segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Que bom que esse sangue jorra

Demorou, mas tive a oportunidade de assistir ao documentário 3 irmãos de sangue, que conta a vida de ninguém menos que Henfil, Betinho e Chico Mário. Uma trindade hemofílica onde cada pessoa dela executou, com unção, a missão que lhe cabia. O humor, a sociologia prática e a música com alma nunca foram tão refinados e afinados com nosso tempo. Temos uma geração inteira marcada por Henfil, Betinho e Chico Mário.

Difícil dividir comentários sobre o filme e sobre a vida dos três. A gente não sabe se gostou e saiu emocionado pelo conteúdo dramático ou pela maneira com que tudo foi narrado em tela. A diretora Ângela Patrícia Reiniger mostrou que tinha na veia a matéria-prima essencial para se fazer um filme sobre os três: sensibilidade. Porque é isso que transborda a cada cena e, principalmente, a cada depoimento de arquivo de cada um deles.

Eu, particularmente, nem sabia quem era Chico Mário, sequer que Henfil e Betinho tinham mais um irmão famoso. Pois o filme mostra que os três estavam no mesmo patamar da vida, daqueles que nasceram pra fazer diferença - muito antes dessa expressão virar clichê. Seu violão fala alto no volume inaudível do coração de quem assiste o documentário. A música sobre Ouro Preto e o show em sua homenagem, quando a AIDS avançava (os três se tornaram soropositivos após transfusão de sangue, sempre necessária) são de não deixar a gente dormir, no bom sentido.

Henfil, um barbudo bonito e carismático pra caramba, e seus traços mínimos no papel. É uma coisa impressionante. Vê-lo falar sobre cada personagem, sobre seu desejo intrínseco de fazer cinema, sobre o Brasil - todos eram muito, mas muito brasileiros - é bom demais. A maneira original de entrevistar os convidados no seu quadro na TV Mulher é inesquecível.

E Betinho, que levou a teoria sociológica para o campo prático e urgente do brasileiro? Para aqueles que tinham fome e para os indiferentes: ambos sentiram o revirar do estômago. E isso desde quando o irmão do Henfil voltou da anistia... Esse parece nunca ter sossegado na tarefa que assumiu pra si de não ser mais um lamentador.

A hemofilia e a AIDS permeiam o documentário, como deve ter sido na vida dos três. A princípio, explícita na hora da descoberta e de saber como lidar com elas. Depois, como companheiras permanentes com as quais os irmãos precisaram conjugar suas circunstâncias e perspectivas. Ao final, de novo explícita, anunciando o fim e denunciando negligências no trato com os hemofílicos de todo o país, e não só os famosos.

Além da cara vermelha e dos soluços de tanto chorar, saimos do cinema com a sensação de que a luta contra a desigualdade e os desmandos injustos desse mundo pode ser encarada com suavidade. Em nenhum momento percebemos nos discursos de Henfil, Chico Mário e Betinho aquele ranço chato de quem acha que a vida nada vale porque não há condições ideais para todos. Isso é verdade, mas eles nos mostram que é possível encarar essa luta com o vigor suave de um traço, de um acorde ou com o dom da conciliação.

Uma das últimas falas de Betinho parece resumir poeticamente tudo o que eles viveram: "Nessa luta, daqui a um tempo, não importa quem vai estar vivo ou quem vai estar morto. O que importa é que a música existe".

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Anteprojeto de acordo com a realidade

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) apresentará no Congresso um anteprojeto de lei que diminui a responsabilidade do jornalista na publicação das matérias. Peraí? Um incentivo ao "vale-tudo"? Não, apenas uma tentativa de colocar as coisas nos seus devidos lugares. Mais do que a mão que escreve, quem dá o veredicto final no que é publicado (e às, vezes, de como é publicado) é a mão que edita, que está na chefia e pertinho dos donos. Isso quando não é a mão do próprio dono que dá o carimbo final.

“O jornalista não é decisivo na escolha da matéria a ser publicada. No mundo real, sabemos que o título e a legenda, criados por outra pessoa, podem alterar o entendimento, não refletir necessariamente o conteúdo da matéria. O jornalista não pode ser responsabilizado por esse tipo de controvérsia”, diz o deputado, em entrevista ao site do Sindicato dos Jornalistas do RJ. "“A responsabilidade sempre recairá sobre a empresa jornalística”, completa.

O leitor pode checar: hoje em dia, muitas matérias são assinadas pelo jornalista. Há algum tempo, isso não era tão comum. Bom, se as matérias não são assinadas, fica ainda mais claro que a responsabilidade final da publicação é do jornal. Ou seja, o fato de ter que assinar vulnerabiliza o profissional - os possivelmente atingidos ou incomodados com determinada matéria resolvem processar o autor do texto. E a empresa jornalística não é tão visada como co-autora.

Um exemplo claro é o da repórter Suely Caldas, veterana do jornalismo econômico. Ela contou, em recente seminário na Uerj, sobre sua experiência na cobertura dos desmandos públicos no Banespa, nas gestões de Luis Antonio Fleury e Orestes Quércia. Fleury processou a repórter, e a justiça deu ganho de causa. Ela foi condenada a pagar 120 mil reais de indenização - para isso, teria que vender seu único apartamento. No caso, o Estadão (onde Suely trabalhava) pagou. Mas se o processo fosse contra Suely apenas, o jornal teria essa obrigação?

Esse é outro ponto do anteprojeto, segundo Miro Teixeira: “É inconcebível que alguém com salário de 7, 8 mil reais seja obrigado a pagar uma indenização de 100 mil reais a alguém que às vezes ganha muito mais do que isso por mês.” E dependendo da realidade do veículo, o deputado foi até generoso ao se referir ao salário do jornalista.

O repórter vai à rua, faz entrevistas, apura as informações, redige. Precisa ser bom nisso e estar bem fundamentado nos dados que levantou. Essa responsabilidade é dele, sem dúvida. Mas quando a matéria é selecionada para publicação, passa por edições finais, vai pra diagramação, gráfica, bancas... Todo esse processo é responsabilidade do jornalista?

O que a sociedade em geral precisa perceber é que essa situação - responsabilizar o jornalista totalmente - não é benéfico para o processo de apuração de informações de interesse público. Os donos do poder sabem flertar com os donos da mídia e o lado mais fraco da corda sempre será o dos jornalistas. Então, é preciso falar de responsabilidade sim, mas proporcionalmente.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Uma boa idéia, uma boa notícia


A gente tem que espalhar o que há de bom também, né? Uma ONG palestina está organizando uma campanha para que a Copa do Mundo de Futebol de 2018 aconteça em Israel e na Palestina (como em 2002, quando Japão e Coréia dividiram a responsabilidade). Aparentemente, o objetivo é facilitar as conversações rumo à paz entre as duas nações. Para dar força à campanha, querem Pelé como "padrinho" da idéia.

Leia a entrevista do autor da campanha no Globo.com. Há também o site oficial, incluindo mapa dos países com as possíveis cidades-sede e um vídeo promocional.

Graças às agruras do Pan 2007 e da Copa que vem aí, a gente fica meio pé atrás se a iniciativa é séria mesmo ou mais uma idéia para ganhar dinheiro fácil com a paixão dos outros - com uma causa nobre de lambuja. Mas fiquemos atentos, pois são poucos os projetos a reconhecer que a integração universal proporcionada pelo futebol pode influir fora das quatro linhas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007


Ai meu Pan...

Lembra da CPI do Pan, que a câmara dos vereadores do Rio tava tentando executar (em todos os sentidos)? Postei sobre isso há pouco tempo. Ela não está indo pra frente por falta de quórum. Dos cinco deputados que compõem a comissão que coordena a CPI, só um compareceu à última reunião - Eliomar, do PSOL. Ah, e foi o terceiro adiamento...

A gente reclama de CPMF e falta de verba em geral, mas aqui na nossa cidade o nosso prefeito defeca e se locomove para o dinheiro público. Todo mundo sabe a pilhagem que foi o estouro do orçamento do Pan 2007 (e a Copa vem aí...). E vai ficar por isso mesmo?

Dá só uma olhadinha no plano de trabalho da CPI, reunindo todas as irregularidades apontadas no Pan. Depois, uma sugestão: escreva aos queridos vereadores perguntando a quantas anda a CPI...

CARLO CAIADO - caiado@carlocaiado.com.br - Tel: 3814-2081 a 2083/2513/2514

NADINHO - nadinhoderiodaspedras@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2692 / 2440 / 2441/ 2444

LUIZ ANTONIO GUARANÁ - laguarana@uol.com.br - Tel: 3814 - 2187 e 2189

PATRÍCIA AMORIM - patricia.amorim@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2132 a 2135

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Boicote de placa: o primeiro golaço da Copa 2014

Enterraram mais uma CPI no Congresso: a que ia apurar os indícios de lavagem de dinheiro no Corinthians, na parceria com a empresa MSI. Seria uma maneira de fazer uma investigação exemplar, por pegar o time de segunda maior torcida do país.

O mais curioso é que, para emplacar uma CPI, é preciso 171 assinaturas. Mais de 200 já tinham sido conseguidas. Num passe de mágica, 111 foram retiradas e restaram apenas 168. Por três, a CPI foi arquivada.

