segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A intersecção

Todo dia olho para o diagrama. Feito à mão num pedaço de papel, pendurado com durex à altura dos meus olhos. Não lembro de onde copiei, mas me impactou. No desespero, é o que me chama à realidade sem tolher meus sonhos.



Acho que o vi em meio a um curso do qual participei. Sei que estava anotado num caderninho que, ao ser revisitado, nem reparei no contexto em que estava inserido. Só no desenho.


Sua concisão me impressiona, tamanha é sua profundidade simplificadora. Eu, de tantos desejos e vocações sempre ardendo para desaguar, encontro conforto nos pequenos círculos e sua intersecção inapelável.

Perdido em meio a tantas injustiças que se vê nas telas e telinhas de nosso dia a dia (ou mesmo ao nosso lado, à nossa frente), diante das inúmeras e urgentes causas que pedem o nosso engajamento pessoal para fazer diferença e testemunhando os poderosos poderes transformando nossa vida em um Show de Truman (que influência temos, de fato, nos grandes destinos?), bate um desfalecimento.

“Não, meu coração não é maior que o mundo/ É muito menor/Nele não cabem nem as minhas dores”. Drummond, sempre ele, sempre comigo. É isso, velhinho.

Mas se não cabem ou não deixam de doer, o que fazer? E olho pro papelzinho, pros círculos, pro pintadinho do meio, pra seta. Olho de novo. E de novo. Não é autoajuda, é autoconhecimento.

Nada de achar que vou resolver tudo, tampouco de abandonar o que tem significado e me faz viver. Nada de dar um passo maior que as pernas, tampouco de desistir de oferecer meus cinco pães e dois peixes. Qual a justa medida para isso tudo?

Olho pro diagrama. E tento me sossegar.

Um comentário:

Marcos André Lessa disse...

Flavia, acredito que a ideia de "controle" aqui tem mais a ver com o que podemos gerenciar, influenciar em nosso nível, que estaria ao nosso alcance. Mas o texto pode provocar essas reflexões tb, como não? Abs!