sexta-feira, 28 de setembro de 2007


É o dia!

Ontem tive um dos melhores aniversários de minha vida.

Se o dia 27 de setembro já era inesquecível e incomparável pra mim, ontem ficou mais ainda.

Além disso, fiz 27 anos! E daqui a um mês, dia 27, vou me casar.

Acho esse número cada vez mais bonito.

27 anos: idade bonita. Já se tem bastante história pra contar quando se chega aos 27.

Dia 27 de setembro: muito mais que Cosme e Damião.

terça-feira, 25 de setembro de 2007



A imprensa que precisamos

Qualquer país precisa de um bom jornalismo. É horrível ficar falando mal de nossa imprensa dia apos dia (embora a crítica seja sempre necessária), já que é por meio dela que nos informamos cotidianamente. É com tais informações que construímos nossas noções de cidadania e desenvolvemos nossas perspectivas de mundo, além das expectativas quanto ao futuro.

Sabemos que a imprensa, por si só, não é a única culpada desse mal-estar que sentimos todos os dias. Os donos dos veículos de comunicação, mais preocupados com uma empresa fabricante de notícias-mercadoria do que com uma empresa que possua credibilidade junto ao seu público, têm grande parcela de culpa nisso.

Assim, ficamos nós desesperados em busca de informações com qualidade, bem apuradas, transparentes. A internet nos ajuda, aqui e acolá pinçamos pérolas a fim de construir nosso conhecimento para além do "efeito-manada" (quando todos os veículos falam da mesma coisa, do mesmo jeito, no mesmo tom, no mesmo período, até enjoar).

Se o leitor quiser aceitar uma dica preciosa de bom jornalismo ligado às questões do cotidiano, recomendo colocar como primeira página de seu computador o site da Agência Brasil.

Numa leitura conservadora e simplória, é a agência de notícias do governo. Mas se você conferir o conteúdo - antes mesmo de se aprofundar, ficando somente nas manchetes - verá que está longe disso. É uma agência do Estado, isto é, recursos públicos oriundos de nossos impostos sendo empregados para produzir uma comunicação cidadã, para todos.

Com leiaute limpo, sem excluir nenhuma mídia e incentivando a participação ativa dos leitores e blogueiros, a Agência Brasil se destaca por exprimir o óbvio: o esquema emissor-receptor do envio de mensagens já era. Nosso contato com tantas mídias desde criança, a presença e a velocidade da internet e suas novidades, faz com que nossa relação com os meios de comunicação não seja meramente passiva. A Agência Brasil compreeende isso muito bem, e respeita seus leitores nesse sentido.

E mais: é um dos pouquíssimos locais da mídia que discute a própria mídia. As políticas de comunicação do governo também, apresentando os pontos de vista contrários e necessários para uma boa informação. E acompanha passo-a-passo os três poderes, numa linguagem acessível.

Sem contar que todo o conteúdo do site é pela licença Creative Commons, isto é, tudo pode ser replicado e baixado, sem ressalvas. E feito com software livre, passando ao largo dos esquemas midiáticos monopolizantes de Bill Gates e Roberto Marinho.

Portanto, trata-se de uma boa notícia: a Agência Brasil faz o jornalismo que o país precisa.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Não marquem o nome deles!

No último post, deixei o endereço eletrônico do Senado Federal para protestarmos contra a absolvição de Renan Calheiros e cobrar de nossos representantes sobre o voto deles. Pois bem, muitos brasileiros devem ter tomado a mesma decisão, pois o site do Senado ficou fora do ar no dia seguinte à sessão ultra-secreta.

Pois bem, os votos dos senadores foram revelados em seguida (veja aqui), ainda que com algumas inconsistências. Mas os parlamentares do Rio de Janeiro, dessa vez, foram transparentes. Acompanhe:


Marcelo Crivella: abstenção







Paulo Duque (suplente de Sergio Cabral): contra a cassação







Francisco Dornelles: contra a cassação. (Segundo a revista Carta Capital, ele "lembrou aos presentes da sessão ultra-secreta as enrascadas fiscais comuns aos congressistas brasileiros. Punir Renan, insinuou Dornelles, abriria um precedente perigoso")


Portanto, aí, está. Se quisermos fazer diferente mesmo, NÃO votemos nesses cidadãos em uma próxima eleição. Marquem o nome deles. Ou melhor, chegando à urna eletrônica, não marquem!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Uma impotência nacional

O que dizer? Pegaram Renan Calheiros pra ser o pária da vez, elencando seus podres (comuns a muitos senadores) e o empurrando na parede: renúncia ou cassação. O Governo hesitou ou acusou a imprensa, a oposição também não achou nada demais a princípio, mas a pressão pública e dos meios de comunicação fez ambos sairem (oficialmente) de cima do muro. Vieram as representações, uma atrás da outra, a possibilidade do voto aberto e enfim decidiu-se: voto ultra-secreto.