Que arrependimento coletivo instantâneo foi esse? Simples: o presidente da Confedereação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, acompanhava a escolha do Brasil para sede da Copa 2014. Ao seu lado, Lula e vários governadores. Sabendo da existência da CPI, Teixeira não perdeu tempo. Chegou ao pé do ouvido dos governadores e ameaçou: se os deputados a eles ligados não retirassem as assinaturas, os respectivos estados não teriam jogos da Copa.

E assim foi...

Mesmo assim, o Lessa27 enviou o e-mail abaixo para os parlamentares do Rio de Janeiro que retiraram suas assinaturas:

Caro parlamentar fluminense,

Gostaria de saber por que Vossa Excelência retirou sua assinatura para a efetivação da CPMI MSI/Corinthians. Precisamos moralizar o nosso futebol e combater a corrupção que é notória na administração do esporte.

O que nós, eleitores do Rio de Janeiro, mais ficamos em dúvida é: por que apoiar a CPMI e depois retirar a assinatura? Se não concordava com o mérito, por que assinou antes? E por que retirou?

Quer saber quem são os ditos cujos? Veja abaixo:


Índio da Costa (DEM): afilhado de Cesar Maia, possível candidato a prefeito do Rio em 2008 - dep.indiodacosta@camara.gov.br







Geraldo Pudim (PMDB): afilhado de Garotinho, acusado de fraude nas eleições para a prefeitura de Campos em 2004 - dep.geraldopudim@camara.gov.br









Cida Diogo (PT) - dep.cidadiogo@camara.gov.br



Nelson Bornier (PMDB): ex-prefeito de Nova Iguaçu - dep.nelsonbornier@camara.gov.br






Pastor Manoel Ferreira (PTB): líder nacional da Assembléia de Deus, ex-candidato ao Senado - dep.pastormanoelferreira@camara.gov.br

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Um tiro em Copacabana é uma coisa. Na Favela da Coréia, é outra", diz o secretário de Segurança Pública do Rio, José Beltrame

Consumo de drogas é maior entre a classe A, diz pesquisa da FGV

Sem mais para o momento.


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ESCOLHA OS 10 MELHORES TEXTOS DO LESSA27

A votação prossegue. Você indica 3 textos preferidos. Se ficou difícil achar data e título, pode indicar dizendo o assunto (não muito geral, como "mídia", já que seria impossível identificar de qual você está falando).

Mande para lessa27@yahoo.com.br até o dia 5 de novembro. Um dos brindes a serem sorteados entre os participantes será uma camisa oficial do blog!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Zico. E ponto.

Fim do treinamento do Fenerbahce, o goleiro titular Volkan se aproximou do apoiador Alex, com que se preparava para treinar cobranças de falta, na entrada da área e perguntou, a meia-voz:

- Esse "cara" era mesmo tudo que falam dele como jogador? E ainda batia falta como dizem?

O "cara" era Zico, o técnico. Alex apenas sorriu e, depois que a barreira estava armada e as cobranças iam começar, chamou o treinador, propondo-lhe que entrasse no exercício.

- Aproveita as 5 primeiras, por que ele vai "esquentar" o joelho... - sussurou para o goleiro.

E Zico, de fato, bateu as 5 primeiras calibrando a pontaria: uma por cima, outra na mão do goleiro, outra na trave, etc. A partir da quinta, avisou:

- Agora, tá valendo.

E começou a sequência de bolas num ângulo e no outro, para desespero, não somente de Volkan, o titular, como também de Serdar e Nercat, os reservas, que não conseguiram pegar uma sequer.

Diante do espanto e da admiração do Trio, o "Galo" apenas sorriu:

- Nas primeiras, preciso aquecer, já que "carro velho" é fogo! Mas em compensação, depois que pega vai embora...

(Fonte: Coluna de Renato Maurício Prado, do Globo)

domingo, 14 de outubro de 2007


5 anos de blog!

Pois é... Eu sabia que a data festiva aconteceria em outubro, mas não lembrava o dia certo. Em 14 de outubro de 2002 adentrei a blogosfera. De lá pra cá, foi um aprendizado atrás do outro, além de uma curtição como só a internet pôde me proporcionar.

Explico: no segundo semestre de 2002 estava há 7 meses como escriturário do Banco do Brasil, concursado e desgostoso com aquele emprego. Estava na metade da faculdade de Comunicação Social, na UFF. O salário era bom e veio em boa hora, mas os chamados do jornalismo e da escrita vociferavam dentro de mim. E aquilo foi demais para ambos: trabalhar em banco, cercado de números, com o objetivo máximo de vendas? Tortura, masoquismo, sei lá.

Hoje, olhando pra trás, não faria o concurso. Mas é inegável que ter sido exposto a condições tão agudas de distanciamento entre profissão e realização pessoal ajudou a confirmar minha vocação maior. Pensava: "isso não é pra mim". E se não é o que eu quero, já me ajuda a descobrir o que quero. Apurar, escrever, opinar, publicar, ser ouvido, interagir, intervir, não me omitir.

Quem me deu o primeiro gostinho de tudo isso foi o blog. O meu espaço, disponível a todos que soubessem o endereço, minhas idéias publicadas - ou seja, a público - e chegando a todos, mesmo que não me conhecessem. (Antes de outubro de 2002, a experiência mais próxima que tive disso foi a "Crônica semanal do Lessa": toda segunda uma nova crônica, encaminhada para a minha lista de contatos no recém-descoberto mundo da internet.)

Comecei com dicas culturais, um ou outro pitaco político e comportamental. Mas foi em março de 2003, com o post A guerra é show, que teve início uma nova fase do Lessog - o blog do Lessa (antigo nome). Os artigos opinativos que pulsavam nas artérias saíam "na veia", com a preocupação de estarem fundamentados em fatos e informações confiáveis, para não ludibriar o leitor.

Creio que os temas mais abordados foram mídia, comportamento e cultura. Mas não nego que também faço parte da "umbigosfera": falo de mim e de minhas reflexões pessoais, na necessidade de me ler enquanto escrevo, de desabafo, catarse, vontade de botar a boca no mundo sem ser um chato (uma vez que minhas palavras se circunscrevem a meu blog). Verissimo já disse que escreve, antes de tudo, para si mesmo. Depois para os leitores. Acho que é por aí.

Em 2005, perto de me formar e conseguir o diploma de curso superior, decidi: era hora de sair do banco. Hora de me sustentar com a Comunicação (já pensava em casar...), e observando as opções do mercado de então, vi que era hora de tentar um novo concurso. Mas somente na área de Comunicação.

Estudei, recusei uma promoção no banco, botei meu blog no currículo. Fiz seis concursos, passei em um, para o qual fui chamado em junho de 2006. Em julho já estava empregado: Comunicador Social - Jornalista. Essa é a minha profissão. Fiquei lotado num lugar ideal graças a meu blog - o currículo foi observado e, segundo relatos confirmados por várias fontes, fui "disputado" por outros setores após conferirem a qualidade dos meus textos publicados.

Muito mais que um orgulho, a experiência me mostrou o que realmente importa: viver pela fé, como diz a Bíblia, e investindo no que você gosta. Nada de romantismo vazio e barato, é trabalho duro com os sonhos por timoneiros.

E o Lessa27 (nome atual) faz cinco anos com muita história contada, muitas pra se contar, com a promessa de virar livro um dia (já tenho o título). Fico feliz de ter essa estrada, e mais feliz ainda por ter com quem compartilhar isso. No caso, você, que se deu ao trabalho de acessar este endereço e ler até aqui. Sou mais do que agradecido. Sou realizado.

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ESCOLHA OS 10 MELHORES TEXTOS DO LESSA 27!

Você vota em 3 textos. Pode ser do que vc lembrar, ou pode pesquisar o arquivo do Lessa27, à direita no blog. E escrever para lessa27@yahoo.com.br com suas indicações.

A equipe do blog (eu e uns colaboradores informais) está providenciando brindes para serem sorteados entre os que responderem!

Portanto, você tem até o dia 05 de novembro pra enviar seus votos. É preciso informar o título do texto/post e a data, para ajudar na localização dos mesmos.

Participe! E envie para lessa27@yahoo.com.br!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A agonia do encontro

"A vida é composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, escolhe um tema que fará parte da partitura da sua vida. Voltará ao tema, repetindo-o, modificando-o, desenvolvendo-o, transpondo-o, como faz um compositor com os temas de uma sonata. O homem, inconscientemente, compõe sua vida segundo as leis da beleza, mesmo nos instantes do mais profundo desespero" (Milan Kundera)

Essa é a epígrafe de um texto maravilhoso do educador Rubem Alves (foto), onde ele discorre sobre sua relação com o ato de educar - o seu diamante, correspondendo ao texto de Kundera - e como isso o arrebata para a vida. Em seus artigos o tema é recorrente, e ele explica o porquê desse retorno contínuo ao tema:

"Um amigo querido, Hugo Assmann, faz anos, me disse com um sorriso: ‘Rubem, faz anos que você fala sempre sobre a mesma coisa’. É verdade. Não importa sobre o que eu esteja falando: eu falo sobre o tema que enche minha alma de alegria." E ele prossegue numa satisfação empolgada de quem se encontrou, sem volta.

