domingo, 27 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009
Questões existenciaisdomingo, 6 de setembro de 2009

domingo, 30 de agosto de 2009
A prova realsexta-feira, 28 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Cortando pela raizsábado, 22 de agosto de 2009
Mas o que é que você quer?sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Não sei quem já ouviu falar da RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social). A RENAS é uma ampla rede de relacionamento entre as organizações evangélicas que atuam na área social, proporcionando encorajamento, capacitação, articulação, mobilização, troca de experiências, informações, recursos e tecnologia social.
Nos dias 27 a 29 de agosto, na Igreja Presbiteriana do Rio, acontece o IV Encontro Nacional da RENAS (maiores informações: http://www.renas.org.br).
Do processo da da RENAS, resultou uma discussão sobre o papel dos jovens, que amadureceu no sentido de criar um "setor de juventude": é a RENAS-Jovem. Seus objetivos são discutir, influenciar políticas públicas de juventude no Brasil, e fortalecer a participação da juventude evangélica dentro da Rede Nacional Evangélica de Ação Social (RENAS).
Ao final do encontro nacional, no dia 29 de agosto, à tarde, haverá o primeiro encontro da RENAS-Jovem. Mais informações em http://www.renasjovem.blogspot.com/.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Essa MarinaQuando eu pensava que a cena política brasileira tinha fechado as portas para as novidades (sejam elas boas ou más), surge o convite do PV para que Marina Silva dispute a presidência da república pelo partido em 2010.
Não tenho a (compreensível) ingenuidade que tive à época da eleição de Lula em 2002. Fiquei tão empolgado com aquele acontecimento inédito que só depois a ficha foi caindo de que, para governar, as contingências de sempre apareceriam. A tal governabilidade (o que é o PMDB, minha gente?), as grandes estruturas de poder brasileiras, o arrefecimento da ideologia petista etc.
Mas eu já cogitava fazer voto útil em 2010 ainda no primeiro turno, ou seja, escolher o candidato menos-pior-de-ruim-Deus-me-livre!, já que não estou tão disposto a anular como em outros pleitos.
Ok, votei em Cristovam Buarque e tive aquela leveza na consciência de que não desperdicei o meu voto - a não ser que eu almejasse ganhar a eleição. Mas Marina Silva, que nunca escondeu do governo, de seu chefe e da sociedade o quão difícil era ser Ministra do Meio-Ambiente no Brasil, surge como nova opção de candidata digna. Até de voto.
A candidatura de Marina assusta tanto o Planalto (e a oposição, não duvide) que Dilma Roussef já tentou convencê-la a não deixar o PT. Mas por que esse medo todo?
Primeiro, porque Marina Silva é Lula de saias: veio das classes baixas, ex-seringueira (o torneiro mecânico do Acre) e ainda tem uma história de luta política coerente. Além disso, é a encarnação da defesa do meio-ambiente e do desenvolvimento sustentável, vocação reconhecida internacionalmente. Quer bandeira mais na moda do que essa?
E ficou claro para a sociedade brasileira (ao menos, para a parcela que ainda se importa com os caminhos do país) que Marina incomodava o governo atual sendo fiel a seus princípios, a ponto de ter sido praticamente escorraçada em público da pasta do Meio-Ambiente. Lula acusou tanto o golpe que chamou o espalhafatoso Carlos Minc para sucedê-la.
Logo, a percepção dos eleitores é que Marina Silva saiu porque quis fazer um trabalho sério - e não porque era incompetente ou criou inimigos baseada em mesquinharia política. Ah, e a candidatura seria pelo Partido Verde - mais coerência, impossível. E é um partido com presença internacional pelo mundo, o que pode ajudar a ex-ministra.
