carteado, sob desbotados cartazes de candidatos que nunca mais apareceram, sons de preces e funks e batuques no ar, esgoto a céu aberto onde ratazanas passeavam, tvs nos bares transmitindo o jogo inaugural do "Engenhão", o estádio do Pan, trabalhadores voltando para casa, com sacolas de compras na mão. Vida pulsando, tensa. E a pujante e constrangedora atividade do "movimento", como sempre.
Meninos de seis a oito anos corriam na viela atrás da bola, alegres, observados por outros tantos pouco mais velhos que eles, muito bem armados e ciosos do seu poder de mando. A lua cheia reforçava o contorno do horizonte crepuscular, com as casas humildes desalinhando o perfil da montanha. O Poder Público já tinha, há muito, ido embora dali. Todos - que o aspiram como prestador de serviços, promotor de oportunidade e garantidor de direitos - temem que ele volte do mesmo jeito: não como solução social continuada, e sim como horror e destruição."
(Pronunciamento do deputado Chico Alencar, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara)
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domingo, 1 de julho de 2007
Vocês façam-me o favor...
Robinho, magrelinho daquele jeito, nem chutar forte ele sabe, jogando sozinho - porque ele jogava bem, ao contrário do resto da seleção - fez o que fez, aos 41 minutos do 2º tempo. Pulmão o garoto tem, de correr aquilo tudo, dar um drible "da vaca" num zagueiro, depois um drible curtinho em outro (o famoso "come" das peladas), sempre correndo, ninguém pega, o chute de perna esquerda (ele é destro) e o golaço, golaço, golaço.
Taí a contribuição do preparo físico: ser suporte do talento. O primeiro qualquer um consegue, o segundo é genético. Mas como tudo na vida, o talento pode ser tolhido pelas instâncias de poder (técnicos), pela força bruta (brucutus que só entram em campo pra fazer falta e bater, bater, bater) e rarear. Isso tem acontecido no Brasil desde cedo, e Robinho é jóia rara por ter vencido tudo isso, desde as divisões de base - porque lá o garoto, nos seus 10, 11 anos, já sabe que tem que ter força física, "matar a jogada", perde o aspecto lúdico do futebol. A diversão que quando bem executada, leva o craque à glória máxima: o gol! E com o gol, a vitória, o resultado.
Futebol bonito pode ser futebol de resultado, nessa ordem. Se você discorda, cale a boca depois do gol de Robinho. Cale a boca, meu camarada, depois de Robinho aparecer nessa insossa seleção brasileira de Dunga (que nunca foi craque, nem técnico - com duplo sentido, por favor). Pois o time não faz nada de bom, e ele teve que resolver sozinho. Opa, sozinho não: com talento que ele tem e não abre mão na hora de jogar profissionalmente.
Talento por si só não leva a lugar nenhum? Pois levou a bola no fundo do gol três vezes hoje, mas na terceira ele humilhou você, meu camarada, que acha que jogar sério é destruir jogada, bloquear ataque, vencer por 1x0 ou nos pênaltis e achar que teve um "orgasmo futebolístico". Você não teve nada, meu caro, principalmente porque pensando assim, você nunca fica na expectativa de que Robinho faça o que fez no terceiro gol, e quando acontece, você não sabe desfrutar da delícia que é um golaço, golaço, golaço.
Então façam-me o favor: me esqueçam se forem comentar algo que não seja o terceiro gol de Robinho hoje, ou algo similar. Porque o que é raro porém resistente deve ser celebrado continuamente, em lugar de intermináveis mesas-redondas sobre "nó tático", defesa fechada, recuar pra jogar no contra-ataque. Olha o nome: CONTRA-ataque!!! A gente tem que falar do terceiro gol de Robinho, dos dribles de Robinho, dos golaços de Robinho, do talento puro e simples, genial, diante do deserto de criatividade que se instalou atualmente na seleção brasileira - e até em outras seleções, como se viu na Copa de 2006. Ah, e Robinho ficou no banco nessa Copa. Tá explicado.
Calem a boca.