Veio o nó na garganta quando li o artigo. Minha relação com Comunicação e Jornalismo é praticamente a mesma. Até algumas analogias são parecidas. Não sei se você já sentiu isso antes, mas é como se uma espada surgisse na tela do seu computador e subitamente te atravessasse até o encosto da cadeira. Sem chance de reação.

Vem então aquela agonia de estar sendo transpassado pela confirmação do "tema" da "partitura" da sua vida. Paradoxalmente - e cada vez mais eu aprendo que a vida é cheia de paradoxos, e que isso não é necessariamente ruim - é uma boa agonia. É a agonia do encontro, saciando sedes que você nem sabia que possuía.

Desejo a agonia do encontro a meus amigos e inimigos. Que todos sintam o prazer de descobrirem o diamante de sua existência, e não se percam em mesquinharias mundanas que só nos afastam do agonizante divisor de águas. Agonia benfazeja, renovadora. Incômodo bem-vindo, pra que a gente não se distraia do principal.

Como é bom dar as mãos ao principal. No meu caso, as mãos teclam, abraçam a Bic, digladiam-se com a tendinite e rompem as barreiras que a agonia me ajuda a desancar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007


É o dia!

Ontem tive um dos melhores aniversários de minha vida.

Se o dia 27 de setembro já era inesquecível e incomparável pra mim, ontem ficou mais ainda.

Além disso, fiz 27 anos! E daqui a um mês, dia 27, vou me casar.

Acho esse número cada vez mais bonito.

27 anos: idade bonita. Já se tem bastante história pra contar quando se chega aos 27.

Dia 27 de setembro: muito mais que Cosme e Damião.

terça-feira, 25 de setembro de 2007



A imprensa que precisamos

Qualquer país precisa de um bom jornalismo. É horrível ficar falando mal de nossa imprensa dia apos dia (embora a crítica seja sempre necessária), já que é por meio dela que nos informamos cotidianamente. É com tais informações que construímos nossas noções de cidadania e desenvolvemos nossas perspectivas de mundo, além das expectativas quanto ao futuro.

Sabemos que a imprensa, por si só, não é a única culpada desse mal-estar que sentimos todos os dias. Os donos dos veículos de comunicação, mais preocupados com uma empresa fabricante de notícias-mercadoria do que com uma empresa que possua credibilidade junto ao seu público, têm grande parcela de culpa nisso.

Assim, ficamos nós desesperados em busca de informações com qualidade, bem apuradas, transparentes. A internet nos ajuda, aqui e acolá pinçamos pérolas a fim de construir nosso conhecimento para além do "efeito-manada" (quando todos os veículos falam da mesma coisa, do mesmo jeito, no mesmo tom, no mesmo período, até enjoar).

Se o leitor quiser aceitar uma dica preciosa de bom jornalismo ligado às questões do cotidiano, recomendo colocar como primeira página de seu computador o site da Agência Brasil.

Numa leitura conservadora e simplória, é a agência de notícias do governo. Mas se você conferir o conteúdo - antes mesmo de se aprofundar, ficando somente nas manchetes - verá que está longe disso. É uma agência do Estado, isto é, recursos públicos oriundos de nossos impostos sendo empregados para produzir uma comunicação cidadã, para todos.

Com leiaute limpo, sem excluir nenhuma mídia e incentivando a participação ativa dos leitores e blogueiros, a Agência Brasil se destaca por exprimir o óbvio: o esquema emissor-receptor do envio de mensagens já era. Nosso contato com tantas mídias desde criança, a presença e a velocidade da internet e suas novidades, faz com que nossa relação com os meios de comunicação não seja meramente passiva. A Agência Brasil compreeende isso muito bem, e respeita seus leitores nesse sentido.

E mais: é um dos pouquíssimos locais da mídia que discute a própria mídia. As políticas de comunicação do governo também, apresentando os pontos de vista contrários e necessários para uma boa informação. E acompanha passo-a-passo os três poderes, numa linguagem acessível.

Sem contar que todo o conteúdo do site é pela licença Creative Commons, isto é, tudo pode ser replicado e baixado, sem ressalvas. E feito com software livre, passando ao largo dos esquemas midiáticos monopolizantes de Bill Gates e Roberto Marinho.

Portanto, trata-se de uma boa notícia: a Agência Brasil faz o jornalismo que o país precisa.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Não marquem o nome deles!

No último post, deixei o endereço eletrônico do Senado Federal para protestarmos contra a absolvição de Renan Calheiros e cobrar de nossos representantes sobre o voto deles. Pois bem, muitos brasileiros devem ter tomado a mesma decisão, pois o site do Senado ficou fora do ar no dia seguinte à sessão ultra-secreta.

Pois bem, os votos dos senadores foram revelados em seguida (veja aqui), ainda que com algumas inconsistências. Mas os parlamentares do Rio de Janeiro, dessa vez, foram transparentes. Acompanhe:


Marcelo Crivella: abstenção







Paulo Duque (suplente de Sergio Cabral): contra a cassação







Francisco Dornelles: contra a cassação. (Segundo a revista Carta Capital, ele "lembrou aos presentes da sessão ultra-secreta as enrascadas fiscais comuns aos congressistas brasileiros. Punir Renan, insinuou Dornelles, abriria um precedente perigoso")


Portanto, aí, está. Se quisermos fazer diferente mesmo, NÃO votemos nesses cidadãos em uma próxima eleição. Marquem o nome deles. Ou melhor, chegando à urna eletrônica, não marquem!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Uma impotência nacional

O que dizer? Pegaram Renan Calheiros pra ser o pária da vez, elencando seus podres (comuns a muitos senadores) e o empurrando na parede: renúncia ou cassação. O Governo hesitou ou acusou a imprensa, a oposição também não achou nada demais a princípio, mas a pressão pública e dos meios de comunicação fez ambos sairem (oficialmente) de cima do muro. Vieram as representações, uma atrás da outra, a possibilidade do voto aberto e enfim decidiu-se: voto ultra-secreto.

Renan, com tudo quanto é prova de improbidade, é absolvido. Ficou escancarado para todo o país as negociatas espúrias para o arranjo final. Não se sabe até onde vão as demais representações contra o presidente do Senado, mas algo inédito ocorreu: um parlamentar denunciado de múltiplas formas e pressionado pela mídia a cair fora, continuará no cargo. E continuará presidente da casa.

Se nem a pressão da mídia deu jeito, o que fazer? Protestos, abaixo-assinados? Isso já vinha sendo feito. Denúncias na Comissão de Ética? Também. Ainda assim, Renan foi absolvido.

Não sei se você concorda, mas o Brasil brochou legal depois dessa. Ao contrário de Renan (que o diga Mônica Veloso), que seguirá com aquele sorrisinho que ele encarava as manifestações de seus pares no plenário pedindo que renunciasse.

Porque ficou mais claro ainda que a profissão de fé irredutível da maioria do Congresso é dar as costas para o povo. Todo mundo contra, de tudo quanto é matiz ideológica, com indícios suficientes para tirar o mandato... E eles dão um jeito de se esconder, na cara de todo mundo, pra votar contra. Foi a prova cabal de que eles não estão nem aí pra cada um de nós aqui.

Não quero parecer pessimista, nem dar margens para os oportunistas de plantão dizerem que o jeito é a ditadura voltar. Congressistas cínicos são um problema de cultura moral da sociedade, que resvala na democracia. Portanto, nada de dizer que o problema é o sistema democrático.

No entanto, levanto a reflexão: o que fazer? Além do espírito brochante da nação, como fazer para essa situação mudar? Renovar o Congresso nas próximas eleições? Mas muitos repetem a mesma coisa!

A absolvição de Renan Calheiros assim, na cara dura, pode nos fazer pensar sobre que país temos construído em nosso cotidiano. Se acharmos que, já que eles roubam, dá cá o meu, a tendência é que outros episódios como o atual brochante se repitam. Afinal, não haverá mais espanto, apenas banalização cínica. Renan faz o que muitos de nós fazem no seu dia-a-dia. Com a diferença da imunidade parlamentar e da possibilidade de legislar sobre tudo e todos.

Por que é possível Renans e absolvições assim, com tanta facilidade, em nosso país? Deixo a pergunta e o espaço de comentários abaixo pra tentarmos encontrar uma resposta. Acredito que a auto-crítica pra perceber a nossa responsabilidade é necessária, e não somente malhar o Congresso (embora faça parte, por contribuição dos próprios).

E outra: que tal escrever ou ligar para o senador do seu Estado e perguntar no que ele votou? Ele absolveu ou puniu Renan? Ou pior, se absteve covardemente? Se são nossos representantes, devem nos prestar contas. Se não prestam (sem trocadilho), devemos no mínimo perguntar a eles.

Disque Senado: 0800 612211

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vale até domingo

As urnas itinerantes do plebiscito popular contra privatização da Vale do Rio Doce estão espalhadas pelo Centro do Rio. E a votação vai até domingo. Confira aqui a lista de locais e horários:

- 05 de setembro (Quarta) - Praça XV 7h30m às 10h / Saara 10h30m às 13h / Largo da Carioca 11 às 15h

- 06 de setembro (Quinta) - Largo da Carioca 11 às 15h / Central do Brasil 16 às 18h

- 07 de setembro (Sexta) - Aterro do Flamengo 10h

- 08 de setembro (Sábado) - Saara 9h30min às 14h

Para saber de urnas fora do Centro, entre em contato com a organização do plebiscito: avaleenossa@yahoo.com.br.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007


Ele, de novo

Uma colega de trabalho resolveu fazer aniversário. Folgou na sexta e passou o fim de semana com a família, em São Paulo.