Finalmente, Marina pode ser a (boa) novidade que bagunçaria o pré-determinado cenário das eleições 2010, com Serra x Dilma polarizando os extremistas atuais pró e anti-Lula, ambos os lados com a faca nos dentes sempre. Afinal, os decepcionados encontrariam uma nova esperança; os neutros poderiam ser simpáticos à causa "salve o planeta", ainda que não pensem muito a respeito; e a parcela oposicionista que quer o expurgo de Lula e sua herança ficaria satisfeita.
É claro que Marina não poderia governar se preocupando apenas com as questões ambientais, e teria que ter pulso firme pra ser chefe de governo. Além de gerenciar o relacionamento com o Congresso e suas bancadas. Será que ela tem perfil pra isso?
Entretanto, para um povo que carece de líderes que não só melhore suas condições de vida mas também ajude a combater males éticos, e ainda ser um exemplo nas causas globais...
E ainda é Silva.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
Dicas de investimentoterça-feira, 28 de julho de 2009
No blog com SaramagoReproduzo aqui entrevista de José Saramago ao Estadão, na qual ele conta sua experiência como blogueiro. No seu jeito peculiar, o autor de "Ensaio sobre a cegueira" descreve bem como é o ponto de vista a as motivações de quem alimenta um blog - seja um reles mortal ou um prêmio Nobel...
Saramago prova das delícias de ser blogueiro
Escritor português lança livro com posts escolhidos entre os melhores que escreveu para rede mundial
Ubiratan Brasil - Estadão, Sábado, 25 de Julho de 2009
"Sou como um elefante numa loja de louças: não sigo pauta, nem roteiros." Desde setembro do ano passado, o escritor português José Saramago é um ilustre ?elefante? que circula com desenvoltura pela rede mundial de comunicação. Na função de blogueiro, ele abastece sua página na internet (www.josesaramago.org) com certa regularidade, tratando desde temas particulares (sua passagem por São Paulo, no ano passado) até os aguerridos, como suas críticas à atuação do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Aliás, os ácidos comentários ("Na terra da Máfia e da Camorra, que importância poderá ter o fato provado de que o primeiro-ministro seja um delinquente?") impediram a publicação, na Itália, do livro O Caderno (224 páginas, R$ 45), lançado aqui pela Companhia das Letras.
Trata-se de uma seleção de textos que Saramago postou entre setembro de 2008 e março deste ano. Na introdução, o escritor lembra-se de quando os cunhados lhe ofereceram um caderno, em 1993, no qual deveria registrar seus dias na nova moradia, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Saramago jamais rascunhou uma letra ali, mas se inspirou para escrever Cadernos de Lanzarote, publicado cinco anos depois.
No ano passado, com seu site já no ar, o escritor foi incitado a repetir a experiência no formato de blog. Ainda que convalescente de uma doença que quase o levou à morte, Saramago aceitou a empreitada. Na verdade, empolgou-se a tal ponto que, quando sua mulher Pilar pediu para diminuir a quantidade de posts a fim de descansar nas férias, ele ficou triste, acreditando que Pilar não estivesse gostando de seus comentários. Afinal, ali era seu novo campo de batalha, no qual acariciou amigos (Jorge Amado, Carlos Fuentes, Chico Buarque) e também cutucou políticos, como no texto "Sarkozy, o Irresponsável" e naquele contra Berlusconi que, dono da Einaudi, justamente a editora que publica a obra do escritor na Itália, proibiu o lançamento de O Caderno em italiano. Sobre essa nova forma de expressão (pretende lançar outra seleção de textos em setembro), Saramago respondeu, por e-mail, as seguintes questões do Estado, sem esconder um certo tom birrento que se lhe tornou característico.
Depois de alguns meses escrevendo como blogueiro, o que o senhor pensa dessa ferramenta de comunicação? Seria mesmo um revolucionário modo de se comunicar?
A rapidez é a sua grande virtude, mas daí a ser revolucionário vai uma grande distância. Revolucionário foi o telefone; o que veio depois são alargamentos tecnológicos dele, sempre com o mesmo objetivo: chegar mais longe e mais depressa.