Robinho, magrelinho daquele jeito, nem chutar forte ele sabe, jogando sozinho - porque ele jogava bem, ao contrário do resto da seleção - fez o que fez, aos 41 minutos do 2º tempo. Pulmão o garoto tem, de correr aquilo tudo, dar um drible "da vaca" num zagueiro, depois um drible curtinho em outro (o famoso "come" das peladas), sempre correndo, ninguém pega, o chute de perna esquerda (ele é destro) e o golaço, golaço, golaço.
Taí a contribuição do preparo físico: ser suporte do talento. O primeiro qualquer um consegue, o segundo é genético. Mas como tudo na vida, o talento pode ser tolhido pelas instâncias de poder (técnicos), pela força bruta (brucutus que só entram em campo pra fazer falta e bater, bater, bater) e rarear. Isso tem acontecido no Brasil desde cedo, e Robinho é jóia rara por ter vencido tudo isso, desde as divisões de base - porque lá o garoto, nos seus 10, 11 anos, já sabe que tem que ter força física, "matar a jogada", perde o aspecto lúdico do futebol. A diversão que quando bem executada, leva o craque à glória máxima: o gol! E com o gol, a vitória, o resultado.
Futebol bonito pode ser futebol de resultado, nessa ordem. Se você discorda, cale a boca depois do gol de Robinho. Cale a boca, meu camarada, depois de Robinho aparecer nessa insossa seleção brasileira de Dunga (que nunca foi craque, nem técnico - com duplo sentido, por favor). Pois o time não faz nada de bom, e ele teve que resolver sozinho. Opa, sozinho não: com talento que ele tem e não abre mão na hora de jogar profissionalmente.
Talento por si só não leva a lugar nenhum? Pois levou a bola no fundo do gol três vezes hoje, mas na terceira ele humilhou você, meu camarada, que acha que jogar sério é destruir jogada, bloquear ataque, vencer por 1x0 ou nos pênaltis e achar que teve um "orgasmo futebolístico". Você não teve nada, meu caro, principalmente porque pensando assim, você nunca fica na expectativa de que Robinho faça o que fez no terceiro gol, e quando acontece, você não sabe desfrutar da delícia que é um golaço, golaço, golaço.
Então façam-me o favor: me esqueçam se forem comentar algo que não seja o terceiro gol de Robinho hoje, ou algo similar. Porque o que é raro porém resistente deve ser celebrado continuamente, em lugar de intermináveis mesas-redondas sobre "nó tático", defesa fechada, recuar pra jogar no contra-ataque. Olha o nome: CONTRA-ataque!!! A gente tem que falar do terceiro gol de Robinho, dos dribles de Robinho, dos golaços de Robinho, do talento puro e simples, genial, diante do deserto de criatividade que se instalou atualmente na seleção brasileira - e até em outras seleções, como se viu na Copa de 2006. Ah, e Robinho ficou no banco nessa Copa. Tá explicado.
Calem a boca.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Os leitores participam
Em resposta ao post anterior (Começando pelo motorista), meu amigo André Aureliano respondeu com um texto jocoso, mencionando até o filho Samuel, recém-nascido. Apreciem:
"Saudoso amigo Marcos. Venho por meio deste emeio para:
1. Comentar o seu blog;
2. Só isso.
Pois bem. Ao receber tão inusitado emeio convidando-me a visitar seu blog, de pronto cliquei no link indicado. Ato contínuo abriu-se magicamente uma outra janela onde pude ler: lessa27. (A propósito, um nome mais simples, apropriado e adequado do que o antigo Lessog. Era interessante, mas esquisito. Prefiro Lessa27. Parabéns pela escolha.) Se fosse escrever uma redação do tipo "minhas férias", eu apontaria como tema principal o fragmento de teu texto que refere-se ao sinal feito com o polegar em riste clamando ao motorista para que lhe permitisse a entrada pronunciando a mui jocosa expressão: "Na moral". Sou grato por me fazer sorrir imaginando a impagável cena. Muito divertida por sinal. O restante do texto foi também muito interessante, mas nada se comparou ao na moral.