Uma segunda-feira resolveu surgir novamente, apresentando o famigerado trânsito da manhã como cartão de visitas.

A colega de trabalho resolveu mostrar os presentes que ela ganhou.

Aí apareceu esse livro aí do lado, com esse título maravilhoso - "De notícias e não notícias faz-se a crônica" - com a foto de ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade lendo um jornal.

Aí você sabe como é, se não sabe leia aqui. Certo é que tremi na base, me emocionei, quis sair do prédio e comprar toda a reimpressão da obra do velhinho, porque isso não se faz comigo numa segunda de manhã. A colega de trabalho me apresenta uma coletânea de crônicas de Drummond que ainda não está na minha coleção, cujo título vem como espada afiada no âmago da identificação inescapável, blogável.

Meu dinheiro não vale muita coisa se não me proporcionar a obra completa do velhinho. Minha segunda-feira vale muita coisa se o velhinho me reaparece assim, de surpresa.

"Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela." (de "Entre palavras").

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O PAN CONTINUA - PARTE 2

Há alguns dias, postei o relato sobre a morosidade e malandragem da CPI do Pan na Câmara dos Vereadores, instigando os leitores a escrever para os parlamentares que estavam colaborando pra isso.

Não sei quantos escreveram, mas eu e um amigo o fizemos, e tivemos a mesma resposta do vereador Guaraná (é isso mesmo... Foto abaixo) sobre a instalação da CPI:

"CARO MARCOS,

SERÁ INSTALADA DIA 26 DO MES QUE VEM. DURANTE ESSE TEMPO ESTAMOS AGUARDANDO O ENVIO DE DOCUMENTOS QUE SEVIRÃO PARA OS TRABALHOS DA CPI, SEM QUE SE PERCA O TEMPO REGIMENTAL DEFINIDO PARA UMA CPI FUNCIONAR (90 dias).

ATENCIOSAMENTE,

LUIZ ANTONIO GUARANÁ - 3814-2431/2433"

Pra confirmar, perguntei se seria dia 26 de setembro. Resposta, sempre em caixa alta: "EXATO! DE COMUM ACORDO COM TODOS OS MEMBROS". Estranhei. Mas a comissão não estava dividida quanto ao assunto? Como surgiu esse consenso? Na dúvida, escrevi ao vereador Eliomar (foto abaixo), que denunciava em praça pública no Centro do Rio o descaso dos vereadores em referência. Diz ele:

"Marcos André,

A pressão está grande sim e assim que anunciei em plenário o inicio da coleta de assinaturas exigindo a instalação da CPI já. O vereador Guaraná tem demonstrado ter mudado de opinião, mas na verdade quando eles adiaram a instalação, votaram sim o adiamento para 15 de novembro. Atenciosamente, Eliomar"

PORTANTO agora o placar parece, a princípio, 3x2 pró CPI: Eliomar, Guaraná e Patrícia Amorim a favor; Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado, contra. Isso se alguém não mudar de idéia de novo.

Vamos acompanhar. Sempre que possível, prometo novas informações aqui no Lessa27.

E A VALE? É NOSSA OU NÃO É?

Também já postei aqui sobre o plebiscito popular sobre a privatização da Vale do Rio Doce, que vai acontecer na Semana da Pátria. Procure uma urna perto de você - no Centro da cidade, com certeza haverá várias, como no Largo da Carioca. Dentre outras coisas, a vale foi vendida por US$ 3,3 bi, quando valia US$ 92 bi.

Mais informações: http://www.avaleenossa.org.br/

domingo, 26 de agosto de 2007

20 anos sem Drummond



- Mas o senhor não poderia ter esperado mais um pouquinho, pra gente se conhecer??


Como eu gostaria de ter conhecido esse velhinho... Acabei conhecendo-o de outra forma, quando me deparei com seus poemas e crônicas e tomei aquele susto de me ver ali, de alguém falando por mim, meus suspiros traduzidos. É uma experiência quase sobrenatural. E você não é mais o mesmo depois de um troço desses. No mínimo, você ganha uma companhia pro resto da vida, em forma de livro. No máximo, domando toda a pretensão e ousadia possível no momento, você quer virar escritor.

Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade provocaram isso em mim. O mineiro de Itabira, cuja morte aconteceu em 17 de agosto de 1987, me mostrou que eu poderia fazer poemas sem rima ou excessiva formalidade. Ah, o Modernismo e suas rupturas... Mas nem de longe ele me disse que seria fácil fazer poemas, quanto mais um poema bom...

Feito isso, minha nada célebre produção poética ficou na adolescência, com o combustível passional de então, correndo atrás de paixõezinhas que não tinham futuro. Respeitemos as descobertas púberes, e todo mérito a Drummond. A partir dali, bebia de seus poemas e a cada estrofe nova (para mim), era uma nova ode, justa, devida.

Assim como Sabino, quis muito conhecer Drummond. Nem teria como, mas eu queria muito, muito. Não posso ver uma entrevista antiga dele que me vem essa vontade que eu sei ser impossível de realizar. Mas vem! E eu fico naquela tristeza de ter uma saudade de alguém que nunca conheci, e que está intimamente ligado a uma das minhas vocações mais certeiras, que é a de escrever.

Não sei se serei um escritor como Drummond ou Sabino. Nem sou eu quem tenho que dizer. Garanto que não almejo ABLs da vida, porém fico um tantinho revoltado quando vejo textos questionáveis fazendo sucesso ou sendo incensados... Mas Drummond era funcionário público, e escrevia por necessidade de alma. Por acaso genial, foi dos maiores do nosso tempo. Não sei quais serão as conseqüências de meus escritos, mas o propósito com o qual escrevo são os mesmos do velhinho.

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo". E o senhor achava pouco?

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Pan continua!

Passada a festa e o heróico esforço de nossos atletas, que conseguem ser campeões mesmo com a incompetência e corrupção de nossos dirigentes esportivos, é hora de averiguar o que houve com o dinheiro do Pan 2007.

O orçamento estourou, empresas foram escolhidas sem liccitação (todos de compadria de Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro) e agora querem enterrar a CPI do Pan. O seu dinheiro, como contribuinte, foi pro bolso de pouquíssimos larápios, e não querem mais falar nisso.

Os vereadores Eliomar e Patrícia Amorim são votos vencidos para que a CPI do Pan seja feita agora. Luiz Antonio Guaraná, Nadinho de Rio das Pedras e Carlo Caiado votaram contra, cumprindo orientação do prefeito maluquinho, Cesar Maia, que tem muita responsabilidade nesse Pan (ele sumiu, né, não? O Pan não era carioca?)

O que a gente pode fazer? Encher o saco desses vereadores, pressionar para que eles permitam a instalação imediata da CPI.

CARLO CAIADO - caiado@carlocaiado.com.br - Tel: 3814-2081 a 2083/2513/2514

NADINHO - nadinhoderiodaspedras@camara.rj.gov.br - Tel: 3814-2692 / 2440 / 2441/ 2444

LUIZ ANTONIO GUARANÁ - laguarana@uol.com.br - Tel: 3814 - 2187 e 2189

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Agora, chega! Boicote já!


Não dá para acreditar: Airbus da TAM apresenta problema e não decola no ES. Como uma empresa com tantos históricos de defeitos e acidentes - até o dono morreu num acidente de avião - continua operando sem nenhuma punição? 1996 e 2007 nunca serão esquecidos, agora outro defeito. E aí?

Além disso, as indenizações devidas nem são pagas. Ora, essa companhia aérea não merce mais o nosso respeito, tampouco o nosso dinheiro. Se eu tiver que voar, não será de TAM. E não é medo, não, é despeito assumido mesmo. Pra não agüentar mais desrespeito e marketing goela abaixo. Arre!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Vale o que a gente quiser

Dane-se se a privatização é ou não é a melhor opção. Todo mundo sabe que houve picaretagem braba na entrega da Vale do Rio Doce, com dinheiro público DO ESTADO, e o leilão é questionado por mais de cem ações na justiça!

Aqui você confere a organização de um Plebiscito Nacional sobre a privatização da Vale, que acontece em setembro. Vamos gritar!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Quando chega a nossa hora...



(Rua do Catete)

Meus caros, devo lhes avisar que a minha hora chegou. Como eu esperei que ela chegasse! Chegou. Sem mais expectativas ansiosas, finalmente consegui morar no Catete. Ok, apenas assinei o contrato de aluguel - mas já estou com as chaves! Pra vocês entenderem o significado de tamanho acontecimento, transcrevo abaixo uma crônica pré-internet, escrita há pelo menos sete anos...


