sábado, 2 de agosto de 2008

Salto alto e pochete

Matei a charada! Pode me chamar de pretensioso ao final do artigo, ou mesmo artista do óbvio. No entanto, pessoalmente, acredito que caminhei mais algumas milhas na dificílima arte de decifrar como se desenrola um relacionamento homem-mulher.

Minha namorada (hoje esposa) quase me espinafrou a sangue-frio quando me viu portando uma pochete no ombro (veja bem: eu não usava na cintura). Tinha me maravilhado com aquele singelo artefato: meu celular, minha carteira e minhas chaves cabiam num só lugar de maneira portátil. Chega de revezamento de bolsos!

Paralelamente, ela vez por outra reclamava que aqueles sapatos estavam assassinando-a, devido aos saltos, altos e finos. Ainda assim, o uso em determinadas ocasiões era prioritário, quando não obrigatório.

Salto alto e pochete: como dois objetos conseguem ser tão concisos quanto a características intransferíveis do homem e da mulher. Enquanto nós priorizamos a utilidade e o conforto acima de tudo, elas fazem o mesmo com a estética. E nessa gangorra os relacionamentos passam por aventuras inesquecíveis.

Pensamos: qual a razão para se usar um sapato desconfortável, que machuca os dedos e os calcanhares? E por que não devemos usar um recipiente tão perfeito para guardar o resumo de nossa vida diária?

Pensam elas: qual a razão para se usar algo tão horroroso no ombro (e que na cintura é uma aberração)? E por que não devemos usar sapatos tão lindos (que torço para que nenhuma mulher mais tenha)?

Ambos evocam as argumentações acima e se entreolham, incrédulos com a profissão de fé do outro.

Estética e utilidade (com conforto) podem caminhar juntas, mas essa graça não foi alcançada pela pochete ou pelo salto alto. Foram inventados apenas para colocar em xeque os relacionamentos que tentam driblar a arte de negociar e a oportunidade de perceber como funciona o sexo oposto.

Mesmo assim, saimos perdendo: sempre haverá os bolsos, mas determinadas vestimentas femininas não pedem outra coisa que não os sapatos de salto alto. E pior: adoramos vê-las com eles.

O que não apaga a minha sensação de ter matado uma charada.


4 comentários:

Igreja Presbiteriana do Grajaú disse...

Introduzo um mistério q contradiz a sua "pretensão" de ter matado a charada. No ano passado ganhei de minha mulher o presente q pedi, na minha febre de praticidade. Adivinha... Exatamente: pochete.
Só q ela só encontrou a q eu queria na cor verde-escuro. Então eu fui 3 ou 4 X à loja p/ trocar, mas não tinha outra cor (ou melhor, tinha: vermelha). Depois deste calvário, ela sorriu p/ mim e disse: "querido, usa a verde mesmo; vai ficar legal".
Grandes mistérios da humanidade. Mas p/ q esse "comichão filosófico" não te corroa por dentro, uma pista epistemológica: depois de 20 anos de casamento feliz, a lógica dos relacionamentos mudam (eu acho q p/ melhor...).

Asdrúbal disse...

pochete é foda mesmo...

Maria Claudia disse...

Depois de vinte anos, ficamos mais ligados na pessoa do que no objeto. Achamos lindo aquele sorriso que contemplamos há tanto tempo. Achamos a prata que aparece no cabelo, um reflexo pálido do ouro que está no coração. Portanto, ficamos mais sábias. E começamos a achar que legal, mesmo, é uma sapatilha ou um tênis e que saltos altos, embora elegantes, devem ser resguardados para as mocinhas que tem a coluna inteira...kkkkkk

as noivas do jeff bonfim disse...

hahahaha.... eu uso pochetes que nem parecem ser pochetes... São mais modernas e procuro não exagerar na cor nem no modelo. As vezes fico com raiva quando estou compressa e passo por uma rua estreita e me pergunto porque todos estão andando tão devagar? advinhem? à frente de todos eles caminha uma mulher de salto alto e nem sempre combinando com o resto do figurino. O salto alto é sinônimo de sensualidade e elegância? Nem toda mulher sabe andar sobre eles e em horários cabíveis. Mas o que mais me revolta é o fato de em alguns departamentos como fórum por exemplo,homens não podem entrar de camiseta,mas as mulheres podem entrar com finas blusinhas de alças com seus seios em riste.Falsa moral e hipocrisia do mundo masculino e falta de bom senso prático e elegância no mundo feminino. Alguem tinha que pagar o pato né? Nós os chamados práticos libertários! Viva a praticidade, viva a elegância,viva o bom senso.Existem regras da etiqueta em que todos nós estamos amarrados,mas nem assim devemos ser escravos delas o tempo todo.As pessoas mais elegantes conseguem independente de qualquer invólucro demonstrar isso naturalmente de um jeito ou de outro. A maior elegância é a liberdade aliada ao bom senso.abrçs Jeff Bonfim (visitem o orkut :caricaturas do jeff bonfim)