Teu texto foi um texto na moral.
P.S. O Samuel vai bem, cresce e mama na moral.
Amplexos constrictos do teu irmão.
André"
OBS: Ao lado, André ninando Samuel... na moral.
Em resposta ao post anterior (Começando pelo motorista), meu amigo André Aureliano respondeu com um texto jocoso, mencionando até o filho Samuel, recém-nascido. Apreciem:
"Saudoso amigo Marcos. Venho por meio deste emeio para:
1. Comentar o seu blog;
2. Só isso.
Pois bem. Ao receber tão inusitado emeio convidando-me a visitar seu blog, de pronto cliquei no link indicado. Ato contínuo abriu-se magicamente uma outra janela onde pude ler: lessa27. (A propósito, um nome mais simples, apropriado e adequado do que o antigo Lessog. Era interessante, mas esquisito. Prefiro Lessa27. Parabéns pela escolha.) Se fosse escrever uma redação do tipo "minhas férias", eu apontaria como tema principal o fragmento de teu texto que refere-se ao sinal feito com o polegar em riste clamando ao motorista para que lhe permitisse a entrada pronunciando a mui jocosa expressão: "Na moral". Sou grato por me fazer sorrir imaginando a impagável cena. Muito divertida por sinal. O restante do texto foi também muito interessante, mas nada se comparou ao na moral.
Teu texto foi um texto na moral.
P.S. O Samuel vai bem, cresce e mama na moral.
Amplexos constrictos do teu irmão.
André"
OBS: Ao lado, André ninando Samuel... na moral.
terça-feira, 12 de junho de 2007

Começando pelo motorista
Aquela rotina de acordar cedo, atravessar os sinais de sempre e correr, porque o ônibus que te leva ao trabalho está parado no sinal. O polegar pra cima, olhando pro motorista pedindo "na moral" que me deixe entrar. As portas se abrem. Bolas de aniversário amarelas penduradas até chegarmos à roleta.
Uma festa dentro do ônibus, numa terça-feira, às 7h45 da matina? Enquanto tiro meu Riocard do bolso, uma mulher sentada no banco solitário do lado da escada brandia uma faca. No colo, um bolo (com glacê!), já pela metade. Não perguntei nada - que vergonha, jornalista! - mas suspeitei que era aniversário do motorista.
Curioso é que a "festa" (ou a arrumação do ambiente para ela) ia da porta do ônibus à roleta. Ou seja, num curto espaço de 2x2, enquanto os funcionários trabalhavam, dirigindo e cobrando. Depois de pagar a passagem, o coletivo voltava à sua normalidade cotidiana.
Mas não é esse o espírito da celebração? Mesmo sem a pompa, a grana, a multidão de convidados, as finas iguarias - que normalmente são os requisitos chamados de indispensáveis para o "sucesso" de uma festa. E quando os estresses para a preparação da celebração são bem maiores que a oportunidade de se regozijar por algo? A relação custo/benefício não se calcula apenas no bolso, e muitos se esquecem disso.
Como não é bom desprezar as singelas cenas da vida e o significado que elas evocam, guardo pra sempre esse começo de dia. Tá ali o que se precisa pra comemorar um aniversário, uma conquista, um momento que é especial por si só, não pelas aparências ou padrões-prisões que impomos a eles. A trocadora, o motorista e os "convidados" dos bancos anteriores à roleta não tinham sequer o tempo devido, tiveram que comemorar enquanto trabalhavam. Nem isso foi obstáculo.
E se você não pega ônibus pra ir trabalhar, azar o seu.
(OBS: A charge acima é do gênio Henfil.)
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quarta-feira, 6 de junho de 2007
sexta-feira, 1 de junho de 2007
40 anos de Sgt. Pepper's
Hoje, 1º de junho, parabéns pra eles e pra nós. Eu nem sabia disso e há dois meses postei esse texto. Antes de Joaquim Ferreira dos Santos e da revista Bizz desse mês!
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
Quanto a expectativas e resistência em regimes de opressão
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
(Renato Russo)
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
(Renato Russo)
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