FASCÍNIO

O Catete me conquistou. Se algum dia duvidei da predestinação, tal comportamento mudou ao passar pelo Museu da República e caminhar pelas ruas do histórico bairro, com todas as suas particularidades. Não era concreto nas paredes ou asfalto nas ruas: era espelho. Um tradutor simultâneo de minh’alma ao pisar as calçadas que abrigam sebos de alta qualidade e diversidade, restaurantes carismáticos e opções culturais na medida de quem sempre sonhou uma Canaã do tipo e ainda não havia descoberto em sua própria cidade.

O trânsito das pessoas parece mais civilizado do que em quaisquer Londres e afins. Sem a hipocrisia altiva característica dos que são privilegiados por alguma posse e se julgam superiores. Os que podem andar pelo Catete e desfrutar do que o bairro oferece são privilegiados – mas não parecem! Não que não valorizem. Mas é normal, corriqueiro tudo aquilo. O que me deixa fascinado para eles é rotina, e ninguém despreza tal situação.

Os mais críticos já devem ter elaborado todo o seu raciocínio e condenado minha descrição do Catete e minhas reações ao estar lá. Talvez até alguns moradores estejam me vendo como um sonhador, falando de outro lugar, lunático, doidivanas. Têm esse direito. Assim como eu, de relatar identificação – algo por mim tão ressaltado e valorizado, impossível de ser alvo de indiferença e que senti ao passar pelo Catete.

Para notarem que estou no mundo real: o Museu da República, templo de flashbacks; estar em seu interior é ter de novo na memória a Era Vargas e todos os seus desdobramentos. Passo pela livraria e, por ser uma livraria e marcar seu espaço ali, já merece meu respeito e devido mérito. Ando pelos jardins, respiro ar puro no outrora efervescente coração da antiga capital. Extasio-me ao notar o cinema, sétima arte carimbando ali qualidade cultural de primeira.

Enveredo pela Rua do Catete e avisto do outro lado um sebo humilde até no nome: “Sebo”. Nenhuma propaganda além do acervo chamando os necessitados por leitura a saciarem-se por suas portas. Adiante, outro. Depois, mais outro. Antes do Largo do Machado, na Buarque de Macedo, outro. Sinto-me ébrio, mas é só impressão. Ainda vejo outro cinema, mais moderno e uma videolocadora com filmes para além dos superlançamentos.

A discrição do Catete em relação aos demais bairros traz-me a sensação (tentação) de culto à personalidade. No caso, à minha própria, enlevada por descobrir um lugar tão igual a ela. Raramente está na mídia, não possui orla alardeada, esconde-se atrás do Flamengo, à sombra da Glória... E segue exalando cultura e auto-suficiência por todos os seus estabelecimentos. Não precisa da opinião alheia para ratificar sinceridade e transparência, ser o que é e pronto. Humilde ainda por cima.

Todo esse “delírio real” incontestável é interrompido pelo início de uma depressão que será constante até o fim do dia. Um “banzo” contrário ao vivido pelos escravos. Pois se estes padeciam pela saudade atroz de sua terra natal, eu sofria por antecipação. A certeza de que precisaria deixar o Catete e voltar pra casa na hora devida cortava-me a sangue frio, como vento gélido na ferida aberta. Não, ainda não moro no Catete. Não tenho motivo algum para ali pernoitar. Nada do meu dia-a-dia encontra-se no Catete. São gemidos que se compõem como trilha sonora de minha volta ao ponto de ônibus. Mas tendo a esperança planejada de meu ponto final ser no bairro que me pertence desde que sei que a ele pertenço.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Gente humilde

É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Senão, a gente perde grandes baratos por causa de orgulho besta.

Você ganha um CD que a princípio você odiaria, a despeito da recomendação de amigos que sabem o fino da música brasileira. Aquele constrangimento e tal, encosta o CD na estante naquele dia.

Depois ouve um pouco e vê que estava enganado, preconceituoso. Mas, pelas tarefas cotidianas, o CD acaba esquecido, como os outros.

Aí o CD ressurge numa arrumação dessas, vem à tona dos ouvidos novamente e você se sente até mais maduro para curtir a boa música, seus arranjos e letras, seu contexto histórico. Tudo o que eleva a qualidade, incentivando o play it again.

Mas você só aproveita se largar de mão o orgulhinho besta que diz: "Você odiou no começo, vai mudar de idéia, maria-vai-com-as-outras?". E a lógica prossegue pra um monte de coisas nessa vida.

É por isso que a gente nessa vida a gente precisa de humildade. Reconhecer que você não estava tão senhor de si assim. Sabichão que pensa que tudo sabe e descarta "os inferiores" que, pelo seu critério, não te acrescentarão muita coisa.

Assistir documentários exercita essa humildade. Percebe lá a sabedoria de quem não é famoso, nem célebre, nem reconhecido em público. Mas calhou de ter uma câmera curiosa sabe-se lá de onde, registrando e ouvindo, e depois repassando nas telas. Quem tem ouvidos pra ouvir, ouça. Quem pode olhar, vê se vê.

Aproveita.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Não se pode elogiar mesmo...


Nada como um dia após o outro. Ontem, destaquei a primeira página do Globo como exemplo do que a imprensa deve ser, fiscalizando o poder em nome da sociedade, com responsabilidade.

Hoje, parece que o Globo voltou ao normal...

Seqüência de três fotos mostram o momento em que o assessor da presidência Marco Aurélio Garcia e um companheiro de trabalho comemoram a notícia de que o avião da teria um defeito, tirando Governo e órgãos de controle da aviação do papel de possíveis culpados pela tragédia. Não bastando, os dois fazem gestos bem conhecidos de todo brasileiro: o top, top, top, mandando tomar lá; e outro, dizendo que os inimigos se auto-fornicaram (copyright: LFV).

Primeiro: qual a necessidade de colocar essas fotos na primeira página? E mais: quais as conseqüências? Porque, para um povo ainda sensibilizado e revoltado com a tragédia, ver pessoas ligadas ao Governo Brasileiro com esse tipo de reação não ajuda em nada. Ao mesmo, tempo, nada informa. Ou melhor informarIA que eles ficaram felizes pela responsabilidade não ser deles.

Eu te pergunto: você reagiria diferente? Você, sendo um dos responsáveis pelo funcionamento da Nação e de seus espaços áereos, vê uma tragédia dessas acontecer. Cerca de 200 pessoas mortas. Ao se dar conta que você não foi responsável por isso - como estava sendo anunciado e suspeitado, com certa razão - você não ficaria aliviado?

(Não vou nem levar em consideração os gestos obscenos. Ficar discutindo isso é moralismo babaca que não vai nos levar a lugar algum.)

A edição da notícia induz o leitor a encarar a reação dos assessores como uma leviandade do Governo diante do drama das vítimas. O leitor pode pensar que estou defendendo o Governo com unhas e dentes. Na verdade, defendo um jornalismo responsável, queixa recorrente nessas queridas linhas blogueiras.

Outra questão é da visibilidade do canal de comunicação: já imaginou se o país inteiro flagrasse as piadas que você conta para os colegas de trabalho? O que pensaríamos de você, hein? Retirar do contexto privado uma conversa e transferi-la para um canal público traz sérias conseqüências, que devem ser muito bem pensadas antes de serem publicadas. Vide os grampos da PF, que ao serem vazados a torto e a direito transformaram alguns citados em culpados, e depois que nada é provado contra os mesmos fica a sensação da impunidade. Dessa vez, provocada pela falta de noção para levar as informações a público.

Bem disse meu colega Henrique, quase-profeta, comentando o post anterior: "Lessa,concordo com você, mas temos que manter o cuidado com a imprensa. Há uma grande companhia envolvida e até agora não foi demonstrado se o acidente foi provocado por problemas com a pista ou foi fruto de um erro humano. Esse é um excelente momento para bater nos órgãos federais que controlam a aviação, mas ainda não há provas de conexão entre os problemas de apagão aéreo e este trágico acidente".

Senão, top, top, top pra todos nós...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A gente precisa dessa imprensa


A capa do Globo de hoje denota o que vem a ser um jornalismo que o povo brasileiro tanto necessita: um fiscalizador responsável dos detentores do poder, em nome do interesse público, sem ignorar a verdade factual.

Quem me conhece (e que lê este blog) sabe que não morro de amores pelo referido jornal, ou pela atual imprensa brasileira. Mas, com justiça, preciso ressaltar quando eles acertam e fazem diferença (pra melhor) na sociedade.

Enumerar os milhões de órgãos "responsáveis" pela aviação brasileira e inquirir, em nome da população, quem vai resolver, de fato, o caos áereo após uma tragédia - mais uma - é dever da imprensa que tem voz. É bem melhor, mais maduro e mais útil do que simplesmente fomentar picuinhas políticas, histórias de alcova e Big Brothers Boçais.

A primeira página do Globo de hoje deve ser objeto de reflexão do próprio Globo e dos demais veículos, em nome dos anseios da população: queremos informação responsável, com credibilidade, humanizante em vez de mercadológica, necessária para nossa sobrevivência diária.

Que não precise cair outro avião para a imprensa redescobrir seu verdadeiro papel.

sexta-feira, 6 de julho de 2007


Você mora no Complexo do Alemão?

Se você não mora e quer saber o que acontece com os habitantes de lá durante a ocupação das favelas, leia o texto abaixo.

Se você não mora e já tem opinião formada sobre a "ofensiva de segurança" da polícia, leia o texto abaixo.

"Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todos os que assistem a esta sessão ou nela trabalham:Por designação do Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Deputado Luiz Couto, representei esse colegiado parlamentar, em visita à comunidade da Grota, no Complexo do Alemão, na Cidade do Rio de Janeiro, alvo de forte ação das forças de segurança pública.Por tratar-se de um acontecimento de repercussão nacional, apresento, para conhecimento e reflexão desse plenário, o relatório de nossas atividades naquela localidade.

POLÍTICA CONSEQÜENTE DE SEGURANÇA OU ESPETÁCULO LETAL DE ABERTURA DO PAN?

O relato de uma visita à comunidade da Grota, no Complexo do Alemão, durante a tarde de sábado, último dia de junho de 2007."Quem usa o sapato sabe onde o calo dói", ensina a sabedoria popular. Para se ter a dimensão exata da ação das forças de segurança na última quarta-feira, 27 de junho, no Complexo do Alemão, não basta ouvir as autoridades e a opinião da sociedade que não vive lá. Tratou-se de uma atividade vinculada a uma política pública: os 1.350 policiais militares, civis e da Força Nacional que participaram da operação são servidores e os veículos blindados e helicópteros que os apoiaram também são custeados pelo contribuinte.

Logo, esta operação, realizada, em tese, para a defesa da população e do bem-comum, precisa ser avaliada também pelos 200 mil moradores da região afetada. A esses, em geral, não se dá a palavra: apenas se promete, de forma paternalista, um "futuro melhor, de cuidados". Para ouvir estes silenciados, parlamentares das Comissões de Direitos Humanos da ALERJ e da Câmara dos Deputados lá estivemos. Todos compartilhamos da certeza de que é necessário que o Estado esteja presente nas áreas pobres, onde hoje, sabidamente, o poder despótico do varejo armado de drogas ilícitas tem amplo controle. Todos entendemos que é urgente o estancamento da oferta de armas e o desarmamento dos grupos que se beneficiam com esse comércio, tão mais próspero quanto mais gente - no sossego de seus bairros mais bem tratados, onde também residem os "barões" do negócio transnacional - se torna usuária e dependente dos produtos químicos. Todos escolhemos, secretário Beltrame, viver em paz e sob a proteção do Poder Público, legal, legítimo e controlável pela cidadania.

Na sede do "Afro-Reggae", que realiza belo trabalho sócio-cultural na comunidade da Grota, nós e lideranças comunitárias ouvimos duas dezenas de moradores que viveram integralmente as horas de pânico com a incursão militar na favela. De imediato, destaque-se isso: foi uma incursão, um "ataque", uma ofensiva. Não uma ocupação, o passo inicial de uma presença permanente, um apoio para a imediata inserção da outra face, indispensável, do Poder Público, com sua assistência social, educacional, cultural, sanitária, de estímulo à agregação comunitária.

Um soldado da Guarda Nacional, postado na entrada da via de acesso à Grota, perguntou preocupado: "Mas vocês vão entrar?" "Não estaremos em segurança, não há uma ocupação?", indagamos. E ele, visivelmente incomodado: "Não tenho essa informação".

A única novidade dessa operação foi a sua potência, que também gerou atrocidades maiores contra quem não tem nada a ver com o conflito e devia ser respeitado como cidadão. Eles vieram para matar e não para prender ninguém. Isso só fez aumentar a raiva e a revolta dos moradores. Vê lá se em bairros chiques ou de classe média eles iam agir assim!"O que é este "agir assim"? Para além do inevitável tiroteio, que furou paredes de casas e caixas d´água, e da positiva captura de arsenais, houve dezenas de casas arrombadas, invadidas e saqueadas - na contabilização das perdas materiais, moradores, devidamente identificados pela OAB, registraram o sumiço de celulares, dinheiro, documentos pessoais, cds e dvds, utensílios de cozinha (inclusive facas), alimentos, peças de vestuário, calçados e até brinquedos, além da destruição de móveis e eletrodomésticos.

Automóveis também foram arrombados, com seus rádios e ferramentas roubados. Uma kombi, cujo proprietário tem todos os documentos em dia, e que era seu ganha-pão, depois de ser utilizada pela força policial (que a acionou com ligação direta), inclusive para transportar corpos, foi incinerada. A dona de um barzinho ainda faz o levantamento do prejuízo com a "ocupação" de seu estabelecimento por policiais, que zeraram seu estoque de bebidas e quitutes, além de levarem um par de tênis e um celular.

O "agir assim", ao arrepio da lei, significou situações ainda mais graves, como pelo menos duas execuções sumárias, de possíveis traficantes desarmados e imobilizados, relatadas em detalhes por testemunhas, que dizem ter "nascido de novo": um pai de cinco filhos, mostrando os sinais de sangue no exato local da eliminação que assistiu, apavorado, e um jovem de 14 anos.

O espírito de muitos dos "agentes da ordem pública", no relatado pelos que por eles foram abordados, era de absoluta intolerância e agressividade, além do procedimento corrompido que os inaceitáveis roubos e furtos, já descritos confirmam. Um jovem detido foi indagado, aos gritos, se acreditava "no diabo". Face à negativa, o policial disse, iniciando o espancamento: "pois sou filho dele, você vai conhecer agora!". Um senhor, cuja casa se tornara "base de operações" sem seu consentimento, ousou dizer que estava havendo "abuso de autoridade". Além do tapa, ouviu que "autoridade aqui sou eu e cale a boca se não quiser ir pra vala!". São esses que celebram como vitória o saldo de, até agora, 44 mortos e uma centena de feridos, cujo óbito é justificado genericamente por "ligação com o crime".

O senso comum aplaude. Há membros destacados das tropas do Estado que não escondem o sonho de "ir para o Iraque". Bush sentir-se-ia bem com soldados assim.Ao fim de nossa visita, a comunidade vivia sua rotina do anoitecer de um sábado: rostos sofridos de senhoras nas janelas, jovens conversando ou jogando carteado, sob desbotados cartazes de candidatos que nunca mais apareceram, sons de preces e funks e batuques no ar, esgoto a céu aberto onde ratazanas passeavam, tvs nos bares transmitindo o jogo inaugural do "Engenhão", o estádio do Pan, trabalhadores voltando para casa, com sacolas de compras na mão. Vida pulsando, tensa. E a pujante e constrangedora atividade do "movimento", como sempre.

Meninos de seis a oito anos corriam na viela atrás da bola, alegres, observados por outros tantos pouco mais velhos que eles, muito bem armados e ciosos do seu poder de mando. A lua cheia reforçava o contorno do horizonte crepuscular, com as casas humildes desalinhando o perfil da montanha. O Poder Público já tinha, há muito, ido embora dali. Todos - que o aspiram como prestador de serviços, promotor de oportunidade e garantidor de direitos - temem que ele volte do mesmo jeito: não como solução social continuada, e sim como horror e destruição."

(Pronunciamento do deputado Chico Alencar, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara)

domingo, 1 de julho de 2007

Vocês façam-me o favor...

De calar a boca, aqueles que dizem que o futebol hoje é força, preparo físico e "matar a jogada" com faltas. Calem a boca aqueles que dizem que o futebol bonito não traz resultado, ou que o talento não é tão decisivo quanto antigamente. Calem a boca todos vocês que pensam e dizem isso, pois o terceiro gol de Robinho, hoje, contra o Chile, é prova viva de que vocês estão errados.

Robinho, magrelinho daquele jeito, nem chutar forte ele sabe, jogando sozinho - porque ele jogava bem, ao contrário do resto da seleção - fez o que fez, aos 41 minutos do 2º tempo. Pulmão o garoto tem, de correr aquilo tudo, dar um drible "da vaca" num zagueiro, depois um drible curtinho em outro (o famoso "come" das peladas), sempre correndo, ninguém pega, o chute de perna esquerda (ele é destro) e o golaço, golaço, golaço.

Taí a contribuição do preparo físico: ser suporte do talento. O primeiro qualquer um consegue, o segundo é genético. Mas como tudo na vida, o talento pode ser tolhido pelas instâncias de poder (técnicos), pela força bruta (brucutus que só entram em campo pra fazer falta e bater, bater, bater) e rarear. Isso tem acontecido no Brasil desde cedo, e Robinho é jóia rara por ter vencido tudo isso, desde as divisões de base - porque lá o garoto, nos seus 10, 11 anos, já sabe que tem que ter força física, "matar a jogada", perde o aspecto lúdico do futebol. A diversão que quando bem executada, leva o craque à glória máxima: o gol! E com o gol, a vitória, o resultado.

Futebol bonito pode ser futebol de resultado, nessa ordem. Se você discorda, cale a boca depois do gol de Robinho. Cale a boca, meu camarada, depois de Robinho aparecer nessa insossa seleção brasileira de Dunga (que nunca foi craque, nem técnico - com duplo sentido, por favor). Pois o time não faz nada de bom, e ele teve que resolver sozinho. Opa, sozinho não: com talento que ele tem e não abre mão na hora de jogar profissionalmente.

