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sábado, 9 de abril de 2016

Já teve

Eu fico impressionado e assustado em ver tanta gente não querendo que tenha golpe e tendo aceitado os diversos "mini-golpes" que o PT deu no meio-ambiente, na esquerda, nos quadros clássicos do partido, no orçamento, nos próprios eleitores em 2014, nas expectativas de que não seria um partido como os outros, na recepção aos protestos de 2013, naqueles que queriam uma sociedade politizada e mobilizada em vez de messianismo, nas populações ribeirinhas, indígenas...

É incrível como a contribuição do próprio PT em entrar no "cheque especial" de sua credibilidade política sequer é mencionada, nenhum mea culpa, muita arrogância e haja narrativa orwelliana e conspiratória pra sustentar tanta negação deliberada (ou não, em alguns casos)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Quando eu vejo a cidade batendo panelas

No contexto da liberdade de expressão, acho que todos são livres para se indignar contra o que quiserem e protestar como quiserem. E penso que devemos acompanhar a política e nossos representantes em tudo. A charge abaixo expõe algo que lamento: há muitas coisas acontecendo, que vão nos impactar (ou já estão nos impactando) demais, com os responsáveis claramente identificados e que sequer são incomodados. Por quê? 

Não se trata de defender o PT (até porque a arrogância do partido sequer permite uma autocrítica, então cada um colhe o que planta), mas de incentivar que ampliemos nossa fiscalização do poder e de nossos direitos. (Em tempo: também não concordo com o tom do último quadrinho, compartilho a charge só para ilustrar a presente argumentação.)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O aborto de cérebros

"Mas será que nem no Dia das Crianças vão parar de falar em aborto?", perguntava Tutty Vasques antes do dia 12 de outubro. O tema, que surge nos jornais somente como pretexto para sangrar este ou aquele candidato, mais uma vez tornou-se onipresente. O debate sobre o aborto inexiste, mas será que alguém está de fato preocupado com isso?

Como é de praxe neste blog, jogo limpo com os leitores. Sou contra a prática do aborto e contra qualquer legalização pura e simples que favoreça a banalização do tema. Mas o que tem me tirado do sério é a postura de boa parte dos evangélicos na hora de construir o país que queremos.

Não bastasse a cultura, o entretenimento e o modo de vida norte-americanos, agora também importamos o fundamentalismo religioso. O sincretismo que sempre foi (e ainda é) traço marcante da nossa nação permitia que as religiões convivessem no mesmo território. Não vou exagerar dizendo que o convívio demonstrava amabilidade ou admiração mútuas. Mas não havia uma animosidade à flor da pele, muitas vezes criando preconceitos onde não existia.

O problema é que, na mesma proporção em que a parcela evangélica crescia na população brasileira, surgiam seus desvios de conduta. Nada diferente do que já tinha ocorrido com os católicos e, se fizerem um levantamento nas religiões de políticos e líderes controversos ou questionáveis, veremos novamente o sincretismo brasileiro ali representado.

Mas o grande problema mesmo é que os evangélicos conseguiram acesso à concessões públicas de rádio e TV, possibilitando que o eco de suas palavras alcançasse mais e mais pessoas, direta e indiretamente. E uma das principais consequências disso é a ascensão de líderes e políticos com mentalidade de gueto, que têm como objetivo a supremacia evangélica sobre a sociedade. Se isso penalizar a construção de uma cidadania plena e igualitária, não estão nem aí.

A retórica desse pessoal é conhecida. Um de seus principais representantes é o pastor Silas Malafaia, que se transformou numa espécie de oráculo para evangélicos de todas as denominações, opinando sobre projetos de lei e opções políticas. A conciliação possível não lhe agrada. Efetuar palavras de ordem com supostos fundamentos bíblicos, com verve polemista, sim. O que ainda arrebanha mais gente para suas causas.

Isso não me pertence!

Anteontem, Dilma se reuniu com 50 representantes evangélicos para assumir o compromisso de vetar qualquer tentativa de legalização do aborto. É possível que ganhe os votos conservadores que perdeu em meio aos terrorismos virais da internet. Dá pra se ter uma ideia de como é a influência dessas lideranças no eleitorado evangélico.

O incrível é que eles exigem da candidata (fizeram isso com Serra?) um compromisso público e por escrito que não aprovará leis contrárias ao que eles querem. É isso mesmo: admitiram que querem privilégios e supremacia sobre o resto da sociedade. O que esses mesmos líderes diriam se uma comitiva homossexual fizesse o mesmo? Ou de umbandistas?

É um absurdo do ponto de vista democrático e cidadão e muito ultrajante para mim, cristão evangélico desde a infância, ver que são esses os líderes do rebanho brasileiro atual. Quero afirmar categoricamente que eles não me representam, e que há muitos com uma mentalidade cristã antenada com os tempos atuais, sem deixar de seguir o Evangelho de Cristo, e que nada têm a ver com essa corja.

É o pessoal dos Novos Diálogos, gente que segue a Trilha, que se diverte com o Pavablog e anda pelo Caminho da Graça, só pra ficar em alguns exemplos. Gente que não só crê num Deus Todo-Poderoso, como procura viver sabendo que Ele é Todo-Poderoso e pronto.

Os líderes que foram pressionar Dilma acham que suas leis, seus poderes terrenos e seus fundamentalismos que coagem tantos vão mudar valores, corações e atitudes. Estão errados, só Deus é capaz disso, e Ele não depende de nenhum arcabouço legal ou político para fazê-lo. Aliás, os passos de Jesus quando entre nós demonstram o oposto, denunciando o farisaísmo hipócrita.

Então, quando você vir a palavra evangélico em qualquer meio de comunicação, saiba que ela carrega um asterisco discordante do qual este blog é testemunha.