Para um escritor, qual a principal utilidade de um blog: útil apenas para exercitar a escrita ou criar um canal quase imediato de comunicação com seu público?
A escrita não se exercita num blog. Se assim fosse, o mundo estaria cheio de escritores. Mas é certo que o blog permite um contato quase instantâneo com os seus destinatários, de certo modo o mesmo tipo de diferença que existia entre uma carta e um telegrama. A obsessão da rapidez é uma das características da nossa época em todos os aspectos da vida. Mas é uma perigosa ilusão pensar que se pode vencer o tempo.
O senhor definiu, certa vez, a internet como "uma página infinita". Qual a importância da internet em sua opinião?
"Página infinita" era uma definição de algum modo poética que a internet não tem que me agradecer. O que importa, porém, é o que se escreve nela. A tal "página infinita" aceita tudo, aguenta tudo, incluindo o pior. A liberdade de expressão não é boa nem má por si mesma, mas pelo uso que dela se faça.
Nos textos selecionados para o livro O Caderno, percebem-se desde considerações sobre notícias do dia ou sobre outros artistas (escritores, em especial) até narrativas pessoais, como sua passagem pelo Brasil no ano passado. Qual critério o senhor utiliza na escolha do assunto que lhe parecerá atraente para o leitor e, ao mesmo tempo, pouco ou nada invasivo em sua vida particular?
Nenhum critério em particular. Reajo a estímulos que na sua maioria me vêm de fora, faço os comentários que me parecem adequados e passo a página.
As leis que controlam o direito autoral de textos lançados na internet ainda são precárias. O que pensa o senhor disso? Deveria haver um controle ou o espaço deve ser livre, a despeito de suas consequências?
Embora considere que todo o trabalho deve ser remunerado, inclino-me a pensar que o espaço de internet deverá ser livre. Mas esta é a opinião de um leigo na matéria.
A prática do blog pode condicionar as pessoas a escreverem (e também a lerem) textos mais curtos? Será que as histórias muito curtas terão matéria verbal suficiente para corresponder a gêneros literários reconhecíveis?
Não creio que venha a existir esse condicionamento. O curto e o comprido têm feito boa companhia um ao outro e assim irão continuar.
Os textos que estão no livro também estão disponíveis gratuitamente no blog. O fato de se adquirir o livro significa que o leitor (ao menos, um punhado deles) ainda tem respeito e dá o devido valor para a obra impressa?
Assim é. Tal como o conhecemos, o livro terá ainda uma longa vida. Uma biblioteca é um lugar especial, os livros são os homens e as mulheres que os escreveram. Estar numa biblioteca é estar acompanhado.
Os escritos de um blog podem ser considerados obra menor na carreira de um escritor?
Os escritos de um blog não definem, por si sós, uma qualidade determinada. São filhos da casualidade, do humor, dos apetites. Salvo alguma exceção que não conheço, duvido que alguma vez esses escritos venham a ser considerados obras maiores.
Ao escrever para o blog, o senhor diminuiu o tempo dedicado à escrita da literatura? Como conciliá-los? Aliás, o exercício do blog ajuda de alguma forma o da literatura?
Vinte e quatro horas dão para tudo. É uma questão de administrar racionalmente o tempo de que se disponha. Quanto a ajudar o exercício do blog o da literatura, não ajuda nem desajuda. São duas tarefas diferentes e não complementares.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Cinco coisas que não sou, mas gostaria tanto de ser que arrisco
Fui convidado pela Livia para escrever sobre o tema em meu blog. Aí vão as minhas opções e pseudo-projeções:
Craque de futebol do Flamengo
Não apenas jogador de futebol do time do coração, como qualquer criança. Gostaria de ser craque, camisa 10 indispensável ao time, com facilidade pra fazer toda jogada que quisesse. E marcar gol de título no último minuto de final de campeonato, com o estádio explodindo de alegria!