Talento por si só não leva a lugar nenhum? Pois levou a bola no fundo do gol três vezes hoje, mas na terceira ele humilhou você, meu camarada, que acha que jogar sério é destruir jogada, bloquear ataque, vencer por 1x0 ou nos pênaltis e achar que teve um "orgasmo futebolístico". Você não teve nada, meu caro, principalmente porque pensando assim, você nunca fica na expectativa de que Robinho faça o que fez no terceiro gol, e quando acontece, você não sabe desfrutar da delícia que é um golaço, golaço, golaço.

Então façam-me o favor: me esqueçam se forem comentar algo que não seja o terceiro gol de Robinho hoje, ou algo similar. Porque o que é raro porém resistente deve ser celebrado continuamente, em lugar de intermináveis mesas-redondas sobre "nó tático", defesa fechada, recuar pra jogar no contra-ataque. Olha o nome: CONTRA-ataque!!! A gente tem que falar do terceiro gol de Robinho, dos dribles de Robinho, dos golaços de Robinho, do talento puro e simples, genial, diante do deserto de criatividade que se instalou atualmente na seleção brasileira - e até em outras seleções, como se viu na Copa de 2006. Ah, e Robinho ficou no banco nessa Copa. Tá explicado.

Calem a boca.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Os leitores participam

Em resposta ao post anterior (Começando pelo motorista), meu amigo André Aureliano respondeu com um texto jocoso, mencionando até o filho Samuel, recém-nascido. Apreciem:

"Saudoso amigo Marcos. Venho por meio deste emeio para:

1. Comentar o seu blog;

2. Só isso.

Pois bem. Ao receber tão inusitado emeio convidando-me a visitar seu blog, de pronto cliquei no link indicado. Ato contínuo abriu-se magicamente uma outra janela onde pude ler: lessa27. (A propósito, um nome mais simples, apropriado e adequado do que o antigo Lessog. Era interessante, mas esquisito. Prefiro Lessa27. Parabéns pela escolha.) Se fosse escrever uma redação do tipo "minhas férias", eu apontaria como tema principal o fragmento de teu texto que refere-se ao sinal feito com o polegar em riste clamando ao motorista para que lhe permitisse a entrada pronunciando a mui jocosa expressão: "Na moral". Sou grato por me fazer sorrir imaginando a impagável cena. Muito divertida por sinal. O restante do texto foi também muito interessante, mas nada se comparou ao na moral.


Teu texto foi um texto na moral.

P.S. O Samuel vai bem, cresce e mama na moral.

Amplexos constrictos do teu irmão.

André"


OBS: Ao lado, André ninando Samuel... na moral.

terça-feira, 12 de junho de 2007


Começando pelo motorista

Aquela rotina de acordar cedo, atravessar os sinais de sempre e correr, porque o ônibus que te leva ao trabalho está parado no sinal. O polegar pra cima, olhando pro motorista pedindo "na moral" que me deixe entrar. As portas se abrem. Bolas de aniversário amarelas penduradas até chegarmos à roleta.

Uma festa dentro do ônibus, numa terça-feira, às 7h45 da matina? Enquanto tiro meu Riocard do bolso, uma mulher sentada no banco solitário do lado da escada brandia uma faca. No colo, um bolo (com glacê!), já pela metade. Não perguntei nada - que vergonha, jornalista! - mas suspeitei que era aniversário do motorista.

Curioso é que a "festa" (ou a arrumação do ambiente para ela) ia da porta do ônibus à roleta. Ou seja, num curto espaço de 2x2, enquanto os funcionários trabalhavam, dirigindo e cobrando. Depois de pagar a passagem, o coletivo voltava à sua normalidade cotidiana.

Mas não é esse o espírito da celebração? Mesmo sem a pompa, a grana, a multidão de convidados, as finas iguarias - que normalmente são os requisitos chamados de indispensáveis para o "sucesso" de uma festa. E quando os estresses para a preparação da celebração são bem maiores que a oportunidade de se regozijar por algo? A relação custo/benefício não se calcula apenas no bolso, e muitos se esquecem disso.

Como não é bom desprezar as singelas cenas da vida e o significado que elas evocam, guardo pra sempre esse começo de dia. Tá ali o que se precisa pra comemorar um aniversário, uma conquista, um momento que é especial por si só, não pelas aparências ou padrões-prisões que impomos a eles. A trocadora, o motorista e os "convidados" dos bancos anteriores à roleta não tinham sequer o tempo devido, tiveram que comemorar enquanto trabalhavam. Nem isso foi obstáculo.

E se você não pega ônibus pra ir trabalhar, azar o seu.

(OBS: A charge acima é do gênio Henfil.)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

40 anos de Sgt. Pepper's

Hoje, 1º de junho, parabéns pra eles e pra nós. Eu nem sabia disso e há dois meses postei esse texto. Antes de Joaquim Ferreira dos Santos e da revista Bizz desse mês!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Quanto a expectativas e resistência em regimes de opressão

Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

(Renato Russo)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

CÂMARA MUNICIPAL APROVA CPI DO PAN

A Câmara Municipal aprovou na terça-feira (22/05) requerimento, apresentado por Eliomar e assinado por mais 16 vereadores, de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar indícios de irregularidades nas obras, nos equipamentos e nos contratos firmados pela prefeitura do Rio para os Jogos Pan-Americanos.

Há fatos preocupantes, divulgados pela imprensa e relatados pelo acórdão 282 do Tribunal de Contas da União, que exigem uma investigação: a construção do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, prevista inicialmente em R$ 166 milhões, já consumiu cerca de R$ 400 milhões, teve mais de 20 aditamentos ao contrato, e ainda não está finalizada; em função do atraso das obras, alguns serviços acabam sendo feitos sem licitação e, portanto, sem um procedimento administrativo adequado que garanta a lisura das operações.

Além disso, as metas estabelecidas na Agenda Social do Pan não foram cumpridas. Por tudo isso, é preciso investigar se houve má administração dos recursos públicos por parte da prefeitura. Caso isso tenha ocorrido, o processo será enviado ao Ministério Público para que sejam tomadas as providências cabíveis. A CPI deverá ser instalada na próxima semana e terá 120 dias para apresentar seu relatório final.

(da newsletter do Mandato Chico Alencar - www.chicoalencar.com.br)

Este blog está acompanhando criticamente o Pan 2007. Vide post anterior.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Uma cena

Os médicos também são capitalistas. De que adianta "sair voado" do trabalho, mais cedo que o normal, se ao chegar ao consultório na hora marcada há cinco pessoas na minha frente, devido ao atraso de consultas anteriores? Acontece que sempre que vou lá é assim, o que me permite a suspeita: quanto mais consultas, melhor. Qualquer atraso, o paciente espera! Absurdo, como muitas das buscas pelo lucro máximo.

Pois eu é que não fico lá esperando. Daqui a uma hora eu volto, e me mando pra Cobal do Humaitá em busca de um crepe e um mate limão.

E vem a cena.

60 e mais anos, camisa pra dentro da calça, barriguinha "aerodinâmica" dos chopinhos em vida. De cabeça erguida, olhos fechados (só se abriram para fixar algum ponto específico, lá no alto), braços abertos como se recebesse uma bênção divina. Ao redor, o estacionamento da Cobal, as pessoas passando e ele, concentrado.

Não demorou e veio o sinal-da-cruz, três vezes, todos terminando com 3 beijos nos dedos que vão à mão, após o Amém.

Então percebi: o ponto específico, lá no alto, era o Cristo Redentor.

Porém, mais do que entender, vi a fé. Se ela pudesse se materializar, seria naquela cena. Cadê o templo? Não havia. E o constrangimento por tal postura em público? Também não existia. Afinal, por que se envergonhar de sua fé?

Ele também não estava ali para dar espetáculo. Terminou seu momento de fé (após uma última e igualmente feliz contemplação do Cristo, ainda com os braços abertos, "em bênção"), e seguiu Cobal adentro.

Do jeito que foi a cena, não arrisco dizer que logo após ele "voltou à vida", como se antes estivesse em transe. Não, ele seguiu o curso normal de seu cotidiano, do qual a fé parece fazer parte significativa. A ponto de ser tão natural um momento daquele em público, como andar devagar ou usar camisa pra dentro da calça.

Vi a fé, pois ela não precisa de um aparato específico para ser exercida, simplesmente é espontânea e sincera. Como naquela cena. Acontece.

Vi a fé, graças ao capitalismo.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Vale mais que mil palavras...

Câmara aprova aumento dos salários na surdina









Tá na cara... de pau.

Na foto, Inocêncio (?????????????) Oliveira, deputado DEMoníaco de Pernambuco

quarta-feira, 9 de maio de 2007

O fim da lingüiça

Parece que é sério. Está em curso uma reforma da língua portuguesa que traria mudanças, a fim de unificar o idioma nos países lusófonos em todo o mundo. Com todas as vantagens que isso pode acarretar (dicionário único, economia devido a uma ortografia apenas), vai soar estranho. Acentos como o circunflexo, o popular "chapeuzinho", podem ser extintos. Palavras como "vôo" virariam "voo", por exemplo. Credo!

Mas nada é mais trágico do que a extinção do trema. Tão simpático, por que ser extinto? Há quem não sinta a menor afeição por ele, e dá graças pela reforma. Mas tem o seu charme. Finalizamos a palavra com todo esforço e pingamos dois pontos flutuantes em cima do U, e c'est fini, feito uma cereja no bolo recém-confeitado. Esteticamente, cumpre o seu papel com fineza.