Renan, com tudo quanto é prova de improbidade, é absolvido. Ficou escancarado para todo o país as negociatas espúrias para o arranjo final. Não se sabe até onde vão as demais representações contra o presidente do Senado, mas algo inédito ocorreu: um parlamentar denunciado de múltiplas formas e pressionado pela mídia a cair fora, continuará no cargo. E continuará presidente da casa.

Se nem a pressão da mídia deu jeito, o que fazer? Protestos, abaixo-assinados? Isso já vinha sendo feito. Denúncias na Comissão de Ética? Também. Ainda assim, Renan foi absolvido.

Não sei se você concorda, mas o Brasil brochou legal depois dessa. Ao contrário de Renan (que o diga Mônica Veloso), que seguirá com aquele sorrisinho que ele encarava as manifestações de seus pares no plenário pedindo que renunciasse.

Porque ficou mais claro ainda que a profissão de fé irredutível da maioria do Congresso é dar as costas para o povo. Todo mundo contra, de tudo quanto é matiz ideológica, com indícios suficientes para tirar o mandato... E eles dão um jeito de se esconder, na cara de todo mundo, pra votar contra. Foi a prova cabal de que eles não estão nem aí pra cada um de nós aqui.

Não quero parecer pessimista, nem dar margens para os oportunistas de plantão dizerem que o jeito é a ditadura voltar. Congressistas cínicos são um problema de cultura moral da sociedade, que resvala na democracia. Portanto, nada de dizer que o problema é o sistema democrático.

No entanto, levanto a reflexão: o que fazer? Além do espírito brochante da nação, como fazer para essa situação mudar? Renovar o Congresso nas próximas eleições? Mas muitos repetem a mesma coisa!

A absolvição de Renan Calheiros assim, na cara dura, pode nos fazer pensar sobre que país temos construído em nosso cotidiano. Se acharmos que, já que eles roubam, dá cá o meu, a tendência é que outros episódios como o atual brochante se repitam. Afinal, não haverá mais espanto, apenas banalização cínica. Renan faz o que muitos de nós fazem no seu dia-a-dia. Com a diferença da imunidade parlamentar e da possibilidade de legislar sobre tudo e todos.

Por que é possível Renans e absolvições assim, com tanta facilidade, em nosso país? Deixo a pergunta e o espaço de comentários abaixo pra tentarmos encontrar uma resposta. Acredito que a auto-crítica pra perceber a nossa responsabilidade é necessária, e não somente malhar o Congresso (embora faça parte, por contribuição dos próprios).

E outra: que tal escrever ou ligar para o senador do seu Estado e perguntar no que ele votou? Ele absolveu ou puniu Renan? Ou pior, se absteve covardemente? Se são nossos representantes, devem nos prestar contas. Se não prestam (sem trocadilho), devemos no mínimo perguntar a eles.

Disque Senado: 0800 612211

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vale até domingo

As urnas itinerantes do plebiscito popular contra privatização da Vale do Rio Doce estão espalhadas pelo Centro do Rio. E a votação vai até domingo. Confira aqui a lista de locais e horários:

- 05 de setembro (Quarta) - Praça XV 7h30m às 10h / Saara 10h30m às 13h / Largo da Carioca 11 às 15h

- 06 de setembro (Quinta) - Largo da Carioca 11 às 15h / Central do Brasil 16 às 18h

- 07 de setembro (Sexta) - Aterro do Flamengo 10h

- 08 de setembro (Sábado) - Saara 9h30min às 14h

Para saber de urnas fora do Centro, entre em contato com a organização do plebiscito: avaleenossa@yahoo.com.br.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007


Ele, de novo

Uma colega de trabalho resolveu fazer aniversário. Folgou na sexta e passou o fim de semana com a família, em São Paulo.

Uma segunda-feira resolveu surgir novamente, apresentando o famigerado trânsito da manhã como cartão de visitas.

A colega de trabalho resolveu mostrar os presentes que ela ganhou.

Aí apareceu esse livro aí do lado, com esse título maravilhoso - "De notícias e não notícias faz-se a crônica" - com a foto de ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade lendo um jornal.

Aí você sabe como é, se não sabe leia aqui. Certo é que tremi na base, me emocionei, quis sair do prédio e comprar toda a reimpressão da obra do velhinho, porque isso não se faz comigo numa segunda de manhã. A colega de trabalho me apresenta uma coletânea de crônicas de Drummond que ainda não está na minha coleção, cujo título vem como espada afiada no âmago da identificação inescapável, blogável.

Meu dinheiro não vale muita coisa se não me proporcionar a obra completa do velhinho. Minha segunda-feira vale muita coisa se o velhinho me reaparece assim, de surpresa.

"Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela." (de "Entre palavras").