Apresentador de talk-show
É de lei assistir a um talk-show e torcer para que o apresentador faça a pergunta que está na minha cabeça, ou a piada que seria perfeita para aquele momento. Ou simplesmente fazer uma entrevista muito melhor do que aquele boçal privilegiado com um programa só dele...
Amigo de Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade
Se eles já me convenceram a escrever e me dão conselhos e consolos através de seus textos, imagine se eu os conhecesse! Viver naquele pedaço de Copacabana entre a Rua Canning e a Conselheiro Lafaiete, sorvendo da companhia e dos direcionadores vocacionais que eles sempre proporcionaram a seus companheiros de vida.
Integrante dos Beatles
Brincar enquanto trabalha, inventar o videoclipe, eternizar minhas músicas e ter raiva da Yoko. Hoje só dá pra realizar a última opção.
Dono de livraria sem medo de prejuízo
Conseguir qualquer livro que precisasse, fazendo rodas de leitura com escritores consagrados de todo o mundo - sem a esnobice. E um café da mais fina qualidade (e bem frequentado) pra completar.
Também tô convidando pra brincadeira os blogs abaixo :
sábado, 4 de julho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Voz do que clama no deserto"Existe um conceito infeliz no Brasil de que os direitos humanos só defendem bandidos. Tal conceito é popularizado e utilizado por pessoas que têm interesse em mantê-lo. Isso ajuda na justificação de políticas de comportamento repressivo, como as megaoperações no Rio de Janeiro ou a ideia de que os índios ameaçam os interesses econômicos do Mato Grosso do Sul. Várias ações governamentais no Brasil acabam sendo executadas para satisfazer àqueles que não acreditam nos direitos humanos."
Declaração de algum esquerdista de plantão? Opinião? Palpite?
Não, é um trecho do relatório da Anistia Internacional sobre o Brasil.
Lembrando que o único compromisso da organização, em nível mundial, é fiscalizar se os direitos humanos são respeitados. Não estão vinculadas a nenhum país, ou a algum grupo de pressão política ou partidária. Traduzindo: não tem rabo preso.
Tal iniciativa é um alento para este blogueiro, que agora se sente menos solitário no clamor público.
Leia o contundente relatório completo.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Estamos cercados!No meio da entrevista ao Esporte Espetacular, o jogador Adriano diz à repórter: "Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a trazer". O atacante, que acaba de voltar ao Flamengo após oito anos na Itália, parece saber do que está falando. Ele saiu da favela de Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão (Rio de Janeiro) para ganhar o apelido de Imperador graças a seu futebol pelo mundo.
Sergio Cabral e Eduardo Paes, com a conivência de boa parte da imprensa carioca e atendendo aos principais anseios da classe média da cidade do Rio, começam a erguer os muros em volta das favelas. A justificativa para a ação, condenada por organismos respeitáveis como a Anistia Internacional, é para conter a devastação ambiental. Uma balela, já que os principais devastadores não são os moradores das comunidades.
Na entrevista, Adriano afirmou que ficou deprimido após a morte do pai e desgostoso pelo futebol. Abandonou seu clube na Itália e sumiu no Brasil por alguns dias. Foi à favela de Vila Cruzeiro, reencontrar família e amigos. A despeito de se acreditar nos motivos que o levaram lá, o atacante não esconde que é na favela onde ele se sente bem e à vontade, a despeito de todo o dinheiro que ganhou na vida.
Sergio Cabral e Eduardo Paes, "somando forças", dão vida a choques de ordem e ocupações de morros pela polícia, para trazer a paz (para o morro ou para a Zona Sul vizinha?). Conseguem emplacar na mídia suas justificativas fascistas, o que se percebe pelo vocabulário das matérias: "comunidades" voltaram a ser "favelas"; "moradores de rua" são de novo "mendigos", e por aí vai. A classe média que já esperava por isso se sacia, a que até então poderia estar indiferente começa a tomar partido do governo.