O trema não faz mal a ninguém. Sua regra não é confusa, e não disputa lugar com outros acentos. É só no U, e acabou. É discreto, simples, fácil de grafar e administrar. Por que a implicância com ele? Pois devia ser aplicado em Portugal, Angola, Macau e demais plagas de lusa fala. Seria uma demonstração diplomática de boa vizinhança. E sem grandes custos: apenas um pouquinho de tinta espetada no papel. Ou melhor, dois pouquinhos.

Não vou mais comer cachorro-quente com lingüiça, escrever com freqüência, ver a seqüência de vitórias do Mengão, ou ler tranqüilamente. Conseqüentemente à reforma, não haverá mais conseqüencias.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Ah, que alegria sofrida...










Pra quem não conseguir ler, diz o texto: "Hoje, milhões de pessoas acordaram achando o Rio ainda mais bonito". Propaganda da Petrobras. Sacada genial, né?

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Jogos perdidos? Que nada!

Essa é pra quem é maluco por futebol ou simplesmente quer acompanhar as campanhas de times que dificilmente estarão na mídia comum. O Tribuna da Bola vai te informar sobre o cotidiano de clubes obscuros ou ex-famosos que sim, existem, e fazem a alegria de alguns poucos torcedores. Criado pelo Claudio Burger e pelo Stefano Salles, que já estão sendo reconhecidos profissionalmente pelo trabalho.

Não é nada, não é nada, mas você pode acompanhar como anda o time do seu bairro que há tempos não desponta no cenário nacional. Pode-se saber, por exemplo, que o Rubro, de Araruama, não vai nada bem, ou que o São Cristóvão perdeu para o Profute (isso mesmo, Profute), mas segue vice-líder. Até o CFZ, time de Zico, aparece na cobertura. Trabalho de primeira sobre a segundona e a terceirona cariocas.

segunda-feira, 30 de abril de 2007


Tabuada!!!!! (*)

Foi com muito orgulho e sensação de "bem-feito!" que li, na primeira página do Globo de hoje que as escolas federais são uma saída para a educação. O orgulho, claro, é por ter sido aluno de uma das escolas citadas - o Colégio Pedro II - por toda a minha vida escolar, do primário ao terceiro ano do 2º grau. O "bem-feito!" é para aqueles tecnocratas economicistas que vêem na privatização a solução ideal e final para a "diabólica" presença do Estado em algo tão essencial para o país como a educação.

A matéria fala do Pedro II, do Colégio de Aplicação da UFRJ e do CEFET como modelos de ensino, aprendizado e valorização do professor, em todo o país. Mais até do que escolas particulares que cobram alto da classe média que desistiu de lutar por um bom ensino público (tinham como pagar, né? Dane-se quem não pode...). Pois vejam: ambas instituições federais, com espírito de serviço público, plano de carreira, boa remuneração, universalidade.

A crítica às políticas públicas de educação de nosso Brasilzim também é feita: os colégios são "ilhas" de excelência, pois não existe além deles uma rede de ensino público com a mesma qualidade.

Portanto, governantes, monetaristas e povinho classe média: é possível fazer ensino público de qualidade, se bem planejado e administrado. O que me dá mais raiva nos neo-liberais não é que eu pense diferente deles - é importante aprendermos a conviver com os contrapontos. Mas é por pensarem que o "mercado" ou "as empresas" sempre são o perfeito caminho para se cuidar de direitos básicos (e que nem sempre significam lucro, ou prejuízo): saúde, educação, moradia, cultura, alimentação... E que o Estado, por si só, é uma "fonte do mal" que deve ser extirpada o mais rápido possível. Isso é um discurso construído desde o começo da década de 90, para as privatizações descerem redondo na goela da nação.

Não vou negar os problemas que um funcionário público acomodado pode causar para o país (é por aí que se bate no Estado também). Mas daí a generalizar e chegar a uma conclusão que se pretende soberana e inquestionável - "vende/terceiriza que é melhor" - é uma grande distância.

Pior do que nos eleitos, é perceber nos eleitores que o espírito público não existe mais, apenas o darwinismo sócio-econômico onde o mais forte (no bolso) sobrevive. "Eu exijo meus direitos, pois pago meus impostos", é o que mais se ouve hoje em dia. Esqueceram, por completo, que direitos humanos básicos precisam ser garantidos ou mediados pelos representantes do povo, que ocupam... o Estado. Voltando ao exemplo dos colégios: o que tem de gente querendo que os filhos voltem pra escola pública, pois tá brabo pagar mensalidade... E vão reclamar com quem, agora? Com o dono da escola, que criou um negócio da educação? Ele tem mais é que praticar o seu capitalismo pra sobreviver.

Um último aspecto que queria ressaltar, existente no bom ensino público - que aprendi ao vivo e a cores, no Colégio Pedro II - é a universalidade. Lá, os alunos usam uniformes e têm contato com pessoas de todas as classes sociais. Também no Globo, também num domingo, um educador francês confirmou o óbvio: se as crianças já crescem em ambientes desiguais (escola particular x escola pública), tal experiência e mentalidade produzida vai se propagar quando crescerem e estiverem em suas respectivas "trincheiras" em meio ao cada vez mais agudo abismo social.

(*) Essa é para alunos e ex-alunos... Pra quem não conhece, vai a cola abaixo (pede pra alguém do CPII entoar o grito de guerra):

Pedro II, tudo ou nada?

TUDO!

Então como é que é?

TABUADA!

3x9, 27! 3x7, 21!

Menos 12, ficam 9

Menos 8, ficam 1

Zumzumzum, paratibum

PEDRO II!!!!!


Pra cobrar do Cabral

Em 4 de janeiro, Sergio Cabral indignou-se com a situação do hospital Albert Schweitzer. Pediu que o Secretário de Saúde elaborasse em 10 dias um plano para sanar os problemas da unidade hospitalar.

Em 27 de abril, Juliana Pereira da Silva, universitária, foi atingida por uma bala perdida e morreu no referido hospital, por falta de recursos.

E aí? Onde está o plano da Secretaria Estadual de Saúde de Sergio Cabral? 4 meses depois, nada parece ter mudado.

Quer cobrar do Cabral? Então lá vai:

Secretaria Estadual de Saúde: clique no envelopinho do cabeçalho (Atendimento ao Cidadão) e mande um e-mail. Ou ligue para o Gabinete do Governador, nos telefones 2553-1030 ou 2553-4573.

Ou espere o Exército chegar pra ver se resolve.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Pluralidade de opiniões

No que uma comissão do Senado aprova a redução da maioridade penal, o pai de uma menina assassinada por um menor discorda. E mais: admite que era a favor da redução só no período após o choque da morte.

Ainda que o texto termine com uma reação diferente por parte do pai, é interessante uma vítima assumir que, no calor do momento, tomaria uma decisão precipitada sobre a redução da maioridade penal.

Ouvi, "Sivucas" de plantão...

PS: aqui você confere um ótimo estudo de caso da cobertura do Globo e a pena de morte, analisando as matérias sobre o assassinato de Liana. Atemporal e universal.
PAN-DEMÔNIO (*)

Você sabia que existe o Comitê Social do Pan? É um grupo de 17 entidades que busca intervir criticamente na gestão do Pan-Americano do Rio de Janeiro. Um alento, já que a maior parte da mídia saúda o Pan como um carro-chefe de futuros lucros pro Rio, mas não coloca em foco os desperdiçadores do dinheiro público. O Pan aumentou em mais de 10 vezes o seu orçamento inicial (de R$ 800 milhões para R$ 3,5 bilhões), e lá se vai grana do Governo Federal para cobrir incompetências de planejamento dos dirigentes esportivos. Em especial, o senhor Carlos Arthur Nuzman, mais um grande aproveitador do filão do esporte brasileiro, tal e qual Ricardo Teixeira.

Algumas das entidades atuam não apenas no Pan, mas de maneira permanente. E é essencial que sejam conhecidas do público, como o Fórum Popular do Orçamento.

(*) Título de artigo do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), também sobre o Pan-Americano.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Luto

O luto é necessário. A perda traz impacto fulminante, é impossível prosseguir do mesmo jeito no dia seguinte a ela. A imunidade emocional vai lá embaixo, e a metáfora biológica se aplica em todos os aspectos. É preciso convalescência.

Ao mesmo tempo, o luto tem um dado curioso, mesmo em suas expressões mais tradicionais: possui um período. Um dia, mais ou menos de acordo com a dor referente, foram estipulados vários períodos de luto. Luto oficial de três dias, uma semana. Algumas viúvas já ficaram enlutadas por um, três ou sete anos!

Mas é um período determinado. Ou seja, existe a necessidade de se viver o luto, e também a necessidade de que ele termine. E isso algum dia foi programado, pensado, planejado. Precisamos estar cientes, e buscar essa mentalidade: o luto é essencial após as perdas, mas deve terminar. Do contrário, ficamos estagnados. Fim do luto é recomeço da luta.

Não sejamos frios pensando que todo luto tem um período e ponto final. Cada um no seu tempo, mas com a consciência de que ele tem que acabar a tempo da vida seguir.

Pequenos grandes aprendizados do cotidiano.