A provocação das torcidas rivais à torcida flamenguista quando o time rubro-negro leva um gol: "Silêncio na favela", surfando na onda pejorativa. Adriano reestreiou ontem pelo Flamengo, marcando um gol e o Maracanã lotado gritava "Festa na favela", matando na ironia a provocação mordaz.
Sergio Cabral e Eduardo Paes não devem gostar muito da exaltação à favela que Adriano faz (também ressaltada na entrevista ao programa esportivo). Mas deixa estar: é futebol, numa torcida de massa, não vai além disso. Nada que atrapalhe seus planos de "arianizar" a sociedade carioca trajando um impecável cinismo.
Mas o atacante rubro-negro, nas limitações que possui e até onde o espectro esportivo permite, contribui para que o discurso do carioca não ignore o óbvio: a favela não é um antro de marginais que merece ser extirpada (removida?) do mapa. Se outros brasileiros de renome e voz - como os jogadores de futebol, ou digníssimos formadores de opinião - mantivessem essa postura, talvez governantes como Sergio Cabral e Eduardo Paes se constrangessem um pouco antes de proferir seus planos cara-de-pau.
Só que a cooptação pelo discurso dos magnânimos líderes eleitos encontra eco e nenhuma oposição. Ou nenhuma oposição que tenha espaço e voz. Que vergonha de morar no Rio.
VEJA TAMBÉM: Protestos contra os muros
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Por isso eu corro demaisAs tirinhas do Dilbert cumprem um papel importantíssimo em nossa sociedade, assim como o seriado The Office: satirizar as situações do cotidiano do mundo corporativo. As empresas é que começaram com essa história de distribuir seus empregados em baias, cada um com seu canto e seu computador, durante oito (ou mais) horas por dia.
quarta-feira, 6 de maio de 2009

“Eles me tiraram tudo, Joe! Tudo! Até a inspiração!”
A frase poderia estar em qualquer roteiro de Hollywood, numa seqüência dramática, com o ator quase chegando às lágrimas, caracterizando um belo clichê. Mas é essa fala nada original que resume o meu sentimento em relação às empresas de telecomunicações instaladas no Brasilzão.
Atire a primeira queixa no Procon quem nunca teve problema com as operadoras de telefonia. Poderosíssimas, mexem com tudo: telefone fixo, celular, TV a cabo, internet... Um “polvo” da convergência tecnológica e, sobretudo, do poder quase absoluto sobre essa tecnologia.
Eu, que já fui à justiça contra a Oi devido à inoperância do Velox na hora que mais precisei (ganhei, obviamente. Os meganhas já chegaram com um acordo e o rabo entre as pernas), voltei ao aborrecimento num sábado. À tarde, novamente o problema que originou a ida aos tribunais. No 0800, uma explicação nada convincente: falha na rede da região (mais uma!), que estava em reparo até as 17h. Curioso é que moro na rua de uma das sedes da Oi.
Às duas da madruga, louco pra postar no blog após outra insônia, nada de conexão. A frustração por me sentir excluído, ainda mais após tanto dissabor judiciário, somava-se à raiva pela operadora e por seu desserviço ter espantado minha inspiração para o texto. Word é maldito prêmio de consolação.
Mas resolvi resgatar informações de um seminário sobre telecomunicações que assisti em novembro. A Lei da Radiodifusão em vigor no país é de 1962. Avançadíssima para época, hoje é mantida jurássica para que os donos do poder midiático (que se confundem com os do poder do Estado, vide o bigodão) não sejam incomodados.
Com a bandida privatização das telecomunicações no país, em 1997, foi criada a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que mantém a situação da radiodifusão inalterada. Com um detalhe: apenas o telefone fixo está sob regime público. Ou seja, as operadoras só são obrigadas a garantir para toda a população o telefone fixo. E apenas em relação a isso podem ser cobradas pelo Estado, que chancelou a LGT.
Os demais serviços (celular, cabo, internet) estão sob regime privado. Isto é: não possuem a obrigação de universalizar o acesso de toda a população a esses serviços. Logo, não podem ser cobrados pelo Estado por isso. Só se movem aonde houver mercado consumidor que retorne o investimento feito (com lucro), o que é normal para uma empresa.
Porém o Estado, por meio da LGT forjada sob os lobbies das operadoras, permitiu que elas ignorem a maioria da população. Mesmo em se tratando do serviço básico de garantir que as pessoas se comuniquem no mundo atual. E sequer pensam em oferecer tarifas mais baratas.
Assim, cerca de 2 mil municípios brasileiros (são 5.564 ao todo) não possuem telefonia celular. Desses 2 mil, 600 contam com apenas uma operadora, sem a tal concorrência arvorada com ardor pelo livre mercado. Somente 400 municípios possuem banda larga.
Quer um exemplo? Rumemos para Japeri, distrito do Rio de Janeiro, com quase 93 mil habitantes. Só 10% deles possuem telefone fixo. Os demais, quanto muito, um celular “pai-de-santo”: só recebe, pois o minuto de uma ligação de celular é caro até pra quem pode pagar.
Meu problema de falta de conexão parece pequeno diante desse contexto. Mas a raiva pelas operadoras todo-poderosas aumenta. A única coisa que podemos fazer (ou ao menos a mais acessível e com resultado), é registrar queixas na Anatel e entrar na justiça contra elas se a reincidência e o atendimento que não resolve persiste. Não queremos banalizar o judiciário, mas banalizaram nosso desejo de nos comunicarmos decentemente, independente da nossa renda.
Aliás, só podemos entrar na justiça contra elas baseados, claro, no Código de Defesa do Consumidor. Só não podemos nos esquecer: o direito do cidadão à comunicação está acima do direito do consumidor.
sábado, 2 de maio de 2009
Saúde!Para quem não leu ou não conhece, o livro do escritor português fala de uma epidemia de cegueira que assola a população mundial, sem razão aparente. Na impossibilidade de encontrarem a causa ou a cura, as tentativas de controle da epidemia vão se esvaindo até chegar ao absurdo de confinar as pessoas - no caso, os infectados - para evitar maior contágio.
Ainda não se sabe a causa ou a cura da nova gripe, e isso traz o desespero primeiro aos mexicanos; depois, ao resto do mundo, devidamente globalizado. O que fazer? A Espanha relatou o primeiro caso na Europa de um paciente que contraiu a doença sem ter ido ao México, o que ilustra o perigo do contágio entre pessoas.
A possibilidade do vírus se contrair com o da gripe aviária pode causar um novo desenrolar trágico. Enquanto isso, a imprensa e os governos não sabem qual o tom a adotar: um alarmista que pode causar mais pânico ou um precavido que pode sonegar informações importantes para o momento.
O meio-ambiente já flerta com o apocalipse desde o relatório do IPCC sobre as mudanças climáticas. Agora, uma nova peste pode surgir, e a Europa de séculos atrás sabe bem o que é isso.
A nova gripe, assim como o castelo de cartas da crise financeira, mostra como a sensação de segurança que teimamos em querer manter é pura cortina de fumaça. Ok, não dá pra vivermos neuróticos, mas é inevitável que uma (não tão) simples gripe nos leve a refletir sobre nossa finitude humana.
Sim, acabaremos. Não falo da humanidade, mas individualmente. E então, o que fazer com esse tempo que a cada dia nos resta menos? Se formos levados pela fábula de José Saramago, é o momento de egoísmos inconseqüentes aflorarem a torto e a direito.
Mas, ao contrário do que muitos pensam, o ser humano tem a possibilidade de escolher. Cada um de nós pode escolher ser menos mesquinho, mais solidário, mais consciente de que nossa curta existência na Terra pode ser muito mais significativa do que estamos acostumados.
E se individualmente acabaremos, individualmente podemos deixar de ser tão individualistas, sem precisar de grandes causas ideológicas para isso. Tão somente a pequena causa do cotidiano, que cada um pode aplicar a sua vida.
